segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Calou-se Mais Um Intérprete dos Brasileiros Simples: Waldick Soriano.
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará.
lemos@ufc.br.
Na semana passada o Brasil perdeu um dos seus grandes interpretes da música popular. Foi-se Waldick Soriano, que muitos da autodefinida elite cultural brasileira, de forma arrogante e hipócrita, insistem em não reconhecer a obra, como um retrato em cores vivas e autênticas da simplicidade da maioria dos brasileiros. Houve época no Brasil em que assumir que se gostava de ouvir músicas do tipo “dor de cotovelo” significava ser execrado pela aquela gente que se dizia ter “fino gosto”.
Admitir ouvir e gostar de músicas de cantores como Waldick Soriano era sinônimo de alienação para os “patrulheiros ideológicos” que apenas “reconheciam” manifestação popular se tivesse o tal do “engajamento político”, mesmo isso não significando coerência ideológica e postura ética. Assumir que se apreciava arte como aquela significava ser rotulado de “brega”. “Chique” seria ter “comportamento de vanguarda”, ainda que isto significasse, mais tarde, demandas pecuniárias compensatórias por aqueles “ideais” que os “vanguardeiros” diziam possuir.
Muitos desses “revolucionários” conseguiriam indenizações polpudas e aposentadorias generosas do Estado Brasileiro. Ressarcimentos que foram conquistados às expensas do suor de milhões de excluídos (os “bregas”) que não tiveram a mesma “desenvoltura”, e poder de “persuasão” daqueles que lhes condenavam o gosto musical que retratava o seu cotidiano. Por isso seguem sobrevivendo com renda minguada, enquanto que muitos dos “engajados chiques” foram definitivamente cooptados pelo sistema que diziam combater e hoje usufruem contas bancárias recheadas decorrentes do seu “envolvimento militante” do passado. Continuam com a pose de “paladinos do politicamente correto” e de serem “contra tudo isso que aí está”. Inclusive a arte de que os mais pobres gostam.
O Brasil, na sua diversidade geográfica e cultural, tem produzido artistas que conseguiram captar os sentimentos de uma época. Por isso, esses brasileiros precisam ser reconhecidos devido à sua capacidade de traduzir, na sua arte, um conjunto de sentimentos pulsantes de sua gente. Waldick Soriano foi um desses. Assim como o foram Lupcinio Rodrigues, Maísa, Altemar Dutra, João do Vale, Luis Gonzaga, Patativa do Assaré, dentre os que já nos deixaram. Continuam sendo o Roberto Carlos, Paulinho da Viola, Dominguinhos, entre outros que, felizmente, continuam cantando a sua arte.
Roberto Carlos também foi vitima desse patrulhamento num passado não muito remoto. Nada, contudo, que impedisse que a atual Prefeitura “engajada” de Fortaleza o contratasse, a peso de ouro, para fazer show este ano ao ar livre com direito a tietagem daqueles e daquelas que outrora o apedrejavam porque sua música era “alienada”. Nada como a proximidade de uma eleição para mudar “convicções arraigadas” e aguçar “despojamento público”.
Waldick Soriano conseguiu captar, com sua sensibilidade, e transmitir nos versos de músicas como “Torturas de Amor” a complexidade de sentimentos mal resolvidos, traduzidos com simplicidade, mas repletos de beleza poética. Esta música seria mais tarde resgatada na belíssima voz de Maria Creusa. Aquela Diva que nos anos setenta interpretou magistralmente com Vinicius de Morais, Tom Jobim e Toquinho algumas das músicas mais antológicas do cancioneiro brasileiro de autoria desses compositores.
Que outro cantor-compositor ousaria escrever uma música com o titulo “Eu não sou Cachorro Não”, cujos versos mostram a que ponto pode chegar um homem que quer conquistar o afeto de uma mulher? Histórias humanas vivenciadas por qualquer um, de qualquer classe social, com ou sem conta bancaria farta. A nossa vida sintetiza-se em sentimentos assim. Pessoas apaixonadas movidas pelo amor, pelo desejo, pelo tesão e pela ternura, na busca incessante de partilhar, com alguém, as suas aventuras e desventuras.
