O Instituto Crítica Radical, a Universidade Federal do Ceará – UFC e a Universidade Estadual do Ceará – UECE, com o apoio de várias instituições, promoverão, entre os dias 1º e 5 de agosto, na Quadra do CEU da Universidade Federal do Ceará (Benfica/UFC), o Fórum Transnacional da Emancipação Humana – Desafios da Humanidade e do Planeta, cujo principal objetivo é debater idéias sobre o atual momento de crise do sistema capitalista, o qual constitui hoje uma ameaça à humanidade e ao planeta.
O esforço dos organizadores do Fórum é a construção de um ambiente favorável para o pensar e o agir emancipatórios, contribuindo para que integrantes dos movimentos sociais de vários países, e também locais, apropriem-se da problemática, difundindo novas idéias e conceitos, com base na crítica radical do valor e do fetichismo, debatendo as mais recentes elaborações, reflexões e pesquisas de uma crítica social avançada.
Com a realização do fórum, pretende-se ainda avançar na compreensão crítica do mundo e fundamentar a atividade teórica e prática dos movimentos sociais, que se colocam no terreno da transformação das condições de “dominação fetichista” sobre os seres humanos, transcendendo o sistema produtor de mercadorias e inaugurando uma nova relação social.
Os conferencistas do Fórum serão: Anselm Jappe, doutor em Filosofia e Ciências Sociais, professor e ensaísta alemão; Gérard Briche, doutor em Filosofia, professor e ensaísta francês; Luis Andrés Bredlow, doutor em Filosofia e diplomado em Ciências Sociais, professor e ensaísta espanhol, editor da revista Mania; Felicidad Espinoza Soto, mestra em Desenvolvimento Rural, Ciências Ambientais e a bióloga na Espanha; Além de Jorge Paiva, Rosa Fonseca e Maria Luiza Fontenele integrantes do Instituto Crítica Radical de Fortaleza.
Mais informações no site
www.forumdaemancipacaohumana.org
PROGRAMAÇÃO DO FÓRUM TRANSNACIONAL
EMANCIPAÇÃO HUMANA
Desafios da Humanidade e do Planeta
01 a 05 de agosto de 2010
Quadra do CEU da UFC/Benfica
PROMOÇÃO: Instituto Crítica Radical, Universidade Federal do Ceará (UFC)
e Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Apoio: CETREDE, FUNCAP, IFCE, FAC, UVA, URCA, FGF, CENTEC
01/Agosto (domingo)
Informações, credenciamento, contatos e Das 8 da manhã às 22 horas
mini-debates sobre os desafios teóricos e práticos do Fórum
• Local: Quadra do CEU – Av. da Universidade, Nº 2700 - UFC/Benfica
18h – Confraternização Emancipação ainda que tardia
• Local: Quadra do CEU – UFC/Benfica
02/ Agosto (segunda-feira)
15h – Robert Kurz no vídeo “Crise, Crítica Radical e Emancipação Humana” (50min). Em seguida, debate com organizadores do Fórum e conferencistas.
• Local: Auditório Rachel de Queiroz (Psicologia UFC - Benfica)
Obs: Após todas as conferências também serão realizados debates.
18h30 – Abertura
Jesualdo Pereira Farias (Reitor da UFC)
Francisco de Assis Moura Araripe (Reitor da UECE)
Maria Luiza Fontenele (Instituto Crítica Radical)
19h – O momento atual, a crise do valor-dissociação e a emancipação humana.
• Palestrantes: Maria Luiza Fontenele, Rosa Fonseca e Jorge Paiva
• Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
03/ Agosto (terça-feira)
09h30 – Encontro para aprofundamento das temáticas apresentadas na abertura. Presença dos conferencistas e organizadores do Fórum.
• Local: Auditório Rachel de Queiroz (Psicologia UFC - Benfica)
12h – Atividades Artisticas e Culturais Emancipatórias( a programação está em construção)
16h – Alienação e Necessidades: Perspectivas de uma Emancipação Humana
• Palestrante: Gérard Briche
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
19h - Poesia e Revolução - Debord e os palíndromos do tempo
• Palestrante: – Olgária Matos
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
04/ Agosto (quarta-feira)
09h30 – Encontro para aprofundamento das temáticas apresentadas. Presença dos conferencistas e organizadores do Fórum.
• Local: Auditório Rachel de Queiroz (Psicologia UFC - Benfica)
12h – Atividades Artísticas e Culturais Emancipatórias ( a programação está em construção)
16h – Democracia, Indivíduo, Dinheiro e a Emancipação Humana
• Palestrante: Luis Bredlow
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
19h – Marx, Fetichismo, Crise Atual e a Superação do Capitalismo
• Palestrante: Anselm Jappe
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
05/ Agosto (quinta-feira)
09h30 – Encontro para aprofundamento das temáticas apresentadas. Presença dos conferencistas e organizadores do Fórum.
• Local: Auditório Rachel de Queiroz (Psicologia UFC - Benfica)
12h – Atividades Artisticas e Culturais Emancipatórias( a programação está em construção)
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
16h – Lutas Sociais e Movimentos Indígenas na América latina, particularmente na Região Andina – A história da resistência indígena contra a dominação colonial e neocolonial é a história da defesa tenaz de uma forma de vida não dominada pelo dinheiro, a propriedade e o Estado.
• Palestrante: Felicidad Soto
• Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
19h – Os Desafios da Humanidade e do Planeta para a Emancipação Humana
• Palestrante: Jorge Paiva
•Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
21h30 – Confraternização para a Emancipação Humana.
• Local: Quadra do CEU-UFC/Benfica
Secretaria do Fórum:
Av. da Universidade, 2932 (Casa Ecológica) CEP: 60.020-481–Benfica
(85) 33667463/ 30812956/30910861 - Fortaleza – Ceará – Brasil
E-mails: prex@ufc.br • criticaradical@criticaradical.org
Sites: www.criticaradical.org • www.forumdaemancipacaohumana.
sábado, 31 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
Periferia em Cena com Escambo e Escambito
Leonardo Sampaio
Pedagogo, poeta, escritor e educador popular.
Manifestações da arte e cultura popular brasileira são acolhidas pelo Espaço Cultural Frei Tito de Alencar (ESCUTA), no bairro Pici, em Fortaleza, com a apresentação da peça de teatro Jogueiros, que conta a história do bairro no olhar da juventude contemporânea. São cerca de 400 artistas de rua de diversas cidades e estados do Brasil que estão na capital, por meio do Movimento Escambo de Arte e Cultura em sua 26ª edição. O Escambo é um espaço de agregar as diversas linguagens da arte e cultura popular de rua, em uma cidade qualquer e ali simultaneamente várias atrações são apresentadas em ruas e praças e assim, a festa popular acontece com a beleza da arte e da cultura enraizada e resgatada pelo artista que faz rir, faz brincar, traz alegria, conta história e faz poesia.
O Escambo está em Fortaleza por meio de grupos culturais que formam o movimento de rodas de rua com diversas expressões artísticas culturais. São grupos que nascem em projetos de ONGs com foco no resgate da cultura popular e daí surgem os talentos artísticos e arte educadores, como é o caso do ESCUTA que em agosto 2010 completa 20 anos de Semana Cultural e que é realizada através da troca solidária, onde os artistas se encontram se conhecem e conhecem as artes uns dos outros e assim são convidados a visitarem as experiências em suas próprias comunidades, o que leva a formar laços de amizade entre instituições, técnicos e artistas fazendo com que comece uma mobilidade entre os grupos e aí, vem à necessidade de discutir as questões em comuns, razão pela qual surgiu a formação do Movimento Periferia-em-cena que descambou para o Escambo e que hoje faz acontecer durante o ano várias manifestações programadas nos bairros, denominadas de Escambito.
O Escambo acontece em Fortaleza de 15 a 18 de julho de 2010 e é a primeira vez que vem para uma Capital, sendo acolhido durante o dia em diversos bairros e a noite faz a festa acontecer no Pici, onde estão alojados na Escola Municipal de Ensino Fundamental Adroaldo Teixeira, Escola que também abriga o Maracatu Nação Pici. A escolha do Pici se deu, por ser um bairro com manifestações culturais à flor da rua, com: reisado, maracatu, quadrilha junina, folclore, percussão, pastoril, teatro, musica, capoeira, poesia e um banquete literário. É o bairro que também acolhe a Campus do Pici da UFC, que vive entre muros de olhos fechado para o seu entorno, mesmo assim, os jovens escutam sussurros e pulam pra dentro para provar do saber cientifico e fazer o escambo com o saber popular.
Pedagogo, poeta, escritor e educador popular.
Manifestações da arte e cultura popular brasileira são acolhidas pelo Espaço Cultural Frei Tito de Alencar (ESCUTA), no bairro Pici, em Fortaleza, com a apresentação da peça de teatro Jogueiros, que conta a história do bairro no olhar da juventude contemporânea. São cerca de 400 artistas de rua de diversas cidades e estados do Brasil que estão na capital, por meio do Movimento Escambo de Arte e Cultura em sua 26ª edição. O Escambo é um espaço de agregar as diversas linguagens da arte e cultura popular de rua, em uma cidade qualquer e ali simultaneamente várias atrações são apresentadas em ruas e praças e assim, a festa popular acontece com a beleza da arte e da cultura enraizada e resgatada pelo artista que faz rir, faz brincar, traz alegria, conta história e faz poesia.
O Escambo está em Fortaleza por meio de grupos culturais que formam o movimento de rodas de rua com diversas expressões artísticas culturais. São grupos que nascem em projetos de ONGs com foco no resgate da cultura popular e daí surgem os talentos artísticos e arte educadores, como é o caso do ESCUTA que em agosto 2010 completa 20 anos de Semana Cultural e que é realizada através da troca solidária, onde os artistas se encontram se conhecem e conhecem as artes uns dos outros e assim são convidados a visitarem as experiências em suas próprias comunidades, o que leva a formar laços de amizade entre instituições, técnicos e artistas fazendo com que comece uma mobilidade entre os grupos e aí, vem à necessidade de discutir as questões em comuns, razão pela qual surgiu a formação do Movimento Periferia-em-cena que descambou para o Escambo e que hoje faz acontecer durante o ano várias manifestações programadas nos bairros, denominadas de Escambito.