Nada nesta vida faria o menor sentido se não fosse assim. Um percentual pequeno de brasileiros pode usufruir disso de forma confortável. A maioria não consegue vivenciar sentimentos assim, protegida pelo conforto de uma acomodação confortável e de renda mais folgada. Nem por isso, contudo, deixa de experimentar, na plenitude e na exaustão, tais emoções. Esse era o público mais fiel à arte de Waldick Soriano. Talvez por isso ela era recebida com nariz retorcido por aqueles mais bem posicionados na pirâmide social.
Waldick Soriano foi-se como se foi João do Vale, quase esquecido. João do Vale que teve a sua obra reconhecida por ninguém menos do que Chico Buarque que tentou resgatar-lhe, em vida, a sua arte para a população brasileira. Brasileiros que são atualmente bombardeados por “músicas” horrorosas veiculadas nas rádios (principalmente nas FM) e nas televisões, grande divulgadoras de baboseiras no Brasil. Como dizia o nosso Belchior (outro esquecido), “Nossos ídolos ainda são os mesmos”. Mas estão passando. Como passaram Harrison, Lennon, Elvis, Elis Regina, Nara Leão, Clara Nunes, Zequeti, Candeia... Waldick cantou o que as pessoas simples gostam de ouvir e de sentir, e que o tinham como um autêntico porta-voz, por isso a grande empatia entre ele e o seu público.
sábado, 13 de setembro de 2008
Governo Admite Ter Ignorado Parecer dos Técnicos sobre Rio Madeira e Ministério Público Federal Abre Inquérito
Patrícia Bonilha
Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org. br
Link: http://www.amazonia.org.br
Data: 12/09/2008
"Houve de fato o parecer dos técnicos, mas depois o parecer do diretor foi
outro" - reconheceu o presidente do IBAMA, Roberto Messias Franco, após ser
questionado repetidamente pelo plenário do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) a respeito das razões pelas quais - apenas três dias após
receber parecer contrário à concessão da Licença de Instalação para a usina
de Santo Antônio - a mesma foi liberada sem explicações a respeito da
mudança de opinião do órgão.
A afirmação de Messias Franco se deu no contexto de uma sessão especialmente dedicada a esclarecer as alegadas irregularidades no processo de licenciamento das duas usinas do Rio Madeira, para a qual foram convocados IBAMA, FUNAI, Ministério da Saúde, MPF e a OSCIP Amigos da Terra - Amazônia Brasileira. Na mesma sessão, o representante do MPF leu um ofício encaminhado pelo procurador Heitor Alves Soares que anuncia ter instaurado inquérito para apurar as razões pelas quais foi desrespeitado o laudo técnico conclusivo.
A discussão no CONAMA viu as ONGs de todas as regiões do país atacarem duramente o governo. "O governo Lula - ao ignorar a presença dos índios isolados na área de impacto da obra - está os condenando ao genocídio", afirmou a representante das ONGs da região Norte, Neidinha Bandeira, de Rondônia. Zuleica Nycz, representante da região Sudeste, AMA lamentou o fato de que o presidente do IBAMA se esquivou de responder à maioria das perguntas dos conselheiros, prometendo mais detalhes depois, por escrito. "Nessa altura precisamos de um painel de acompanhamento formado por
especialistas de renome para apurar realmente o que aconteceu com esse
licenciamento", afirmou.
As ONGs se valeram também de uma assessora técnica, Telma Monteiro, que apresentou dados sobre aspectos negligenciados pelos estudos, tais como a retirada das toras de madeira que descem o rio e diversas questões relacionadas com os sedimentos. Todos os ministérios foram chamados pela Casa Civil a defender o processo de licenciamento das usinas na reunião, em alguns casos com efeitos indesejados: o Ministério de Minas e Energia, por exemplo, arriscou oferecer explicações a respeito do processo, admitindo assim ter interferido no mesmo contratando estudos em lugar do IBAMA, o que é contrário aos procedimentos legais.
Já o governo de Rondônia, apesar de não questionar o licenciamento, admitiu ter reservas sobre o fato que não foram estudados os impactos sociais após a obra,
prevendo o que chamou de "ressaca depois da atração de 40 mil empregos diretos".
De acordo com Roberto Smeraldi, diretor de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, o processo gera três preocupações: uma com os impactos ambientais, que já acontecem (por exemplo, a explosão do desmatamento), uma sobre o fato que a justiça acabará suspendendo as obras durante a construção (com impactos econômicos) e outra diz respeito a criar um precedente de "licenciamento político" em detrimento dos pareceres técnicos.
O CONAMA decidiu suspender qualquer encaminhamento sobre o tema até o recebimento das explicações por escrito por parte do IBAMA.
Patrícia Bonilha
Assessoria de Comunicação
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
SCS Qd 08, Edifício Venâncio 2000, Bloco B50, salas 415/417
Brasília - DF, CEP 70333-970
++ 55 61 3321-6108
Fax: ++ 61 3321-2766
skype: pbonilha
www.rbrasil.org.br
sábado, 6 de setembro de 2008
Água e Saneamento São Bens Vitais
José Lemos
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará. Autor do Livro “Mapa da Exclusão Social no Brasil: Radiografia de Um País Assimetricamente Pobre”. lemos@ufc.br.
No “Corão”, livro sagrado dos muçulmanos, está escrito: “Através da água nós proveremos a vida para tudo”. Na Bíblia dos cristãos também são constantes as passagens que mostram a importância da água para a vida. O Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU (RDH) de 2006, um documento de 420 páginas, tem metade do seu conteúdo dedicado para avaliar, analisar e mostrar a importância do acesso à água e ao saneamento para o desenvolvimento humano. Na pagina 6 desse relatório lê-se a seguinte passagem: “água e saneamento estão entre os mais poderosos instrumentos de medicina preventiva disponíveis para os governantes reduzirem doenças infecto-contagiosas. Investimentos nestas áreas eliminam doenças como diarréia, cuja prevenção significa salvar vidas”.
Há uma forte relação entre exclusão social e falta de acesso à água e ao saneamento. A ONU estima que das 6,7 bilhões de pessoas que hoje povoam o mundo, dois (2) bilhões não tem acesso a esses serviços. Esta entidade prevê que 30% da população da terra não terá água de qualidade em 2025 e que 1/3 não terá instalações sanitárias adequadas. As maiores carências estarão nos grotões da África, Ásia e América Latina.
Nos locais onde não tem água, são as mulheres e as crianças que a buscam nas mais diversas e longínquas fontes. Em Moçambique e em Uganda, as mulheres chegam a alocar até 15 horas diárias do seu tempo na busca de água para as suas casas. É bastante comum as mulheres caminharem até 10 quilômetros semanais nesses paises em busca de água durante os períodos de estiagem. As crianças pobres que precisam buscar água para prover as necessidades das suas famílias têm um custo adicional que é o de não poderem freqüentar a escola, porque no horário das aulas estão se deslocando para a fonte de coleta de água, como se depreende do depoimento de uma menina de 10 anos de idade no local chamado de El Alto que fica na Bolívia: “naturalmente que eu gostaria de estar na escola. Eu quero aprender a ler, escrever e também gostaria de estar lá com os meus colegas. Mas como eu poderia? Minha mãe precisa de mim para apanhar água e o local onde se busca água apenas funciona de 10 a 12 horas. Tenho que chegar cedo para conseguir um bom lugar na fila, porque muitas pessoas vêm para cá em busca de água” (RDH, 2006).
Este depoimento, que arrepia pela sua dureza, também poderia ser dado por uma criança do Maranhão ou do Ceará. Da Paraíba ou de Alagoas. Do Piauí ou da Bahia. Poderíamos ouvi-lo em qualquer rincão deste Nordeste. A falta de instalações sanitárias dignas é coadjuvante. Não dispor delas significa conviver com promiscuidade e com doenças. Assim, as famílias que moram nos domicílios mais pobres sem saneamento e água limpa estão mais vulneráveis a vários tipos de doenças.
Nos períodos de estiagem, em que as populações do Nordeste são abastecidas pelos carros-pipas, as populações pobres, que precisam recorrer a essa fonte de abastecimento, têm uma despesa extra com a compra da água. Na estiagem do ano passado (2007), por exemplo, no município de Salitre no Ceará, um dos mais carentes desse Estado, o preço de um vasilhame de 20 litros de água chegou a ser comprado por R$ 10,00. Ou seja, os pobres ainda têm que despender parcela significativa da pouca renda que auferem para comprar água a preços exorbitantes em épocas de maiores dificuldades.