O Escambo acontece em Fortaleza de 15 a 18 de julho de 2010 e é a primeira vez que vem para uma Capital, sendo acolhido durante o dia em diversos bairros e a noite faz a festa acontecer no Pici, onde estão alojados na Escola Municipal de Ensino Fundamental Adroaldo Teixeira, Escola que também abriga o Maracatu Nação Pici. A escolha do Pici se deu, por ser um bairro com manifestações culturais à flor da rua, com: reisado, maracatu, quadrilha junina, folclore, percussão, pastoril, teatro, musica, capoeira, poesia e um banquete literário. É o bairro que também acolhe a Campus do Pici da UFC, que vive entre muros de olhos fechado para o seu entorno, mesmo assim, os jovens escutam sussurros e pulam pra dentro para provar do saber cientifico e fazer o escambo com o saber popular.
Celebridade e Barbárie
Há relação entre a fama tautológica e os crimes parapragmáticos?
Francisco Bosco
Publicado em 22 de junho de 2010 na Revista Cult
Conta-se que, na década de 1970, o famigerado assaltante Lúcio Flávio e seu bando invadiram uma churrascaria no Rio de Janeiro e, na hora do assalto, reconheceram um repórter que estava entre os comensais. Este, Luarlindo Ernesto, sorriu meio sem jeito para o bandido, a quem conhecia de reportagens policiais. O bandido imediatamente devolveu a ele os objetos pessoais que haviam sido levados pelos outros assaltantes. Cerca de 30 anos antes, um ladrão pulou o muro de um presídio e caiu dentro da casa de Dorival Caymmi (que era, portanto, vizinha à penitenciária); ao deparar com dona Stella, esposa de Dorival e dona da casa, o ladrão pediu a ela que o deixasse passar.
No começo de 2006, também no Rio de Janeiro, quatro homens armados invadiram a casa do cineasta Zelito Viana, no Cosme Velho, e reconheceram entre as vítimas seu filho, o ator Marcos Palmeira. Entretanto, em vez de devolverem-lhe os pertences, trataram-no com violência redobrada: deram-lhe uma coronhada no rosto e por pouco não o levaram como refém. Alguns anos antes, o craque de futebol Romário também foi assaltado no Rio e, ao ser reconhecido pelos bandidos, não obteve privilégios: foi tratado com rispidez e teve de entregar tudo. E nos últimos anos outros jogadores de futebol famosos tiveram familiares sequestrados, como ocorreu, em 2004, com a mãe de Robinho, que chegou a ficar um mês no cativeiro.
Essa mudança na relação entre os criminosos e suas vítimas famosas parece ter sido acompanhada de uma transformação da relação entre o crime e sua finalidade. De pelo menos uns 15 anos para cá, multiplicaram-se os crimes bárbaros, caracterizados por uma absurda desproporção entre os objetivos práticos e os meios empregados para atingi-los. Na verdade, o que chama atenção é justamente o fato de que nesses crimes a violência não é um meio, mas um fim em si, um excesso sem causa e consequência aparentes. Às vezes um roubo termina, sem necessidade, do ponto de vista objetivo, em terrível suplício para as vítimas. Os ladrões já efetuaram o assalto, obtiveram os bens, não foram reconhecidos – e mesmo assim torturam as vítimas e as assassinam com requintes de crueldade. Outras vezes acontece uma falha, os bandidos são, por exemplo, reconhecidos pelas vítimas, e então não apenas não se hesita em matá-las, nem se pensa na forma menos dolorosa de fazê-lo, mas se mata da maneira mais pavorosa possível, como a família queimada viva dentro do carro, na cidade de Bragança Paulista, em 2006; os três jovens de 17 anos perfurados com espetos de churrasco numa casa no litoral sul de São Paulo; e o inesquecível caso do menino João Hélio, arrastado do lado de fora de um carro roubado durante 7 quilômetros, por ter ficado preso pelo cinto de segurança. Os ladrões teriam perdido 2 segundos se permitissem que ele fosse solto. Não teria feito diferença da perspectiva da finalidade “prática” do crime. Por que, então, a crueldade?
Talvez haja uma ligação entre as duas transformações, isto é, aquela da relação entre criminosos e famosos, e essa entre o caráter pragmático do crime e a violência excessiva que ele desencadeia. Essa ligação pode dizer respeito às características da relação entre os mitos da nossa cultura midiática e a sociedade.
Famosos por tautologia
Como se sabe, nosso tempo inventou uma espécie muito particular de celebridade: os famosos por tautologia. Antigamente, um imperador tornava-se célebre por suas conquistas bélicas, expansionistas. Um chefe de Estado notabilizava-se por sua astúcia política, por sua capacidade de liderança e presença de espírito. Um poeta era amado por revelar a sensibilidade de seu tempo e oferecer novas formas de subjetivação, outras possibilidades de viver. Hoje, o traço definidor das celebridades de nossa sociedade do espetáculo é a fama vazia, que resulta de um mero processo de repetição, ad nauseam, da própria imagem. A imagem da celebridade reproduz-se tantas vezes na mídia que ela acaba se tornando célebre. Ela é célebre porque é vista repetidamente. Daí a tautologia: é famoso porque é famoso.
A diferença é que, enquanto um estadista, um filósofo ou um artista prestam contribuições à sociedade, as celebridades contemporâneas geralmente nada oferecem aos outros. Pensar saídas econômicas para a melhor administração da sociedade, intervir no espaço urbano criando edificações privadas ou espaços públicos de lazer, propor formas experimentais de vida – isso fazem economistas, arquitetos, filósofos, e essa é sua contribuição para a melhoria da vida de todos. Mas o que oferece às pessoas a maioria das celebridades midiáticas de hoje? Nada? Não, pior: oferecem seu gozo a uma testemunha masoquista, humilhada, e em nada ajudam as pessoas a desenvolver suas potências, criar um quadro de valores com alguma autonomia, tornar-se críticas, arriscar formas de vida experimentais, crescer, brilhar, emancipar-se.
Essas celebridades são sobretudo parasitárias: vivem do desejo do outro, que lhes sustenta o narcisismo. Mas aquilo que o outro neles deseja é para muitos inalcançável: uma aparência perfeita, visibilidade, riqueza – e é isso que torna essa relação masoquista, fundada numa permanente defasagem de si em relação ao outro admirado. O fato de o espetáculo criar formas supostamente democráticas de acesso à celebridade, como o programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, revela-se apenas uma estratégia de manutenção de uma perniciosa inversão de princípios. Pois não é a fama que deve ser democrática, e sim a contribuição pela qual alguém se torna famoso. Quando a celebridade é democratizada é porque ela atingiu um estado de absoluta gratuidade, o que significa que ela não pode trazer nenhum benefício à sociedade, portanto não pode ser democrática.
E enquanto os astros de telenovelas ostentam seus privilégios nas revistas de fofoca e nos programas de auditório, milhares de pessoas são cotidianamente humilhadas em nome, precisamente, do que faz com que os famosos sejam famosos. Pois, na sociedade do espetáculo, a confusão entre consumir, ser visto e existir faz com que quem não tem dinheiro e não é exposto na mídia não obtenha reconhecimento social. A exclusão hoje não é apenas econômica, mas acirrada por uma distribuição da economia narcísica tão injusta quanto a financeira (uns são vistos, outros não) e agravada ainda por um individualismo exacerbado e o esvaziamento das instituições culturais que dão coesão e fortalecem o reconhecimento mútuo.
Barbárie em cadeia
É assim que a admiração pelas celebridades está sempre a um passo de se tornar ódio mortal. “Por que eu deveria amá-lo se a sua fama só serve a ele e ainda me humilha?” Terá sido mais ou menos isso o que passou pela cabeça dos ladrões na hora em que reconheceram o ator Marcos Palmeira durante o assalto à casa de seu pai? Nesse caso, importa pouco que a celebridade em questão não seja uma pessoa arrogante, tenha um projeto ligado à produção de alimentos orgânicos etc. Marcos Palmeira não parece ser aquele tipo definido por Fernando Pessoa quando este diz que “é preciso ser muito grosseiro para se estar à vontade no sucesso”. Mas, para o humilhado, ele representa naquele momento o humilhador.
A transformação do caráter pragmático do crime em excesso de violência não é um fenômeno gratuito. Ela revela a profundidade do ódio daqueles que sofrem preconceito racial, levam porrada da polícia, não recebem escolaridade decente, em suma, não são contemplados pelo pacto social – e, portanto, por que deveriam permanecer-lhe fiéis? É a manifestação súbita da barbárie por parte de sujeitos que sofrem um processo gradual de barbárie por longos anos. E esse processo cotidiano de humilhação inclui a relação masoquista com os mitos da cultura midiática. A passagem do crime pragmático ao crime excessivo é, ela mesma, a um tempo excessiva e pragmática, irracional e finalista: por um lado é uma explosão espetacular de vingança, e por outro uma forma trágica de interromper provisoriamente o circuito social perverso em que o crime sem sangue é apenas um acidente previsto no funcionamento do processo excludente.
Francisco Bosco
Publicado em 22 de junho de 2010 na Revista Cult
Conta-se que, na década de 1970, o famigerado assaltante Lúcio Flávio e seu bando invadiram uma churrascaria no Rio de Janeiro e, na hora do assalto, reconheceram um repórter que estava entre os comensais. Este, Luarlindo Ernesto, sorriu meio sem jeito para o bandido, a quem conhecia de reportagens policiais. O bandido imediatamente devolveu a ele os objetos pessoais que haviam sido levados pelos outros assaltantes. Cerca de 30 anos antes, um ladrão pulou o muro de um presídio e caiu dentro da casa de Dorival Caymmi (que era, portanto, vizinha à penitenciária); ao deparar com dona Stella, esposa de Dorival e dona da casa, o ladrão pediu a ela que o deixasse passar.
No começo de 2006, também no Rio de Janeiro, quatro homens armados invadiram a casa do cineasta Zelito Viana, no Cosme Velho, e reconheceram entre as vítimas seu filho, o ator Marcos Palmeira. Entretanto, em vez de devolverem-lhe os pertences, trataram-no com violência redobrada: deram-lhe uma coronhada no rosto e por pouco não o levaram como refém. Alguns anos antes, o craque de futebol Romário também foi assaltado no Rio e, ao ser reconhecido pelos bandidos, não obteve privilégios: foi tratado com rispidez e teve de entregar tudo. E nos últimos anos outros jogadores de futebol famosos tiveram familiares sequestrados, como ocorreu, em 2004, com a mãe de Robinho, que chegou a ficar um mês no cativeiro.