Atualmente no Brasil estima-se que 16% da população, ou 30,4 milhões de pessoas, não tenham acesso à água encanada, e 30%, ou 57 milhões de brasileiros não disponham de destino adequado para os dejetos diários. As regiões mais carentes, em termos relativos, são o Nordeste, com 51% da população sem saneamento adequado; e o Norte, onde a ausência de saneamento penaliza 48% da população. Nessas regiões também estão os maiores contingentes populacionais com privações de água de qualidade. Paradoxalmente na região Norte, onde estão os maiores reservatórios de água doce do planeta, 44% da população não têm acesso à água de qualidade nos domicílios. No Nordeste este percentual é de 25%. O desdobramento dessas carências mostra que elas são muito mais acentuadas nas áreas rurais de todo o Brasil. O mapeamento também sinaliza que em estados como Alagoas, Piauí, Maranhão, Paraíba, Acre, Rondônia e Ceará as situações são muito mais difíceis. Não é por acaso que esses estados lideram o ranking brasileiro detendo os maiores percentuais de socialmente excluídos e possuindo os menores padrões de desenvolvimento humano. Prover saneamento e água de qualidade para uma população em crescimento contínuo é o grande desafio deste milênio no mundo. No Brasil e no Nordeste o desafio não é menor.
Publicação simultânea com O Imparcial, de São Luís do Maranhão.
sábado, 30 de agosto de 2008
STF Suspende Julgamento de Raposa Serra do Sol
Marco Antônio Soalheiro
Repórter da Agência Brasil
(http://www.agenciabrasil.gov.br)
Brasília - Após apresentação do voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, que deu parecer pela manutenção da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR) em área contínua, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo.
O presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, disse que pretende retornar com a ação ao plenário "se possível ainda neste semestre".
Em seu voto, o ministro Ayres Britto rejeitou argumentos de suposta falsidade do laudo antropológico e proliferação estimulada de comunidades. Segundo o ministro, são nulas as titulações conferidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a não-índios, pois as terras "já eram e permanecem indígenas".
Britto argumentou que, em Roraima, há terra em abundância para toda a população do estado. "Tudo em Roraima é grandioso. Se há, para 19 mil índios, 17 mil quilômetros quadrados, para uma população de menos de 400 mil não-índios há 121 mil quilômetros quadrados."
Logo após o pedido de vista, Ayres Britto voltou a comentar seu voto e reforçou seu posicionamento favorável à demarcação contínua. "Só a demarcação pelo formato contínuo atende os parâmetros da Constituição, para assegurar aos índios o direito de reprodução física, de reprodução cultural, de manter seus usos, costumes e tradições. A mutilação, com demarcação tipo queijo suíço, fragmentada, inviabiliza os desígnios da Constituição."
Algumas Reflexões para Debater um Projeto Para São Luís
Por
José Lemos
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará.
lemos@ufc.br
Estamos novamente em período de eleições no Brasil, em que pretendentes de todos os perfis fazem muitas promessas tentando seduzir os eleitores. Nessa busca de votos, observa-se que a maioria dos candidatos utiliza lugares comuns e frases prontas. Respaldados por “marqueteiros”, dizem o que imaginam ser o que o eleitor quer ouvir. Alguns, evidentemente, conseguem se eleger, e ao assumirem os respectivos mandatos “esquecem” o que foi prometido nos palanques. Este comportamento tem levado os políticos brasileiros a serem nivelados por baixo, e o exercício de mandato eletivo, que é fundamental para a democracia, vem caindo na vala comum do descrédito.
Com a experiência de alguns anos de Academia, e nesse período ter produzido trabalhos que tentaram entender as causas da pobreza e como fazer para mitigá-la é que resolvi explicitar algumas idéias. Não há a pretensão de ser dono da verdade nem de trazer projetos acabados. Há apenas a intenção de disponibilizar para a sociedade da terra com a qual mantenho vínculos fortíssimos de responsabilidade social, alguns conhecimentos que adquiri na vida. Pesa também o fato de ter participado da equipe do ex-Governador Zé Reinaldo que criou e executou um conjunto de ações que ajudou a retirar o Maranhão da estagnação social e econômica em que se encontrava na virada deste milênio.
Como demonstramos em artigo do dia 2 de agosto deste ano neste espaço, São Luis entrará em 2009 com 26% da sua população, ou 260 mil pessoas, socialmente excluídas. Estima-se um déficit habitacional entre 65 mil e 75 mil imóveis. Obviamente que as prioridades devem ser reduzir drasticamente esta divida social que inclui também reduzir o percentual de excluídos, levando àqueles ainda privados desses serviços, água encanada, saneamento, coleta de lixo e reduzindo-lhes a taxa de analfabetismo.
São Luís precisa aumentar e preservar a sua área verde. O próximo prefeito poderia liderar um grande mutirão para arborizar a cidade. Isto poderia ser feito de forma simultânea através da expansão e da introdução de novas áreas de preservação permanente, mas também através de projetos de arborização de curto, médio e longo prazo. Existem espécies arbustivas e arbóreas que tem maior precocidade, e que no primeiro momento seriam plantadas com maior densidade. Assim o planejamento envolveria o plantio escalonado de espécies frutíferas e ornamentais com diferentes períodos de crescimento
As reservas do Rangedor e do Itapiracó poderiam ser transformadas em parques ou Jardins Botânicos. Esta ação deveria ser feita em sinergia com o Governo do Estado, de tal forma que as espécies que fazem parte daquelas reservas seriam identificadas com nomes científicos e vulgares, e assim também tendo utilidade didática. Dentro desses parques seriam construídas trilhas ecológicas por onde as pessoas poderiam fazer passeios, exercícios aeróbios e praticar esportes. Ações que deveriam ser complementadas com a construção de logradouros públicos para o lazer das famílias, sobretudo nos seus bairros mais pobres. Tudo isso junto tornaria a cidade mais humanizada.
O patrimônio cultural e arquitetônico de São Luis é muito rico e diversificado. Logradouros como as Praças Deodoro, João Lisboa, Pedro II e todo o Centro Histórico precisam ser revigorados, haja vista que as ações até aqui realizadas não foram suficientes e por isso precisando de projetos mais arrojados. Todo aquele conjunto arquitetônico deve ser resgatado em sua harmonia para deixar a cidade mais bela para a sua gente e para quem a visita. Poderia ser trazido de volta o bonde elétrico para fazer um circuito turístico pelo centro, saindo da Praça João Lisboa, descendo a Rua Afonso Pena e passando pelo Mercado Central, que também precisa ser revigorado. A Prefeitura se uniria à iniciativa privada e promoveria, sistematicamente, eventos culturais nesses logradouros resgatados visando atrair a população da capital e os turistas, e assim injetaria efervescência naqueles espaços atualmente pouco freqüentados até por falta de motivações com essas.
Através da Secretaria de Agricultura Municipal, que deveria ser criada, o município trabalharia junto com o Estado e entidades do terceiro setor prestando assistência técnica aos agricultores familiares na construção de um “cinturão verde” no entorno da capital. Esses agricultores familiares deveriam dispor de diferentes espaços para negociarem diretamente com os consumidores em São Luis. Venderiam os seus produtos por preços remuneradores e os consumidores da capital, sobretudo os de baixa renda, teriam produtos de qualidade sendo comprados a preços abaixo daqueles praticados nos supermercados e nas demais feiras livres. Essas feiras de agricultores familiares teriam como vantagem adicional funcionarem como reguladoras dos preços de hortaliças e frutas nos mercado da capital, trazendo-os para baixo. Ficam as sugestões para aqueles que buscam ser prefeito da capital refletirem e se apropriarem, se acharem que vale a pena.
Artigo publicado simultaneamente pelo jornal O Imparcial, de São Luís do Maranhão
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
MANIFESTO DE APOIO A JOÃO ALFREDO VEREADOR
Essa nova cultura política, que se encontra em pleno processo de maturação e crescimento, exige uma outra cultura ambiental, que trate a questão ambiental como elemento estruturante de uma nova forma de viver, na qual o consumismo, o desperdício ambiental e a superexploração do meio ambiente e dos homens e mulheres não se façam mais presentes. Essa nova cultura política recusa a idéia de crescimento econômico a qualquer preço,
sobretudo quando esse preço é imposto às camadas mais simples da população. A nova cultura política que queremos trabalha na perspectiva da educação pública de qualidade, libertária e construtiva, para todos os
segmentos sociais. Ela prega ainda a radicalização da democracia com participação popular, e a luta contra a injustiça, a pobreza e as desigualdades sociais de toda ordem.