Essa mudança na relação entre os criminosos e suas vítimas famosas parece ter sido acompanhada de uma transformação da relação entre o crime e sua finalidade. De pelo menos uns 15 anos para cá, multiplicaram-se os crimes bárbaros, caracterizados por uma absurda desproporção entre os objetivos práticos e os meios empregados para atingi-los. Na verdade, o que chama atenção é justamente o fato de que nesses crimes a violência não é um meio, mas um fim em si, um excesso sem causa e consequência aparentes. Às vezes um roubo termina, sem necessidade, do ponto de vista objetivo, em terrível suplício para as vítimas. Os ladrões já efetuaram o assalto, obtiveram os bens, não foram reconhecidos – e mesmo assim torturam as vítimas e as assassinam com requintes de crueldade. Outras vezes acontece uma falha, os bandidos são, por exemplo, reconhecidos pelas vítimas, e então não apenas não se hesita em matá-las, nem se pensa na forma menos dolorosa de fazê-lo, mas se mata da maneira mais pavorosa possível, como a família queimada viva dentro do carro, na cidade de Bragança Paulista, em 2006; os três jovens de 17 anos perfurados com espetos de churrasco numa casa no litoral sul de São Paulo; e o inesquecível caso do menino João Hélio, arrastado do lado de fora de um carro roubado durante 7 quilômetros, por ter ficado preso pelo cinto de segurança. Os ladrões teriam perdido 2 segundos se permitissem que ele fosse solto. Não teria feito diferença da perspectiva da finalidade “prática” do crime. Por que, então, a crueldade?
Talvez haja uma ligação entre as duas transformações, isto é, aquela da relação entre criminosos e famosos, e essa entre o caráter pragmático do crime e a violência excessiva que ele desencadeia. Essa ligação pode dizer respeito às características da relação entre os mitos da nossa cultura midiática e a sociedade.
Famosos por tautologia
Como se sabe, nosso tempo inventou uma espécie muito particular de celebridade: os famosos por tautologia. Antigamente, um imperador tornava-se célebre por suas conquistas bélicas, expansionistas. Um chefe de Estado notabilizava-se por sua astúcia política, por sua capacidade de liderança e presença de espírito. Um poeta era amado por revelar a sensibilidade de seu tempo e oferecer novas formas de subjetivação, outras possibilidades de viver. Hoje, o traço definidor das celebridades de nossa sociedade do espetáculo é a fama vazia, que resulta de um mero processo de repetição, ad nauseam, da própria imagem. A imagem da celebridade reproduz-se tantas vezes na mídia que ela acaba se tornando célebre. Ela é célebre porque é vista repetidamente. Daí a tautologia: é famoso porque é famoso.
A diferença é que, enquanto um estadista, um filósofo ou um artista prestam contribuições à sociedade, as celebridades contemporâneas geralmente nada oferecem aos outros. Pensar saídas econômicas para a melhor administração da sociedade, intervir no espaço urbano criando edificações privadas ou espaços públicos de lazer, propor formas experimentais de vida – isso fazem economistas, arquitetos, filósofos, e essa é sua contribuição para a melhoria da vida de todos. Mas o que oferece às pessoas a maioria das celebridades midiáticas de hoje? Nada? Não, pior: oferecem seu gozo a uma testemunha masoquista, humilhada, e em nada ajudam as pessoas a desenvolver suas potências, criar um quadro de valores com alguma autonomia, tornar-se críticas, arriscar formas de vida experimentais, crescer, brilhar, emancipar-se.
Essas celebridades são sobretudo parasitárias: vivem do desejo do outro, que lhes sustenta o narcisismo. Mas aquilo que o outro neles deseja é para muitos inalcançável: uma aparência perfeita, visibilidade, riqueza – e é isso que torna essa relação masoquista, fundada numa permanente defasagem de si em relação ao outro admirado. O fato de o espetáculo criar formas supostamente democráticas de acesso à celebridade, como o programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, revela-se apenas uma estratégia de manutenção de uma perniciosa inversão de princípios. Pois não é a fama que deve ser democrática, e sim a contribuição pela qual alguém se torna famoso. Quando a celebridade é democratizada é porque ela atingiu um estado de absoluta gratuidade, o que significa que ela não pode trazer nenhum benefício à sociedade, portanto não pode ser democrática.
E enquanto os astros de telenovelas ostentam seus privilégios nas revistas de fofoca e nos programas de auditório, milhares de pessoas são cotidianamente humilhadas em nome, precisamente, do que faz com que os famosos sejam famosos. Pois, na sociedade do espetáculo, a confusão entre consumir, ser visto e existir faz com que quem não tem dinheiro e não é exposto na mídia não obtenha reconhecimento social. A exclusão hoje não é apenas econômica, mas acirrada por uma distribuição da economia narcísica tão injusta quanto a financeira (uns são vistos, outros não) e agravada ainda por um individualismo exacerbado e o esvaziamento das instituições culturais que dão coesão e fortalecem o reconhecimento mútuo.
Barbárie em cadeia
É assim que a admiração pelas celebridades está sempre a um passo de se tornar ódio mortal. “Por que eu deveria amá-lo se a sua fama só serve a ele e ainda me humilha?” Terá sido mais ou menos isso o que passou pela cabeça dos ladrões na hora em que reconheceram o ator Marcos Palmeira durante o assalto à casa de seu pai? Nesse caso, importa pouco que a celebridade em questão não seja uma pessoa arrogante, tenha um projeto ligado à produção de alimentos orgânicos etc. Marcos Palmeira não parece ser aquele tipo definido por Fernando Pessoa quando este diz que “é preciso ser muito grosseiro para se estar à vontade no sucesso”. Mas, para o humilhado, ele representa naquele momento o humilhador.
A transformação do caráter pragmático do crime em excesso de violência não é um fenômeno gratuito. Ela revela a profundidade do ódio daqueles que sofrem preconceito racial, levam porrada da polícia, não recebem escolaridade decente, em suma, não são contemplados pelo pacto social – e, portanto, por que deveriam permanecer-lhe fiéis? É a manifestação súbita da barbárie por parte de sujeitos que sofrem um processo gradual de barbárie por longos anos. E esse processo cotidiano de humilhação inclui a relação masoquista com os mitos da cultura midiática. A passagem do crime pragmático ao crime excessivo é, ela mesma, a um tempo excessiva e pragmática, irracional e finalista: por um lado é uma explosão espetacular de vingança, e por outro uma forma trágica de interromper provisoriamente o circuito social perverso em que o crime sem sangue é apenas um acidente previsto no funcionamento do processo excludente.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Seminário de Justiça Ambiental e Saúde
Fortaleza vai sediar, dia 09 julho, o I Seminário de Justiça Ambiental e Saúde do Ceará. O encontro é uma realização da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares, Associação Cearense do Ministério Público, Associação Cearense dos Magistrados, Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará e Confederação do Equador.
O Seminário reunirá várias entidades da sociedade e profissionais do Sistema de Justiça para debater o que hoje se configura como uma das principais expressões da desigualdade social: a distribuição desigual dos riscos ambientais impostos pela lógica de um desenvolvimento predatório. São as populações mais pobres que hoje estão mais suscetíveis aos riscos decorrentes da falta de saneamento básico, de moradias em áreas de riscos, da poluição das pulverizações de agrotóxicos, da vizinhança com os lixões, entre outros riscos.
Na pauta de discussão do encontro, a apresentação do Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, as características e peculiaridades dessa realidade no Ceará e o papel das instituições do Sistema Judiciário na concretização da Justiça Ambiental. Representando o Ministério Público, a Procuradora de Justiça Sheila Pitombeira discorre sobre o papel da Promotoria do Meio Ambiente e Planejamento Urbano na efetivação do Direito à Justiça Ambiental.
O encontro será no Auditório da Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (ESMEC), a partir das 09 horas.
O Seminário reunirá várias entidades da sociedade e profissionais do Sistema de Justiça para debater o que hoje se configura como uma das principais expressões da desigualdade social: a distribuição desigual dos riscos ambientais impostos pela lógica de um desenvolvimento predatório. São as populações mais pobres que hoje estão mais suscetíveis aos riscos decorrentes da falta de saneamento básico, de moradias em áreas de riscos, da poluição das pulverizações de agrotóxicos, da vizinhança com os lixões, entre outros riscos.
Na pauta de discussão do encontro, a apresentação do Mapa da Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, as características e peculiaridades dessa realidade no Ceará e o papel das instituições do Sistema Judiciário na concretização da Justiça Ambiental. Representando o Ministério Público, a Procuradora de Justiça Sheila Pitombeira discorre sobre o papel da Promotoria do Meio Ambiente e Planejamento Urbano na efetivação do Direito à Justiça Ambiental.
O encontro será no Auditório da Escola Superior da Magistratura do Estado do Ceará (ESMEC), a partir das 09 horas.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Carta de Manoel da Conceição a Lula
IMPERATRIZ-MA, 03 DE JUNHO DE 2010
2ª Carta de Manoel da Conceição ao Companheiro Presidente Lula
C/C para:
Sr. José Eduardo Dutra, Presidente Nacional do PT
Sra. Dilma Roulsseff. Pré Candidata do PT à Presidência da República
Executiva Nacional do PT
Diretório Nacional do PT
Nobre companheiro presidente Lula,
É com a ternura, o carinho e o amor de um irmão, a confiança, o respeito e o compromisso de um companheiro de classe, das organizações e lutas históricas dos trabalhadores e das trabalhadoras desse país e do mundo que me sinto com a liberdade e o direito de lhe enviar esta 2ª carta, tratando de questões que compreendo ter muito a ver com a responsabilidade do companheiro tanto como agente político das lutas em prol da justiça social para a classe trabalhadora como também na qualidade de um primeiro presidente da república legitimamente forjado nas organizações e lutas desse povo excluído, sofrido, mas que é capaz de realizar o impossível enquanto força social e política organizada e consciente do seu projeto de libertação classista.
Dirijo-me ao companheiro com a minha identidade de trabalhador rural, de sindicalista, de ambientalista, de humanista e de militante e fundador do Partido dos Trabalhadores, o qual comecei a sonhar e trabalhar na sua criação quando ainda me encontrava no exílio, juntamente com honrados e honradas companheiros e companheiras que havíamos sido banidos do nosso país pela intolerância de um governo totalitário e de regime militar.
Porém, minha identidade social, política e classista se origina bem antes da criação do PT e da CUT, instrumentos classistas dos quais me orgulho de ter sido co-fundador, juntamente com o companheiro e um conjunto de honrado(a)s e legítimo(a)s militantes e intelectuais orgânicos da classe trabalhadora.
Na realidade companheiro Lula minha história de luta social e política se originou aqui mesmo no Maranhão, estado do qual sou filho natural com minha matriz étnica negra e indígena.
Agora em julho de 2010 completarei 75 anos de idade. Quando eu era ainda jovem vi meu pai e muitas famílias agricultoras serem massacradas e enxotadas de suas posses por latifundiários, coronéis e jagunços, acobertados e protegidos por um governo oligárquico. Certa vez presenciei um grande massacre de companheiros meus quando estávamos reunidos em uma pequena comunidade rural do interior do Maranhão. Neste dia fomos atacados de forma covarde por um grupo de soldados e jagunços, que sem a menor chance de defesa assassinaram 5 pessoas, dentre elas uma criança que correu prá abraçar o pai caído no chão e foi pego pelas pernas e arremessado contra a parede que a cabeça abriu espalhando os seus miolos, também uma velhinha, que tentou impedir a morte do filho foi cravada de punhal em suas costas, ficando rodando no chão espetada. Eu escapei por puro milagre com um tiro na perna, mas me tornei mais revoltado ainda com a classe latifundiária e
jurei perante a comunidade a lutar o resto de minha vida contra os latifundiários e suas injustiças.
Presenciei um segundo massacre em 1959 quando estávamos novamente reunidos em uma comunidade por nome Pirapemas para preparar a defesa de uns companheiros que estavam sendo acusados de ter invadido uma propriedade e roubado umas frutas do sítio. Neste dia chegou um grupo de uns 20 policiais, soldados, tenente, cabos e um sargento. Ao chegarem ao local da reunião o sargento perguntou quem era o presidente da associação, e como foi respondido que não havia presidente o sargento falou: pois então todos são presidentes e vão levar bala. Neste dia foram assassinados sete companheiros e três outros ficaram gravemente feridos.
Minha primeira motivação para a luta era sustentada em pura revolta, ódio dos exploradores da minha família e das famílias camponesas da mesma região que habitávamos. Sem a menor consciência política e dominado pelo ódio eu cheguei a acreditar que a libertação dos trabalhadores de tal estado de sujeição dependeria de um salvador da pátria, de um homem corajoso, de um herói que com o apoio eleitoral dos oprimidos iria por fim a tal dominação. A partir desse entendimento extremamente limitado e de um profundo sentimento de revolta pela violência testemunhada e sofrida, vi surgir na minha ingenuidade uma esperança para salvar a massa camponesa do jugo dos latifundiários apadrinhados pelo poder da oligarquia viturinista que comandava o estado do Maranhão. O nome dessa esperança era José Sarney.
Com um discurso muito bem elaborado e com a radicalidade de um revolucionário Sarney prometia exatamente o que nós camponeses queríamos ouvir: um Maranhão novo e livre de oligarquia, reforma agrária, punição dos crimes cometidos contra as famílias camponesas e indenização dos prejuízos a elas causados pelo gado dos fazendeiros. Eu acreditei no discurso do cidadão e me tornei um aguerrido cabo eleitoral, andando a cavalo em todas as comunidades da região fazendo sua campanha. Resultado, com uma grande adesão popular, elegemos o José Sarney em 1965 para ser o governador do Maranhão. Nessa época eu já era presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pindaré Mirim, que congregava trabalhadores rurais de toda a grande região do Pindaré. Mesmo sem ainda ter uma sólida consciência de classe eu já havia sido preso e espancado severamente pela polícia da ditadura militar. Foi por conta dessa perseguição que eu
passei a acreditar nas promessas do Sarney que caso fosse eleito iria ser uma força aliada dos trabalhadores contra a repressão da ditadura militar.
No dia 13 de julho de 1968 o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Pindaré Mirim havia convocado uma reunião da categoria para receber a visita de um médico para tratar questões relacionadas à saúde dos associados e associadas. O Prefeito do município na época mandou informar que iria fazer uma visita ao sindicato neste mesmo dia. Por volta das 10 horas da manhã chegou um pessoal dizendo que queria falar com o presidente do sindicato. Quando eu apontei na porta fui recebido por tiro de fuzil que estraçalhou minha perna. A ação e os disparos foram efetuados pela polícia militar. Outros companheiros também foram atingidos por bala, mas felizmente não houve morte. Eu fui levado aprisionado e jogado na cadeia sem receber nenhum tratamento no ferimento, o que levou minha perna a gangrenar e ter que ser amputada. Sarney se encontrava em viagem para o Japão e quando retornou manifestou desconhecimento da questão e mandou seus assessores manter
contato comigo, oferecendo apoio para a minha família, uma perna mecânica, uma casa e outras ofertas, desde que eu me tornasse um defensor do seu governo. Eu respondi que não estava preso por ser bandido, que minha perna tinha sido arrancada por bala da própria polícia militar do estado sob seu governo. Portanto, minha perna era responsabilidade da classe que eu representava, minha perna era a minha classe. Desde então eu passei a ser considerado um inimigo do Estado militar, passando a ser alvo de permanente perseguição. Fui preso 9 vezes e submetido às piores torturas que um ser humano é capaz de suportar. Vi muitos de meus companheiros e companheiras serem torturados e morto(a)s por ordem do governo militar do qual Sarney se tornou parte num primeiro momento como governador do Maranhão e posteriormente como Senador Biônico. Vale ressaltar que foi no primeiro governo da nascente oligarquia Sarney, que foi promulgada a Lei Estadual 2.979,
regulamentada pelo Decreto 4.028 de 28 de novembro de 1969, a qual facultava a venda de terras devolutas sem licitação a grupos organizados em sociedade anônima. Essa lei foi o maior instrumento de legalização da grilagem das terras do Maranhão, particularmente na região do Pindaré (ASSELIN, 1982, p. 129). Essa grilagem promoveu a expulsão das famílias agricultoras de suas posses e a migração de milhares de famílias camponesas maranhenses para outros estados.
Eu escapei com vida, embora mutilado e com seqüelas físicas e psicológicas profundas, por conta da solidariedade da anistia internacional, das igrejas católicas e evangélicas, da AP como principal mobilizadora dos apoios e até do Partido Comunista do Brasil que na ocasião fez uma ampla campanha internacional pela preservação da minha vida.
Finalmente, fui exilado na Suiça de onde continuei denunciando as atrocidades da ditadura militar nas oportunidades que tive de viajar por vários países europeus. Foi também no exílio juntamente com companheiros refugiados que começamos a discutir a idéia já em discussão no Brasil de criação do Partido dos Trabalhadores e também de uma central sindical.
Meu companheiro Lula, hoje vivemos um novo momento na história do Brasil; aquelas lutas dos anos 50, 60, 70, 80 e 90 não foram em vão; tivemos prejuízos enormes, pois muitas vidas foram ceifadas pela virulência dos detentores do poder do capital; porém, temos um saldo expressivo de vitórias; hoje temos um partido que se tornou a maior expressão política da classe trabalhadora na América Latina; temos o melhor presidente da história desse gigantesco país, que ironicamente é um trabalhador operário e nordestino, que assim como eu quase não teve acesso a estudos escolares. Eu confesso a você que sinto um imenso orgulho de ter participado desde os primeiros momentos da construção dessa grandiosa e ousada empreitada. Porém, companheiro presidente, ultimamente eu tenho vivido as maiores angustias que um homem com minha trajetória de vida é capaz de imaginar e suportar. Receber a imposição de uma tese defendida pela Direção Nacional do meu partido e até onde me foi informado pelo próprio companheiro presidente de que o nosso projeto político e social passa agora pelo fortalecimento da hegemonia da oligarquia sarneysta no Maranhão. Eu sei do malabarismo que o companheiro presidente tem precisado fazer para garantir alguma condição de governabilidade, porém, sei do alto custo que é cobrado por esses apoios conjunturais, e que nosso governo vem pagando a todos esses ônus.
Companheiro, tudo precisa ter algum limite e tal limite é a nossa dignidade. O que está sendo imposto a nós petistas do Maranhão extrapola todos os limites da tolerância e fere de morte a nossa honra e a nossa história. Eu pessoalmente, há mais de 50 anos venho travando uma luta contra os poderes oligárquicos e contra os exploradores da classe trabalhadora neste país. Por conta disso perdi dezenas de companheiros e companheiras que foram barbaramente trucidados por essas forças reacionárias. Como que agora meus próprios companheiros de partido querem me obrigar a fazer a defesa dessas figuras que me torturaram e mataram meus mais fiéis companheiros e companheiras. Vocês podem ter certeza que essa é a pior de todas as torturas que se pode impor a um homem. Uma tortura que parte dos próprios companheiros que ajudamos a fortalecer e projetar como nossos representantes no partido e na esfera de poder do Estado, na perspectiva de um projeto estratégico da classe trabalhadora. Estou falando do fundo de minha alma em honra à minha história e à de meus companheiros e companheiras que foram assassinadas pelas forças oligárquicas e de extrema direita neste país.
Estou animado para fazer a campanha da companheira Dilma, assim como para fazer uma aguerrida campanha política em prol do fortalecimento do PT no Maranhão e para construir um projeto político alternativo à oligarquia sarneysta, juntamente com os partido do campo democrático e popular na Coligação PT, PCdoB e PSB. Esta foi a tática vitoriosa em nosso encontro estadual realizado nos dias 26 e 27 de março, que aprovou por maioria de votos, da forma mais transparente possível e cumprindo todos os preceitos legais o nome do companheiro Flávio Dino para candidato dessa aliança legitimamente de esquerda e respaldada pelas mais expressivas organizações da classe trabalhadora deste estado que publicamente se manifestaram, a exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAEMA) e a CUT. Assim, penso que estamos sendo coerentes com a nossa história e identidade classista. Portanto, estou fazendo este apelo ao mais ilustre companheiro de partido e confessando em alto e bom som que não aceitarei sob nenhuma hipótese a tese de que nestas alturas de minha vida eu tenha que negar minha identidade e desonrar a memória de meus companheiros e companheiras que foram caçados e exterminados pela oligarquia e os detentores do capital no Maranhão, no Brasil e mundo inteiro.
Lamento e peço desculpas se este meu posicionamento desagrada o companheiro e a Direção Nacional do PT, mas não posso me omitir diante de uma tese destruidora de nossa identidade coletiva e que representa a negação de tudo que temos afirmado nas nossas palavras e ações. Espero poder contar com a solidariedade e compreensão do meu histórico companheiro de utopias e lutas.
Atenciosamente,
Manoel Conceição Santos, Membro Fundador do PT e primeiro Secretário Agrário Nacional
--
Joisiane Gamba
"A consciência cidadã não está presa ao posicionamento das instituições"
(Paulo Carbonari)
2ª Carta de Manoel da Conceição ao Companheiro Presidente Lula
C/C para:
Sr. José Eduardo Dutra, Presidente Nacional do PT
Sra. Dilma Roulsseff. Pré Candidata do PT à Presidência da República
Executiva Nacional do PT
Diretório Nacional do PT
Nobre companheiro presidente Lula,
É com a ternura, o carinho e o amor de um irmão, a confiança, o respeito e o compromisso de um companheiro de classe, das organizações e lutas históricas dos trabalhadores e das trabalhadoras desse país e do mundo que me sinto com a liberdade e o direito de lhe enviar esta 2ª carta, tratando de questões que compreendo ter muito a ver com a responsabilidade do companheiro tanto como agente político das lutas em prol da justiça social para a classe trabalhadora como também na qualidade de um primeiro presidente da república legitimamente forjado nas organizações e lutas desse povo excluído, sofrido, mas que é capaz de realizar o impossível enquanto força social e política organizada e consciente do seu projeto de libertação classista.
Dirijo-me ao companheiro com a minha identidade de trabalhador rural, de sindicalista, de ambientalista, de humanista e de militante e fundador do Partido dos Trabalhadores, o qual comecei a sonhar e trabalhar na sua criação quando ainda me encontrava no exílio, juntamente com honrados e honradas companheiros e companheiras que havíamos sido banidos do nosso país pela intolerância de um governo totalitário e de regime militar.
Porém, minha identidade social, política e classista se origina bem antes da criação do PT e da CUT, instrumentos classistas dos quais me orgulho de ter sido co-fundador, juntamente com o companheiro e um conjunto de honrado(a)s e legítimo(a)s militantes e intelectuais orgânicos da classe trabalhadora.
Na realidade companheiro Lula minha história de luta social e política se originou aqui mesmo no Maranhão, estado do qual sou filho natural com minha matriz étnica negra e indígena.
Agora em julho de 2010 completarei 75 anos de idade. Quando eu era ainda jovem vi meu pai e muitas famílias agricultoras serem massacradas e enxotadas de suas posses por latifundiários, coronéis e jagunços, acobertados e protegidos por um governo oligárquico. Certa vez presenciei um grande massacre de companheiros meus quando estávamos reunidos em uma pequena comunidade rural do interior do Maranhão. Neste dia fomos atacados de forma covarde por um grupo de soldados e jagunços, que sem a menor chance de defesa assassinaram 5 pessoas, dentre elas uma criança que correu prá abraçar o pai caído no chão e foi pego pelas pernas e arremessado contra a parede que a cabeça abriu espalhando os seus miolos, também uma velhinha, que tentou impedir a morte do filho foi cravada de punhal em suas costas, ficando rodando no chão espetada. Eu escapei por puro milagre com um tiro na perna, mas me tornei mais revoltado ainda com a classe latifundiária e
jurei perante a comunidade a lutar o resto de minha vida contra os latifundiários e suas injustiças.
Presenciei um segundo massacre em 1959 quando estávamos novamente reunidos em uma comunidade por nome Pirapemas para preparar a defesa de uns companheiros que estavam sendo acusados de ter invadido uma propriedade e roubado umas frutas do sítio. Neste dia chegou um grupo de uns 20 policiais, soldados, tenente, cabos e um sargento. Ao chegarem ao local da reunião o sargento perguntou quem era o presidente da associação, e como foi respondido que não havia presidente o sargento falou: pois então todos são presidentes e vão levar bala. Neste dia foram assassinados sete companheiros e três outros ficaram gravemente feridos.
Minha primeira motivação para a luta era sustentada em pura revolta, ódio dos exploradores da minha família e das famílias camponesas da mesma região que habitávamos. Sem a menor consciência política e dominado pelo ódio eu cheguei a acreditar que a libertação dos trabalhadores de tal estado de sujeição dependeria de um salvador da pátria, de um homem corajoso, de um herói que com o apoio eleitoral dos oprimidos iria por fim a tal dominação. A partir desse entendimento extremamente limitado e de um profundo sentimento de revolta pela violência testemunhada e sofrida, vi surgir na minha ingenuidade uma esperança para salvar a massa camponesa do jugo dos latifundiários apadrinhados pelo poder da oligarquia viturinista que comandava o estado do Maranhão. O nome dessa esperança era José Sarney.
Com um discurso muito bem elaborado e com a radicalidade de um revolucionário Sarney prometia exatamente o que nós camponeses queríamos ouvir: um Maranhão novo e livre de oligarquia, reforma agrária, punição dos crimes cometidos contra as famílias camponesas e indenização dos prejuízos a elas causados pelo gado dos fazendeiros. Eu acreditei no discurso do cidadão e me tornei um aguerrido cabo eleitoral, andando a cavalo em todas as comunidades da região fazendo sua campanha. Resultado, com uma grande adesão popular, elegemos o José Sarney em 1965 para ser o governador do Maranhão. Nessa época eu já era presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Pindaré Mirim, que congregava trabalhadores rurais de toda a grande região do Pindaré. Mesmo sem ainda ter uma sólida consciência de classe eu já havia sido preso e espancado severamente pela polícia da ditadura militar. Foi por conta dessa perseguição que eu
passei a acreditar nas promessas do Sarney que caso fosse eleito iria ser uma força aliada dos trabalhadores contra a repressão da ditadura militar.
No dia 13 de julho de 1968 o Sindicato de Trabalhadores Rurais de Pindaré Mirim havia convocado uma reunião da categoria para receber a visita de um médico para tratar questões relacionadas à saúde dos associados e associadas. O Prefeito do município na época mandou informar que iria fazer uma visita ao sindicato neste mesmo dia. Por volta das 10 horas da manhã chegou um pessoal dizendo que queria falar com o presidente do sindicato. Quando eu apontei na porta fui recebido por tiro de fuzil que estraçalhou minha perna. A ação e os disparos foram efetuados pela polícia militar. Outros companheiros também foram atingidos por bala, mas felizmente não houve morte. Eu fui levado aprisionado e jogado na cadeia sem receber nenhum tratamento no ferimento, o que levou minha perna a gangrenar e ter que ser amputada. Sarney se encontrava em viagem para o Japão e quando retornou manifestou desconhecimento da questão e mandou seus assessores manter
contato comigo, oferecendo apoio para a minha família, uma perna mecânica, uma casa e outras ofertas, desde que eu me tornasse um defensor do seu governo. Eu respondi que não estava preso por ser bandido, que minha perna tinha sido arrancada por bala da própria polícia militar do estado sob seu governo. Portanto, minha perna era responsabilidade da classe que eu representava, minha perna era a minha classe. Desde então eu passei a ser considerado um inimigo do Estado militar, passando a ser alvo de permanente perseguição. Fui preso 9 vezes e submetido às piores torturas que um ser humano é capaz de suportar. Vi muitos de meus companheiros e companheiras serem torturados e morto(a)s por ordem do governo militar do qual Sarney se tornou parte num primeiro momento como governador do Maranhão e posteriormente como Senador Biônico. Vale ressaltar que foi no primeiro governo da nascente oligarquia Sarney, que foi promulgada a Lei Estadual 2.979,
regulamentada pelo Decreto 4.028 de 28 de novembro de 1969, a qual facultava a venda de terras devolutas sem licitação a grupos organizados em sociedade anônima. Essa lei foi o maior instrumento de legalização da grilagem das terras do Maranhão, particularmente na região do Pindaré (ASSELIN, 1982, p. 129). Essa grilagem promoveu a expulsão das famílias agricultoras de suas posses e a migração de milhares de famílias camponesas maranhenses para outros estados.
Eu escapei com vida, embora mutilado e com seqüelas físicas e psicológicas profundas, por conta da solidariedade da anistia internacional, das igrejas católicas e evangélicas, da AP como principal mobilizadora dos apoios e até do Partido Comunista do Brasil que na ocasião fez uma ampla campanha internacional pela preservação da minha vida.
Finalmente, fui exilado na Suiça de onde continuei denunciando as atrocidades da ditadura militar nas oportunidades que tive de viajar por vários países europeus. Foi também no exílio juntamente com companheiros refugiados que começamos a discutir a idéia já em discussão no Brasil de criação do Partido dos Trabalhadores e também de uma central sindical.
Meu companheiro Lula, hoje vivemos um novo momento na história do Brasil; aquelas lutas dos anos 50, 60, 70, 80 e 90 não foram em vão; tivemos prejuízos enormes, pois muitas vidas foram ceifadas pela virulência dos detentores do poder do capital; porém, temos um saldo expressivo de vitórias; hoje temos um partido que se tornou a maior expressão política da classe trabalhadora na América Latina; temos o melhor presidente da história desse gigantesco país, que ironicamente é um trabalhador operário e nordestino, que assim como eu quase não teve acesso a estudos escolares. Eu confesso a você que sinto um imenso orgulho de ter participado desde os primeiros momentos da construção dessa grandiosa e ousada empreitada. Porém, companheiro presidente, ultimamente eu tenho vivido as maiores angustias que um homem com minha trajetória de vida é capaz de imaginar e suportar. Receber a imposição de uma tese defendida pela Direção Nacional do meu partido e até onde me foi informado pelo próprio companheiro presidente de que o nosso projeto político e social passa agora pelo fortalecimento da hegemonia da oligarquia sarneysta no Maranhão. Eu sei do malabarismo que o companheiro presidente tem precisado fazer para garantir alguma condição de governabilidade, porém, sei do alto custo que é cobrado por esses apoios conjunturais, e que nosso governo vem pagando a todos esses ônus.
Companheiro, tudo precisa ter algum limite e tal limite é a nossa dignidade. O que está sendo imposto a nós petistas do Maranhão extrapola todos os limites da tolerância e fere de morte a nossa honra e a nossa história. Eu pessoalmente, há mais de 50 anos venho travando uma luta contra os poderes oligárquicos e contra os exploradores da classe trabalhadora neste país. Por conta disso perdi dezenas de companheiros e companheiras que foram barbaramente trucidados por essas forças reacionárias. Como que agora meus próprios companheiros de partido querem me obrigar a fazer a defesa dessas figuras que me torturaram e mataram meus mais fiéis companheiros e companheiras. Vocês podem ter certeza que essa é a pior de todas as torturas que se pode impor a um homem. Uma tortura que parte dos próprios companheiros que ajudamos a fortalecer e projetar como nossos representantes no partido e na esfera de poder do Estado, na perspectiva de um projeto estratégico da classe trabalhadora. Estou falando do fundo de minha alma em honra à minha história e à de meus companheiros e companheiras que foram assassinadas pelas forças oligárquicas e de extrema direita neste país.
Estou animado para fazer a campanha da companheira Dilma, assim como para fazer uma aguerrida campanha política em prol do fortalecimento do PT no Maranhão e para construir um projeto político alternativo à oligarquia sarneysta, juntamente com os partido do campo democrático e popular na Coligação PT, PCdoB e PSB. Esta foi a tática vitoriosa em nosso encontro estadual realizado nos dias 26 e 27 de março, que aprovou por maioria de votos, da forma mais transparente possível e cumprindo todos os preceitos legais o nome do companheiro Flávio Dino para candidato dessa aliança legitimamente de esquerda e respaldada pelas mais expressivas organizações da classe trabalhadora deste estado que publicamente se manifestaram, a exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAEMA) e a CUT. Assim, penso que estamos sendo coerentes com a nossa história e identidade classista. Portanto, estou fazendo este apelo ao mais ilustre companheiro de partido e confessando em alto e bom som que não aceitarei sob nenhuma hipótese a tese de que nestas alturas de minha vida eu tenha que negar minha identidade e desonrar a memória de meus companheiros e companheiras que foram caçados e exterminados pela oligarquia e os detentores do capital no Maranhão, no Brasil e mundo inteiro.
Lamento e peço desculpas se este meu posicionamento desagrada o companheiro e a Direção Nacional do PT, mas não posso me omitir diante de uma tese destruidora de nossa identidade coletiva e que representa a negação de tudo que temos afirmado nas nossas palavras e ações. Espero poder contar com a solidariedade e compreensão do meu histórico companheiro de utopias e lutas.
Atenciosamente,
Manoel Conceição Santos, Membro Fundador do PT e primeiro Secretário Agrário Nacional
--
Joisiane Gamba
"A consciência cidadã não está presa ao posicionamento das instituições"
(Paulo Carbonari)
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo

Prezado amigo Ademir,
Ficarei muito feliz se você (e sua ecofamília) puderem comparecer ao lançamento de nosso livro, que, talvez até lhe interesse do ponto de vista acadêmico (vez que temos artigos sobre a luta socioambiental aqui no Ceará).
Se puder, divulgue em seu ecoblog e listas.
Abração,
João Alfredo
Lançamento do livro “Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo”,
de João Alfredo Telles Melo.
O Livro convida à reflexão sobre o Direito, as lutas sociais e o desafio da superação da crise ambiental.
Nas proximidades do Dia Internacional do Meio Ambiente, será lançado, na quarta-feira, 2 de junho, o livro “Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo: Artigos acadêmicos e escritos militantes”, de autoria do advogado, vereador e ambientalista João Alfredo Telles Melo. Na obra, o desafio contemporâneo da superação da crise ambiental é discutido, após serem revisitadas as lutas socioambientais que marcaram as últimas décadas, bem como os debates da área do Direito em relação à questão ambiental. O lançamento ocorrerá em meio ao verde de um dos locais mais belos da cidade, o nos jardins do Passeio Público, às 19h. Na ocasião, a obra será apresentada pelos professores Raquel Rigotto e José de Albuquerque Rocha. A noite será encerrada com a apresentação do cantor e compositor Parahyba, e das cantoras Helô Salles e Gigi Castro.
O trabalho, organizado pela jornalista Helena Martins, é enriquecido pela ilustração do artista plástico Hélio Rôla, pelas apresentações de Michael Löwy, Paulo Affonso Leme Machado e Valdemar Menezes e as contribuição de Sérgio Leitão e do diretor do Presidente do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, Guilherme José Purvin de Figueiredo. A edição é da Fundação Demócrito Rocha, e conta com o apoio do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e do curso de Direito da Faculdade 7 de Setembro.
Serviço:
Lançamento do livro "Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo"
Data: 02 de junho
Horário: 19h
Local: Passeio Público (Rua Dr. João Moreira, s/n. Centro, Fortaleza)
Mais informações:
Helena Martins - (85) 8793.4091 | (85) 9693.8424
sábado, 22 de maio de 2010
Chapa Transformação Coletiva entra na Disputa pela Diretoria do Sindicato dos Jornalistas
A chapa Transformação Coletiva está registrada para concorrer à diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará. Mozarly Almeida é a presidente do grupo e, nesta entrevista, fala de sua vida e das propostas do grupo.
Perfil da Mozarly, publicado no site liberdade digital
http://liberdadedigital.com.br/2010/04/13/eleicoes-2010-perfil-dos-pre-candidatos-ao-sindjorce/
*Mozarly Almeida*
**
*TRAJETÓRIA PROFISSIONAL* – Ingressou no Jornal Diário do Nordeste, em outubro de 1981, logo após sair da faculdade, onde permanece até hoje, como redatora da editoria de Cidade. Teve passagens, como repórter, em editorias como Caderno 3, Regional e Política; foi repórter especial, subeditora e editora interina de reportagens especiais em diversas ocasiões; foi ainda subeditora de Cidade.
Mozarly Almeida também tem uma vasta experiência em assessoria de comunicação. Fez parte da Assessoria de Imprensa da então Prefeita Maria Luiza Fontenele. Assessorou órgãos do Município, como o Instituto de Previdência do Município (IPM), e do Estado, como a antiga Autarquia da Região Metropolitana de Fortaleza(Aumef) e a Superintendência do Desenvolvimento Urbano do Estado do Ceará (Sedurb).
Também integrou a Assessoria da Federação da Indústria do Estado do Ceará (Fiec). Trabalhou como assessora parlamentar de deputados de esquerda. Prestou serviço como assessora de comunicação ao Sindicato dos Eletricitários (Sindeletro). Durante longo período, foi funcionária do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel) e do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento do Estado do Ceará (Sindiagua).
*PRÊMIOS* - É detentora de diversos prêmios de reportagens, sobretudo na área da infância e de denúncias sociais. Premiações:
2008 – Prêmio Imprensa CRO Saúde Bucal (2º lugar) com a série de reportagens “Práticas Integrativas e Alternativas na Odontologia”. Promovido pelo Conselho Regional de Odontologia do Ceará.
2006 – Prêmio ACI de Jornalismo para reportagens “Aprendizagem Infantil”. Promovido pela Associação Cearense de Imprensa (ACI);
2006 – Finalista no Prêmio IGE de Jornalismo (nacional) com a série de reportagens “Educação Infantil”.
2006 – Finalista no Prêmio Esso de Jornalismo com a série de reportagens “CPI do Extermínio”, em equipe;
2004 – Prêmio Nacional BNB de Jornalismo na categoria Mídia Impressa, feito em equipe, com as reportagens “Agricultura Familiar”.
2003 – Troféu José Raymundo Costa em reconhecimento à produção jornalística e concedido pela Câmara Municipal de Fortaleza;
2003 – Finalista no V Prêmio Imprensa Embratel com a série “Violência”.
2003 – Prêmio de Jornalismo Anote para a reportagem “Órfãos do Cárcere” (2º lugar).
2003 – Prêmio de Jornalismo Anote para a reportagem “Violência” (3º lugar). Promoção: Agência de Notícias Esperança (Anote).
1999 – Prêmio Anote de Jornalismo para a série de reportagens Trabalho em Crise.
1998 – Comenda de Honra ao Mérito pela série de reportagens “Delegacias: a Lei do Descaso”, concedida pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol).
1993 – Prêmio para reportagem sobre o “Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)” concedido pela Secretaria de Imprensa e Relações Públicas d a Prefeitura de Fortaleza.
1992 – Prêmio Chapéu de Palha para a série de reportagens “ Degradação Ambiental – Desertificação, um obstáculo a mais na vida do sertanejo”, concedido pela Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas/Desenvolvimento Sustentável.
1990 – Prêmio ACI para série de reportagens “Maus-tratos na Infância”.
Livros: A jornalista tem participação em três livros. Dois deles enfocam o comportamento da imprensa na abordagem da Aids; o último, é um livro publicado na Itália sobre Leonardo Boff. A entrevista feita por Mozarly Almeida com Boff abre a publicação italiana sobre a vida desse expoente no Brasil da Teologia da Libertação, punido pelo Vaticano.
Congressos: Participou de diversos encontros estaduais e congressos nacionais de jornalistas, bem como de encontros de assessores de imprensa locais e nacionais. Tem vasta participação, ainda, em cursos, seminários e simpósios da classe.
*ENVOLVIMENTO COM A CATEGORIA* – A candidata pela chapa de oposição participa das lutas da categoria desde formada, em 1981. Estando ou não na diretoria da entidade (já compôs três gestões), sempre se posiciona em seu local de trabalho na defesa dos interesses dos trabalhadores. Participou, ativamente, das duas greves realizadas pelos jornalistas do Estado: a primeira em 1985, de cinco dias, e a segundo em 1988, de 15 dias.
No ano passado, contudo, posicionou-se contrária à proposta de greve apresentada por membros da atual gestão do Sindicato, por considerar a ideia prematura diante do quadro de inteira desmobilização da categoria. Com firmeza, expôs, em assembleia geral, seu temor de que, em caso de decretação de uma greve diante da falta de mobilização para tanto, categoria e entidades saíssem desmoralizados e enfraquecidos daquele processo. Sua tese, infelizmente, foi comprovada poucos dias depois.
O currículo de Mozarly Almeida inclui o cargo de secretária-geral e presidente interina do Sindjorce durante cerca de seis meses.
Também já integrou três mesas de negociação entre sindicato laboral e sindicato patronal, como representante da categoria, durante campanha salariais dos jornalistas.
No Sindjorce, integrou, ainda, a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão Estadual de Assessores de Imprensa.
Cotada para disputar a presidência, há quase seis anos, optou por se coligar com o companheiro Valdélio Muniz na chapa “Coletiva”, de oposição.
Atualmente, de novo estimulada por colegas de profissão e por lideranças da categoria, aceitou o desafio de compor uma chapa para o Sindjorce. A decisão de liderar esse movimento foi tomada após avaliação e discussão em grupo, contando com o apoio inestimável de companheiros como Ademir Costa, Valdélio Muniz e Carmina Dias, dentre outros. De lá pra cá, muitos outros colegas vêm se somando, enriquecendo esse processo com suas ideias e boa vontade de participar dessa opção política que visa à renovação da diretoria da entidade e à transformação das práticas e atitudes em relação à categoria, aos estudantes, ao patronato e à sociedade.
*PROPOSTAS PARA A CLASSE* – Seguindo uma decisão adotada em grupo, optou em participar da elaboração de um plano de atuação para a diretoria do Sindjorce mediante um processo que envolve reuniões abertas com os colegas jornalistas. O objetivo é ouvir os anseios da categoria e democratizar esses debates. De antemão, já é possível adiantar pontos consensuais sugeridos nesse plano em elaboração, tais como:
Em âmbito nacional, a luta pela garantia da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
Em âmbito local:
- A defesa da recuperação das perdas salariais dos jornalistas;
- Pelo respeito ao profissional, inclusive em Assessorias de Comunicação;
- Defender a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os jornalistas cearenses. A ideia é negociar com as empresas um PCCS básico (com propostas centrais valendo para todos), que possibilite uma melhor remuneração, conforme desempenho, experiência, capacitação e formação profissional, tais como especialização, mestrado e doutorado. A categoria deve ser ouvida com relação a essa proposta.
- Transparência nas ações do Sindicato, com prestação de conta acessível a todos os associados;
- Atividades sociais e de lazer que visam reaglutinar a categoria em torno de sua entidade. Assim, buscaremos firmar convênios com restaurantes, casas de entretenimento e livrarias para que o jornalista possa ter mais acesso aos bens culturais da cidade;
- Inserção do Sindjorce nas campanhas da sociedade civil organizada por um mundo mais justo e igualitário (direitos humanos sociais, econômicos e culturais, meio ambiente, respeito às etnias, questões de gênero);
- Manutenção do Bloco Matou a Pauta;
- Cuidar da formação permanente dos jornalistas por meio de cursos rápidos de atualização e incentivos à participação nos programas de pós-graduação afetos à área;
- Analisar opções e implementar um plano de saúde para jornalistas, inclusive em assessorias;
- Outro campo de luta será buscar algo especial para nossa aposentadoria. Temos recebido sugestões e vamos aprofundar nossas articulações neste sentido: brechas na legislação ou partir para uma proposta de regulamentação de uma aposentadoria própria dos jornalistas;
- Buscaremos atacar em sua gênese as doenças decorrentes do trabalho com o computador, tais como LER, estresse, depressão, hipertensão e outras que têm acometido colegas mesmo na juventude. São moléstias perniciosas e devastadoras, de que não tomamos consciência por seu avanço silencioso. No campo da saúde, faz-se urgente uma ação conjunta de sindicato e empresas para promover melhoria na qualidade de vida do trabalhador;
- Vamos trabalhar pela realização de concursos públicos como forma de ingresso de jornalistas em órgãos governamentais, fazendo valer a Constituição brasileira. Também defenderemos que estes órgãos e as assessorias paguem, pelo menos, o piso salarial da categoria;
- Incentivar a criação de prêmios para diagramadores e ilustradores.
- Reativar a comissão de repórteres-fotográficos e cinegrafistas.
- Criar representações regionais do Sindicato em Sobral e Juazeiro.
- Abertura de canais de negociação visando sindicalizar todos cinegrafistas no Sindjorce.
- Outro ponto não menos importante é a busca de jornalistas hoje afastados da entidade. Nossa proposta, inclui, a superação da inadimplência e a realização de campanhas de (re)sindicalização.
* O PAPEL DAS NOVAS MÍDIAS NO SINDICATO* – As redes sociais são uma importante interface de comunicação que aproveita as novas tecnologias e cria um diferencial dos canais tradicionais como a TV o Rádio e a Mídia impressa. O Sindicato vai estar atento aos canais de mídia via Internet, como a webtv, quanto à qualificação dos profissionais que atuam nessas mídias, cujo nível de exigência deve ser o mesmo utilizado para os canais tradicionais. No que diz respeito a sua utilização, o Sindicato deve estar o mais próximo dos seus sindicalizados e essa interação deve com certeza, beneficiar-se de todos os avanços tecnológicos, tais como twitter, orkut, facebook, blogs, podcasts e, claro, o próprio site da instituição. As novas mídias abrem a possibilidade de elaboração e publicação para pessoas que de outra forma estariam sujeitas a serem apenas ouvintes, telespectadores, leitores de sempre. De consumidor de notícias, informações e conteúdos, um grande número de pessoas passa a ser produtor de conteúdos. Estes espaços, por sua própria natureza, não carecem de jornalistas profissionais. Daí mais uma vez o sindicato é desafiado a ir além da corporação para pensar as possibilidades da comunicação nos dias de hoje. Vamos estabelecer na categoria um fórum para a discussão de como os profissionais se inserem/vão se inserir nesse contexto.
Há, neste particular, a chamada convergência das mídias. Nesta, as empresas estão explorando ao extremo a nossa força de trabalho, sem a correspondente remuneração. Observe: você trabalha para um jornal ou TV que circula no suporte tradicional e tem igualmente sua página na internet. Além do texto, o jornalista de impresso está sendo cobrado para produzir pequenos vídeos com entrevistas. Isso significa trabalho a mais, pelo mesmo salário. Quando os jornais locais tinham sua “versão tabloide” o mesmo texto era usado nos dois veículos. Jornal, rádio e TV convencionais colocam a produção do jornalista de um veículo em outro e destes, nas respectivas versões eletrônicas acessadas em “sites”. Vamos discutir aqui e recolher reflexões de outros sindicatos. Faz-se necessário criar mecanismos pelos quais os jornalistas sejam remunerados por cada forma de utilização de seu trabalho pelos conglomerados de mídia. Esta questão requer, com certeza, uma posição nacional da categoria, levando em conta até a experiência internacional. Abrir o debate com outros setores da sociedade sobre a democratização da comunicação é uma urgência da qual não iremos nos furtar.
*RELACIONAMENTO COM ESTUDANTES DE JORNALISMO* – Temos a consciência de que o estudante de hoje é o jornalista de amanhã, portanto, estabelecemos como uma de nossas prioridades a interlocução frequente com professores e alunos das sete faculdades de Jornalismo atualmente instaladas no nosso Estado (UFC, Unifor, FIC, Fanor, FGF, Fac. Cearense e Fa7). Entendemos que o Sindjorce precisa estar mais presente nas faculdades, apresentando-se aos mestres e futuros profissionais, estimulando a discussão sobre a qualidade dos cursos, sobretudo neste contexto de inexigibilidade de diploma (que esperamos, seja passageiro), mostrando a relevância da formação específica como diferencial num mercado que prime pela qualidade e destacando a importância da entidade de classe para a defesa dos interesses da categoria. Como forma de estimular o engajamento dos estudantes, pretendemos instituir o mecanismo de pré-sindicalização como forma de trazer os acadêmicos de Jornalismo para as discussões sindicais (reuniões ordinárias e assembleias), com direito a voz e a descontos especiais em eventos, cursos e outras promoções do Sindicato ou das quais a entidade seja parceira. Entendemos que estágio deve ser discutido honestamente com professores e estudantes e reconhecemos sua importância para a formação dos novos profissionais, mas temos a clareza de que eventuais abusos cometidos devem ser enfrentados, sem, no entanto, desviar para o estudante o foco de uma (ir)responsabilidade que seja das empresas.
*NO QUE ESTA CANDIDATURA É DIFERENTE DAS DEMAIS *- Na clareza de ideias, no desejo de transformar o relacionamento da entidade com os jornalistas, com os estudantes, com o patronato e com a sociedade; na compreensão de que o Sindicato precisa falar a mesma linguagem da categoria, sem se desviar do seu papel de mobilizador de ações políticas em prol de seus associados; na firmeza e determinação com a qual deseja implementar a luta de uma categoria superexplorada pela classe patronal.
*EXPECTATIVA SOBRE A CAMPANHA* – Desejamos que a campanha transcorra dentro do respeito ao outro; que os oponentes não pratiquem a tese de que “em campanha vale tudo”, em detrimento da verdade e do direito da categoria a uma campanha pautada por ideias e propostas políticas voltadas para os interesses classistas. Em uma palavra, isso significa uma campanha da ética.
Perfil da Mozarly, publicado no site liberdade digital
http://liberdadedigital.com.br/2010/04/13/eleicoes-2010-perfil-dos-pre-candidatos-ao-sindjorce/
*Mozarly Almeida*
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*TRAJETÓRIA PROFISSIONAL* – Ingressou no Jornal Diário do Nordeste, em outubro de 1981, logo após sair da faculdade, onde permanece até hoje, como redatora da editoria de Cidade. Teve passagens, como repórter, em editorias como Caderno 3, Regional e Política; foi repórter especial, subeditora e editora interina de reportagens especiais em diversas ocasiões; foi ainda subeditora de Cidade.
Mozarly Almeida também tem uma vasta experiência em assessoria de comunicação. Fez parte da Assessoria de Imprensa da então Prefeita Maria Luiza Fontenele. Assessorou órgãos do Município, como o Instituto de Previdência do Município (IPM), e do Estado, como a antiga Autarquia da Região Metropolitana de Fortaleza(Aumef) e a Superintendência do Desenvolvimento Urbano do Estado do Ceará (Sedurb).
Também integrou a Assessoria da Federação da Indústria do Estado do Ceará (Fiec). Trabalhou como assessora parlamentar de deputados de esquerda. Prestou serviço como assessora de comunicação ao Sindicato dos Eletricitários (Sindeletro). Durante longo período, foi funcionária do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações (Sinttel) e do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento do Estado do Ceará (Sindiagua).
*PRÊMIOS* - É detentora de diversos prêmios de reportagens, sobretudo na área da infância e de denúncias sociais. Premiações:
2008 – Prêmio Imprensa CRO Saúde Bucal (2º lugar) com a série de reportagens “Práticas Integrativas e Alternativas na Odontologia”. Promovido pelo Conselho Regional de Odontologia do Ceará.
2006 – Prêmio ACI de Jornalismo para reportagens “Aprendizagem Infantil”. Promovido pela Associação Cearense de Imprensa (ACI);
2006 – Finalista no Prêmio IGE de Jornalismo (nacional) com a série de reportagens “Educação Infantil”.
2006 – Finalista no Prêmio Esso de Jornalismo com a série de reportagens “CPI do Extermínio”, em equipe;
2004 – Prêmio Nacional BNB de Jornalismo na categoria Mídia Impressa, feito em equipe, com as reportagens “Agricultura Familiar”.
2003 – Troféu José Raymundo Costa em reconhecimento à produção jornalística e concedido pela Câmara Municipal de Fortaleza;
2003 – Finalista no V Prêmio Imprensa Embratel com a série “Violência”.
2003 – Prêmio de Jornalismo Anote para a reportagem “Órfãos do Cárcere” (2º lugar).
2003 – Prêmio de Jornalismo Anote para a reportagem “Violência” (3º lugar). Promoção: Agência de Notícias Esperança (Anote).
1999 – Prêmio Anote de Jornalismo para a série de reportagens Trabalho em Crise.
1998 – Comenda de Honra ao Mérito pela série de reportagens “Delegacias: a Lei do Descaso”, concedida pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol).
1993 – Prêmio para reportagem sobre o “Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)” concedido pela Secretaria de Imprensa e Relações Públicas d a Prefeitura de Fortaleza.
1992 – Prêmio Chapéu de Palha para a série de reportagens “ Degradação Ambiental – Desertificação, um obstáculo a mais na vida do sertanejo”, concedido pela Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas/Desenvolvimento Sustentável.
1990 – Prêmio ACI para série de reportagens “Maus-tratos na Infância”.
Livros: A jornalista tem participação em três livros. Dois deles enfocam o comportamento da imprensa na abordagem da Aids; o último, é um livro publicado na Itália sobre Leonardo Boff. A entrevista feita por Mozarly Almeida com Boff abre a publicação italiana sobre a vida desse expoente no Brasil da Teologia da Libertação, punido pelo Vaticano.
Congressos: Participou de diversos encontros estaduais e congressos nacionais de jornalistas, bem como de encontros de assessores de imprensa locais e nacionais. Tem vasta participação, ainda, em cursos, seminários e simpósios da classe.
*ENVOLVIMENTO COM A CATEGORIA* – A candidata pela chapa de oposição participa das lutas da categoria desde formada, em 1981. Estando ou não na diretoria da entidade (já compôs três gestões), sempre se posiciona em seu local de trabalho na defesa dos interesses dos trabalhadores. Participou, ativamente, das duas greves realizadas pelos jornalistas do Estado: a primeira em 1985, de cinco dias, e a segundo em 1988, de 15 dias.
No ano passado, contudo, posicionou-se contrária à proposta de greve apresentada por membros da atual gestão do Sindicato, por considerar a ideia prematura diante do quadro de inteira desmobilização da categoria. Com firmeza, expôs, em assembleia geral, seu temor de que, em caso de decretação de uma greve diante da falta de mobilização para tanto, categoria e entidades saíssem desmoralizados e enfraquecidos daquele processo. Sua tese, infelizmente, foi comprovada poucos dias depois.
O currículo de Mozarly Almeida inclui o cargo de secretária-geral e presidente interina do Sindjorce durante cerca de seis meses.
Também já integrou três mesas de negociação entre sindicato laboral e sindicato patronal, como representante da categoria, durante campanha salariais dos jornalistas.
No Sindjorce, integrou, ainda, a Comissão de Direitos Humanos e a Comissão Estadual de Assessores de Imprensa.
Cotada para disputar a presidência, há quase seis anos, optou por se coligar com o companheiro Valdélio Muniz na chapa “Coletiva”, de oposição.
Atualmente, de novo estimulada por colegas de profissão e por lideranças da categoria, aceitou o desafio de compor uma chapa para o Sindjorce. A decisão de liderar esse movimento foi tomada após avaliação e discussão em grupo, contando com o apoio inestimável de companheiros como Ademir Costa, Valdélio Muniz e Carmina Dias, dentre outros. De lá pra cá, muitos outros colegas vêm se somando, enriquecendo esse processo com suas ideias e boa vontade de participar dessa opção política que visa à renovação da diretoria da entidade e à transformação das práticas e atitudes em relação à categoria, aos estudantes, ao patronato e à sociedade.
*PROPOSTAS PARA A CLASSE* – Seguindo uma decisão adotada em grupo, optou em participar da elaboração de um plano de atuação para a diretoria do Sindjorce mediante um processo que envolve reuniões abertas com os colegas jornalistas. O objetivo é ouvir os anseios da categoria e democratizar esses debates. De antemão, já é possível adiantar pontos consensuais sugeridos nesse plano em elaboração, tais como:
Em âmbito nacional, a luta pela garantia da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão.
Em âmbito local:
- A defesa da recuperação das perdas salariais dos jornalistas;
- Pelo respeito ao profissional, inclusive em Assessorias de Comunicação;
- Defender a implementação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os jornalistas cearenses. A ideia é negociar com as empresas um PCCS básico (com propostas centrais valendo para todos), que possibilite uma melhor remuneração, conforme desempenho, experiência, capacitação e formação profissional, tais como especialização, mestrado e doutorado. A categoria deve ser ouvida com relação a essa proposta.
- Transparência nas ações do Sindicato, com prestação de conta acessível a todos os associados;
- Atividades sociais e de lazer que visam reaglutinar a categoria em torno de sua entidade. Assim, buscaremos firmar convênios com restaurantes, casas de entretenimento e livrarias para que o jornalista possa ter mais acesso aos bens culturais da cidade;
- Inserção do Sindjorce nas campanhas da sociedade civil organizada por um mundo mais justo e igualitário (direitos humanos sociais, econômicos e culturais, meio ambiente, respeito às etnias, questões de gênero);
- Manutenção do Bloco Matou a Pauta;
- Cuidar da formação permanente dos jornalistas por meio de cursos rápidos de atualização e incentivos à participação nos programas de pós-graduação afetos à área;
- Analisar opções e implementar um plano de saúde para jornalistas, inclusive em assessorias;
- Outro campo de luta será buscar algo especial para nossa aposentadoria. Temos recebido sugestões e vamos aprofundar nossas articulações neste sentido: brechas na legislação ou partir para uma proposta de regulamentação de uma aposentadoria própria dos jornalistas;
- Buscaremos atacar em sua gênese as doenças decorrentes do trabalho com o computador, tais como LER, estresse, depressão, hipertensão e outras que têm acometido colegas mesmo na juventude. São moléstias perniciosas e devastadoras, de que não tomamos consciência por seu avanço silencioso. No campo da saúde, faz-se urgente uma ação conjunta de sindicato e empresas para promover melhoria na qualidade de vida do trabalhador;
- Vamos trabalhar pela realização de concursos públicos como forma de ingresso de jornalistas em órgãos governamentais, fazendo valer a Constituição brasileira. Também defenderemos que estes órgãos e as assessorias paguem, pelo menos, o piso salarial da categoria;
- Incentivar a criação de prêmios para diagramadores e ilustradores.
- Reativar a comissão de repórteres-fotográficos e cinegrafistas.
- Criar representações regionais do Sindicato em Sobral e Juazeiro.
- Abertura de canais de negociação visando sindicalizar todos cinegrafistas no Sindjorce.
- Outro ponto não menos importante é a busca de jornalistas hoje afastados da entidade. Nossa proposta, inclui, a superação da inadimplência e a realização de campanhas de (re)sindicalização.
* O PAPEL DAS NOVAS MÍDIAS NO SINDICATO* – As redes sociais são uma importante interface de comunicação que aproveita as novas tecnologias e cria um diferencial dos canais tradicionais como a TV o Rádio e a Mídia impressa. O Sindicato vai estar atento aos canais de mídia via Internet, como a webtv, quanto à qualificação dos profissionais que atuam nessas mídias, cujo nível de exigência deve ser o mesmo utilizado para os canais tradicionais. No que diz respeito a sua utilização, o Sindicato deve estar o mais próximo dos seus sindicalizados e essa interação deve com certeza, beneficiar-se de todos os avanços tecnológicos, tais como twitter, orkut, facebook, blogs, podcasts e, claro, o próprio site da instituição. As novas mídias abrem a possibilidade de elaboração e publicação para pessoas que de outra forma estariam sujeitas a serem apenas ouvintes, telespectadores, leitores de sempre. De consumidor de notícias, informações e conteúdos, um grande número de pessoas passa a ser produtor de conteúdos. Estes espaços, por sua própria natureza, não carecem de jornalistas profissionais. Daí mais uma vez o sindicato é desafiado a ir além da corporação para pensar as possibilidades da comunicação nos dias de hoje. Vamos estabelecer na categoria um fórum para a discussão de como os profissionais se inserem/vão se inserir nesse contexto.
Há, neste particular, a chamada convergência das mídias. Nesta, as empresas estão explorando ao extremo a nossa força de trabalho, sem a correspondente remuneração. Observe: você trabalha para um jornal ou TV que circula no suporte tradicional e tem igualmente sua página na internet. Além do texto, o jornalista de impresso está sendo cobrado para produzir pequenos vídeos com entrevistas. Isso significa trabalho a mais, pelo mesmo salário. Quando os jornais locais tinham sua “versão tabloide” o mesmo texto era usado nos dois veículos. Jornal, rádio e TV convencionais colocam a produção do jornalista de um veículo em outro e destes, nas respectivas versões eletrônicas acessadas em “sites”. Vamos discutir aqui e recolher reflexões de outros sindicatos. Faz-se necessário criar mecanismos pelos quais os jornalistas sejam remunerados por cada forma de utilização de seu trabalho pelos conglomerados de mídia. Esta questão requer, com certeza, uma posição nacional da categoria, levando em conta até a experiência internacional. Abrir o debate com outros setores da sociedade sobre a democratização da comunicação é uma urgência da qual não iremos nos furtar.
*RELACIONAMENTO COM ESTUDANTES DE JORNALISMO* – Temos a consciência de que o estudante de hoje é o jornalista de amanhã, portanto, estabelecemos como uma de nossas prioridades a interlocução frequente com professores e alunos das sete faculdades de Jornalismo atualmente instaladas no nosso Estado (UFC, Unifor, FIC, Fanor, FGF, Fac. Cearense e Fa7). Entendemos que o Sindjorce precisa estar mais presente nas faculdades, apresentando-se aos mestres e futuros profissionais, estimulando a discussão sobre a qualidade dos cursos, sobretudo neste contexto de inexigibilidade de diploma (que esperamos, seja passageiro), mostrando a relevância da formação específica como diferencial num mercado que prime pela qualidade e destacando a importância da entidade de classe para a defesa dos interesses da categoria. Como forma de estimular o engajamento dos estudantes, pretendemos instituir o mecanismo de pré-sindicalização como forma de trazer os acadêmicos de Jornalismo para as discussões sindicais (reuniões ordinárias e assembleias), com direito a voz e a descontos especiais em eventos, cursos e outras promoções do Sindicato ou das quais a entidade seja parceira. Entendemos que estágio deve ser discutido honestamente com professores e estudantes e reconhecemos sua importância para a formação dos novos profissionais, mas temos a clareza de que eventuais abusos cometidos devem ser enfrentados, sem, no entanto, desviar para o estudante o foco de uma (ir)responsabilidade que seja das empresas.
*NO QUE ESTA CANDIDATURA É DIFERENTE DAS DEMAIS *- Na clareza de ideias, no desejo de transformar o relacionamento da entidade com os jornalistas, com os estudantes, com o patronato e com a sociedade; na compreensão de que o Sindicato precisa falar a mesma linguagem da categoria, sem se desviar do seu papel de mobilizador de ações políticas em prol de seus associados; na firmeza e determinação com a qual deseja implementar a luta de uma categoria superexplorada pela classe patronal.
*EXPECTATIVA SOBRE A CAMPANHA* – Desejamos que a campanha transcorra dentro do respeito ao outro; que os oponentes não pratiquem a tese de que “em campanha vale tudo”, em detrimento da verdade e do direito da categoria a uma campanha pautada por ideias e propostas políticas voltadas para os interesses classistas. Em uma palavra, isso significa uma campanha da ética.
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