Na atualidade, a cidade de Fortaleza apresenta um grave quadro de degradação sócio-ambiental, sendo também marcante a fragilidade dos seus meios de produção, geração e desenvolvimento de conhecimento, educação e
cultura. A destruição ambiental na nossa cidade anda de mãos dadas com o poder econômico, com o rebaixamento da democracia a um mero procedimento eleitoral, com uma desagregação social explicitada pela violência urbana, pela banalização da vida, pela ausência de convivialidades humanas e com a progressiva destruição do mundo do trabalho. É neste cenário que emerge a necessidade peremptória de uma representação política diferente, que fortaleça o processo de busca e construção dessa nova sociedade que
queremos. Nós, professores e ambientalistas de Fortaleza, entendemos que a presença que fará a diferença na Câmara dos Vereadores é do ambientalista e professor João Alfredo.
João Alfredo é militante do movimento ambientalista há 25 anos. Durante todo esse período, manteve-se atuante, combativo, coerente, comprometido com todas as grandes e pequenas causas ecológicas e socioambientais da cidade e do estado. Tendo sido deputado estadual e federal, conhece os mecanismos de funcionamento do sistema legislativo brasileiro e sabe com eles agir, ao rejeitar toda as formas de maniqueísmo, corrupção e rebaixamento da representação popular. Por ser professor, é comprometido com os anseios de melhoria do processo de ensino-aprendizagem na cidade, que permeiam os nossos sonhos. Assim, nós, professores e ambientalistas abaixo assinados, apoiamos João Alfredo para vereador de Fortaleza. Porque a vida pede coragem!
ASSINAM O DOCUMENTO (por enquanto)
ADEMIR COSTA -- JORNALISTA E AMBIENTALISTA
SORAYA VANNINI TUPINAMBÁ- AMBIENTALISTA
VANDA CLAUDINO SALES - AMBIENTALISTA E PROFESSORA DEPTO GEOGRAFIA UFC
JEOVAH MEIRELES - Ambientalista e Prof. Depto. de Geografia da UFC
JOÃO SARAIVA – ambientalista
MARIA AMÉLIA – militante da causa indígena
URIBAM XAVIER – Prof. Depto Ciências Sociais UFC e Diretor da ADUFC
GIGI CASTRO - CANTORA E AMBIENTALISTA
ARNALDO FERNANDES - AMBIENTALISTA E MILITANTE SOCIO-AMBIENTAL
ZACHARIAS BEZERRA - AMBIENTALISTA E JORNALISTA
FLÁVIO TELLES MELO – PROFESSOR DE FILOSOFIA
CÉLIA GUABIRABA – ambientalista e integrante do IMOPEC
FÁTIMA GUABIRABA – ambientalista e integrante do IMOPEC
MAGNÓLIA SAID – ambientalista e advogada
FERNANDA RODRIGUES - Cientista Social e Doutoranda em Sociologia -UFC
FELIPE DOS REIS BARROSO - advogado e professor universitário
MARIA LOURDES DOS SANTOS - Doutoranda Sociologia UFC e ambientalista
ANA PAULA RABELO, Linguista
NILO SÉRGIO ARAGÃO - Professor de história
REGINA LÚCIA FEITOSA DIAS – ambientalista
ÂNGELA PINHEIRO - Professora da UFC
RAQUEL RIGOTTO – Proa Medicina da UFC
MARIA DO CÉU LIMA - Profa. do Departamento de Geografia da UFC
JOSAEL LIMA Lima - Ambientalista
RENATA NERIS VIANA - Professora
ROGÉRIO COSTA - Psicólogo e ambientalista
CLARISSA TAVARES - Jornalista
JOÃO B.A. FIGUEIREDO - Professor da FACED - UFC
EDSON VICENTE DA SILVA (Cacau) - Prof. do Depto. de Geografia da UFC
EUSTÓGIO DANTAS - Prof. do Depto. de Geografia da UFC
ALEXANDRA OLIVEIRA - Profa. do Depto. de Geografia da UFC
ANTONIO JOSÉ CUNHA – ambientalista e integrante do IMOPEC
NADJA MARIA DE MORAIS SOARES – ambientalista e integrante do IMOPEC
LOURDES CARVALHO NETA – geógrafa e professora da FAC
MARIA ELIA SOARES – geógrafa e professora da FAC
FABIANA FREIRE - médica anestesiologista e ecologista)
ELIZABETH GUABIRABA - Jornalista, fotógrafa e ecologista).
EUDES MOREIRA – Professor de Biologia
TIBÉRIO CÉSAR – Professor de Geografia
Seminário Sobre Agrotóxicos em Quixadá, Ceará
Raquel Maria Rigotto
Com a greve dos trabalhadores da Delmont, que abriram uma janela para a sociedade enxergar o que acontece num empreendimento como este e de quê desenvolvimento se trata, encontramos a região do baixo Jaguaribe realmente com novos ares, como profeticamente foi batizado o nosso Seminário sobre agrotóxicos pela Soraya.
Contamos com mais de 300 pessoas nos três dias de trabalho - auditório da FAFIDAM lotado de estudantes do CENTEC, da própria UECE, professores da rede pública, profissionais de saúde, lideranças de ONG e movimentos sociais, trabalhadores. As exposições e os debates foram construindo naquele coletivo um olhar ampliado sobre as transformações em curso naquele território, contexto em que se agrava o problema da contaminação ambiental e humana pelos venenos. Os depoimentos dos trabalhadores, que romperam com o medo apesar das 170 demissões realizadas pela Delmont no dia 21.8, colocaram a história viva no palco e mexeram com as pessoas e instituições.Assim como a fala e o vídeo da comunidade de Lagoa dos Cavalos, do Esplar, das Bananeiras, mostrando que existe um caminho sustentável sendo trilhado por eles, como já adiantara o Prof. Hidelbrando, ao realçar os trunfos do vale.
Ao final, a comissão de encaminhamentos propos a constituição de um Fórum Permanente, composto pelas entidades que organizaram o evento - Ministério Público Estadual, Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos–FAFIDAM, Cáritas, Núcleo Tramas/UFC, Diocese de Limoeiro, Via Campesina, Articulação do Grito dos/as Excluídos/as da Diocese de Limoeiro do Norte, Instituto de Educação e Política em Defesa da Cidadania - IEPDC, Esplar, CENTEC, 10ª CERES- Limoeiro do Norte. Representantes dos estudantes e outras entidades/movimentos poderão aderir. Este Fórum debaterá também as propostas surgidas durante o Seminário e encaminhará.
Entre estas propostas está o envio de uma carta ao Ministério da Saúde, propondo que a região seja incluída nas prioridades de projeto sobre os impactos da transposição do São Francisco sobre a saúde da população. E também para incluir a região como piloto do Plano de Ação Integrada em Vigilância dos Agrotóxicos, que também está sendo preparado pelo Ministério da Saúde.
Paralelamente, tivemos reunião com autoridades públicas do setor saúde dos municípios de Limoeiro, Quixeré e Russas, na presença das Dras. Sheila Pitombeira e Bianca Leal, promotora pública de meio ambiente
Pudemos ainda iniciar o estudo do caso de um dos trabalhadores - Sr. Valderi, bem como anotar contatos com outros trabalhadores, colher informações preciosas sobre os agrotóxicos utilizados e as condições de trabalho, manifestar apoio aos trabalhadores grevistas e aos demitidos, apoiar a negociação das demissões, pela feliz coincidência da chegada na cidade da Promotora do Trabalho, Dra. Hilda Leopoldina, para participar do Seminário; boa cobertura da imprensa = Diário do Nordeste... Enfim, muita luz!
Entre as tantas pessoas que ajudaram nestes avanços, ficam aqui agradecimentos especiais à Soraya e à Pastora, da Cáritas de Limoeiro, mães de boa parte destas luzes.
Atenção, agora, ao movimento dos trabalhadores lá.
A Autora:
Raquel Maria Rigotto
Profa. do Departamento de Saúde Comunitária
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade,
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará