sábado, 25 de fevereiro de 2012
SURFISTAS FAZEM MANIFESTAÇÃO CONTRA ATERRO NA PRAIA DE IRACEMA EM FORTALEZA
[ENTIDADES AMBIENTALISTAS TEMEM MAIS UMA AGRESSÃO AO NOSSO LITORAL]
Hoje, de meio dia às 16 horas, haverá uma manifestação dos surfistas contra o aterro, na ponte metálica, em Fortaleza. A convocação foi geral para protestar contra o que consideram um desmando contra a cidade e a vida marinha.
Militantes ambientalistas de Fortaleza, [Ceará, Brasil], estão perplexos ante um aterro na praia de Iracema, zona urbana e nicho de animais marinhos, sem que se conheça o projeto, sem ter havido publicidade em torno dele, sem que se saiba se houve audiência pública e a elaboração do estudo e respectivo relatório de impacto ambiental (Eia-Rima). Tive acesso a algumas informações esparsas que coloco a seguir, para você formar uma ideia do caso. Evito mencionar nomes, pois não fiz entrevistas formais com pessoass que falassem em nome das entidades e instituições.
O programa de entrevistas Movimento Urbano, da TV O Povo, está preparando uma edição cujo tema central será o litoral de Fortaleza e as barracas de Praia nessa cidade. Há muito o que falar sobre problemas relacionados aos espigões e, mais especificamente, sobre o processo de licenciamento. Há desconhimento sobre eia-rima e licenciamento das obras de engenharia do Museu do Mar e do Acquário. Sabe-se que há mais de 6 anos foi planejado o tal do museu do mar e, para os especialistas ouvidos, como sempre, eram estudos extremamente superficiais, excluindo a participação popular e sem pesquisas específicas sobre impactos à biota marinha, entre outras tantas debilidades. Uma reforma de um espigão na praia das Goiabeiras foi embargada pela Serviço do Patrimônio da União (SPU), por não haver estudos ambientais, mas foram posteriormente realizados por empresa contratada e a obra, licenciada. Segundo o Prof. Jeovah Meireles, foram licenciadas as intervenções do Vila do Mar (entre a barra do Ceará e o Kartódormo). É importante evidenciar que o Projeto Orla proporciona ações conjuntas, através de convênios, e prioritárias entre os entes federados.
Em uma audiência pública sobre o aterro da beira-mar, falaram sobre os outros aterros, mas fazendo parte de outro projeto, e não aquele que estava sendo licenciado no momento.
Naquela ocasião, os ambientalistas ficaram sabendo que já estavam aterrando a oeste da Ponte Metálica, o que acharam estranho. Mas o Instituto de Ciências do Mar, (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), confirmara. Quem foi depois ao local, após a audiencia, comprovou que realmente a obra do aterro já estava em andamento, com placa de licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Fortaleza (Semam). Foi uma surpresa, pois ninguém fora informado de audiência, nem soube da realização do respectivo estudo de impacto ambiental.
Para os militantes do movimento ambiental, é um absurdo que as coisas tenham andado assim, na surdina, e que a comunidade não tenha sido escutada sobre o projeto. O foco, na audiência, foi dado ao aterro da beira-mar, enquanto o da Praia de Iracema passou desapercebido. Agora, as entidades estão se mobilizando para pedir explicações, acionar o Ministério Público, se for o caso.
O vereador João Alfredo (Psol) diz que "enquanto temos acompanhado, inclusive do ponto de vista da preservação dos botos cinza, a questão do aterro da Beira Mar, eis que já está em andamento outro aterro: o da Praia de Iracema, inclusive na área onde se encontram as duas pontes: metálica e a dos ingleses (área também habitada pelos nossos golfinhos), conforme a notícia de O Povo de 01/03/12. Eu não tenho conhecimento de que tenha havida licenciamento ou estudo prévio de impacto ambiental dessa obra específica. Segundo a notícia postada no saite www.emfocosurf.com.br, a obra vai acabar com as ondas da Praia do Havaizinho, entre as duas pontes, e ameaçar o habitat dos golfinhos. É uma obra da prefeitura, mas que tem o interesse do Estado também, pois fica em frente à área onde o governo quer construir o aquário. O processo de mudanças na Praia de Iracema vai bastante acelerado: primeiro se acabou com a tradicional piscininha, que ficava por detrás do Estoril, na frente o Aquário, e, no meio, o aterramento da praia. Para o dia 25, o pessoal do surf está marcando uma manifestação, mas, de minha parte, pelo mandato, vou verificar a questão do licenciamento e do estudo de impacto ambiental. Na frente, podemos pensar em uma audiência pública".
Tudo indica que esse processo muito ágil está relacionado com a flexibilização do licenciamento para as obras do PAC e outras. Ao que tudo indica, o Ibama está repassando ao estado e, quando cabe, ao município, o licenciamento de obras em área marinha. Até a dragagem do canal do porto foi licenciada pela Superintendência Estadual de Meio Ambiente do Ceará (Semace), sem que se saiba de condicionante relacionada à biota local.
Presente nas audiências publicas do Acquario e da reurbanização da beira-mar, uma entidade colocou sua posição de que os orgão publicos que licenciam estas obras têm tratado a orla de Fortaleza como uma verdadeira piscina, como se não houvesse vida marinha alguma. E assim conseguiu que nos dois empreendimentos, fossem inseridas como condicionantes ações para monitoramento da biota, em especial os vertebrados (que sofrem mais com os impactos desse tipo de obra).
Nesse caso do aterro entre as pontes na Praia de Iracema, o que chama a atenção é como tudo aconteceu sem ninguém ter conhecimento. Não se ouviu nada sobre audiencia publica e muito menos sobre impactos ambientais. Esta área é importantissima para golfinhos e tartarugas marinhas, e o aterramento irá causar danos significativos para estes animais, que ja sofrem com outros impactos fortes na enseada. As entidades vão tentar identificar, através do EIA/RIMA, se é que existe, o que fala sobre isso.
Para o vereador João Alfredo, "ainda que seja legítimo/legal (ainda que temerário) a transferência do Ibama para a Semam quanto ao licenciamento ambiental, não há como fugir à responsabilidade da realização do estudo prévio de impacto ambiental e que este estudo tenha que prever todos os impactos causados ao meio ambiente. Nesse sentido, se o EIA/RIMA não contemplar os impactos sobre a fauna marinha, pode ser questionado tanto administrativa como judicialmente". João Alfredo informa uma medida que tomou: "encaminhei hoje (24/03/12) de manhã para o Procurador Alessander Sales um documento da Aquasis, falando sobre os impactos ambientais da obra sobre a fauna marinha, em especial, os botos".
Uma estratégia das entidades é publicizar a questão em redes sociais como Orkut, Facebook, em blogs e páginas na internet e em serviços como o Google, para que haja primeiro, conhecimento do que está ocorrendo, e, em seguida, uma pressão sobre as autoridades, objetivando o envolvimento da população e que sejam minorados os impactos negativos para a cidade e para a biota marinha.
Entidade que pode ser contatada:
Programa de Mamíferos Marinhos
Projeto Manatí
Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos - AQUASIS
SESC Iparana, Praia de Iparana s/ no.
CAUCAIA-CEARÁ BRASIL
CEP: 61600-000
55 085 3318 4911
www.projetomanati.org.br
Mais informações em: http://projetomanati.blogspot.com
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
MANHÃ VERDE DIA 1º DE MARÇO
O Movimento Proparque alterou o programa da Manhã Verde no Parque Ecológico Rio Branco [Av. Pontes Vieira, em Fortaleza CE, Brasil], dia 1º de março. Será das 6h45min às 7h45min, quando apresentaremos a situação atual do parque atualmente. Quem vier vai ser convidado a assinar um documento para ser entregue às autoridades naquele mesmo dia.
Vamos também dividir nosso Café da Manhã. Se você quiser, pode trazer alguma coisa para o café, mas isso não é obrigação. Neste nosso encontro vamos lançar a Festa da Vida 2012, projeto que reúne centenas de pessoas no parque, na comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, em junho. Na Festa da Vida, entidades, colégios, igrejas, secretarias e ONGs expõem o que fazem pela vida com cartazes, “banners”, bandeiras, faixas, teatro, debates e divulgação de suas campanhas.
O Movimento Proparque trabalha pelo Parque Ecológico Rio Branco desde 1º de novembro de 1995. Toda pessoa pode participar. Somos independentes em relação a governos, prefeitos e partidos políticos. Nosso interesse é o parque melhor, para uso de todos. Por isso, pressionamos a Secretaria de Segurança [do Estado] e as secretarias municipais responsáveis pelo parque. Contamos com você na Manhã Verde, dia 1º/março.
Detalhe importante: reuniões do Movimento Proparque todas as quintas-feiras, 7h, no anfiteatro do Parque Ecológico Rio Branco [Av. Pontes Vieira, s/n – Joaquim Távora] Fortaleza CE. Contatos: tel. 3254 1203 e cel. 8838.1203, e-mail movimentoproparque@bol.com.br pra você falar conosco.
A foto dessa matéria mostra árvores plantadas pelo Movimento Proparque na entrada do parque pela R. Castro Alves, esquina com R. João Cordeiro.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Proparque Prepara a Festa da Vida 2012
As imagens acima registram uma de nossas reuniões no anfiteatro do Parque Ecológico Rio Branco, Av. Pontes Vieira, em Fortaleza. Os encontros do Movimento Proparque ocorrem todas as quintas-feiras, de 7 às 8h [manhã]. Atualmente, estamos preparando a Festa da Vida [10.06.12] e o Passeio Ecológico ao Cariri [17.06.12].
Qualquer pessoa pode participar de nosso movimento. Nossa articulação começou em novembro de 1995, de modo que no fim deste 2012 completaremos 17 anos de ação em prol do parque. Sem conotação partidária, conquistando um meio ambiente sadio na perspectiva da coletividade, como manda o Artigo 225 da Constituição Brasileira.
Para saber mais sobre a prepatação da Festa da Vida, veja a carta abaixo, endereçada a escolas, igrejas, condomínios, organizações governamentais, ongs:
Movimento Proparque
O Futuro da Terra em suas mãos
Fortaleza, 17 de fevereiro de 2012.
Ao (À) Sr(a).
Prezado(a) Senhor(a),
Por este intermédio vimos convidar você e as pessoas do condomínio e de sua rua para a Manhã Verde no Parque Ecológico Rio Branco, dia 1º de março, das 6h30min às 7h30min. Haverá uma apresentação sobre o parque atualmente e assinaremos um documento para ser entregue às autoridades naquele mesmo dia. Vamos também dividir nosso Café da Manhã. Se você quiser, pode trazer alguma coisa para o café, mas isso não é obrigação.
Neste nosso encontro vamos lançar a Festa da Vida 2012, projeto que reúne centenas de pessoas no parque, na comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, em junho. Na Festa da Vida, entidades, colégios, igrejas, secretarias e ONGs expõem o que fazem pela vida com cartazes, “banners”, bandeiras, faixas, teatro, debates e divulgação de suas campanhas.
O Movimento Proparque trabalha pelo Parque Ecológico Rio Branco desde 1º de novembro de 1995. Toda pessoa pode participar. Somos independentes em relação a governos, prefeitos e partidos políticos. Nosso interesse é o parque melhor, para uso de todos. Por isso, pressionamos a Secretaria de Segurança [do Estado] e as secretarias municipais responsáveis pelo parque.
Contamos com você na Manhã Verde, dia 1º/março.
Luísa Vaz
Coordenadora do Movimento Proparque
Reuniões quintas-feiras, 7h, no anfiteatro do Parque Ecológico Rio Branco
[Av. Pontes Vieira, s/n – Joaquim Távora]
Fortaleza CE - Tel. 3254 1203 e cel. 8838.1203
Veja nossa notícias na internet:
www.movimentoproparque.blogspot.com
E-mail movimentoproparque@bol.com.br
A INVERSÃO DO CARNAVAL DA VIDA
Por Thales Leitão da Organização Popular do Aracati (OPA)*
O carnaval para os/as brasileiros/as é, reconhecidamente, o festejo das
inversões. O período de celebrar o que muitas vezes nem sequer merece menção, o
momento no qual desempregados trabalham assiduamente e funcionários assíduos
farreiam sem o remorso de uma segunda-feira, onde rico se traja de povo e o povo,
na extremada limitação de suas possibilidades, esbanja luxuosidade. Por quatro dias a
realidade é destituída pelo reino da fantasia e a mentira é deliberadamente decretada
como impulsionadora da alegria. Para os 361 dias restantes do ano, no entanto, a
carruagem é só um jerimum sem rodas. A inversão é desinvertida, torna-se versão de
fatos reais e nada animadores para a maior parte dos/as ex-foliões/ãs.
Aracati pode ilustrar bem o que é essa tal inversão carnavalesca. Durante
361 dias do ano seu povo sofre com ruas e estradas esburacadas e sujas, falta de
iluminação pública, lama farta e muitos percursos intransitáveis na zona rural quando
do período chuvoso, fechamento de escolas, defasagem no sistema público de saúde,
poluição da natureza por grandes empresas, sobretudo as criadoras de camarão, risco
de total destruição da vida comunitária tradicional e de históricos acervos ancestrais e naturais pela instalação suja de parques de energia eólica, sufocamento dos gritos populares pela promessa politiqueira, etc, etc.
Ao se aproximar o carnaval, pelo que se apresenta ano a ano, a fábula é então
contada, a cidade começa a fantasiar-se para a festa com a troca de luminárias
defeituosas, as ruas nas imediações do “corredor encantado” são limpas, até o meio
fio de calçadas e canteiros são pintados com cal, e também o tronco de algumas
árvores, na avenida da folia não há buracos, trios elétricos são contratados para que
o povo sofrido finalmente dê vazão a seus clamores contidos. A união de toda gente é
constatada ali, no corredor da folia, de frente aos camarotes, para que as autoridades se certifiquem de seu êxito político, de sua estratégia nada fantasiosa de contenção da luta da população oprimida.
Nada contra a cultura carnavalesca, mas bem que o povo poderia ir além nas
suas fantasias e no período de sua vigência. Já pensou mesa farta e todas as estradas
limpas e sem buracos? Como seria celebrar a conquista de uma comunidade sem
carcinicultura? E uma energia limpa que servisse ao povo e não precisasse privatizar
praias e dunas, já imaginou? Já imaginou escolas sendo abertas e não fechadas?
Professores em condições dignas de trabalho, com um número adequado de educandos por turma e recebendo de acordo com parâmetros decentes? Como será ter hospitais funcionando? Já tentou imaginar todo o dinheiro amontoado com os impostos pagos pelo povo trabalhador estando agora à disposição para melhoria da vida desse mesmo povo? E isso durante o ano inteiro e por toda vida? A elite que ficasse com o seu carnaval mixuruca de apenas meia semana, pois o povo certamente celebraria durante os 365 dias do ano.
Ao que tudo indica, entretanto, sonhos dessa envergadura não são realizáveis pela
via eleitoral. Aliás, processo eleitoral confiável hoje em dia só mesmo para rei momo
e rainha do carnaval. A política da fantasia nos cobra consciência na hora de votar,
quando na verdade votar já deixou de ser um ato consciente. Nenhum sobrevivente do
povo, tenhamos absoluta certeza, legitima, por lucidez, uma política que permite aos
ricos tudo que desejarem e aos pobres somente o destino de ficarem mais pobres.
Por isso a política do povo deve ser aquela que ganha as ruas, que ocupa
órgão público e só sai com a reivindicação garantida, que bota empresa poluidora e
desrespeitadora dos direitos pra correr. A política do povo deve ser uma política que
uma o povo e não o separe, isso não só de dois em dois anos, mas todos os dias. Os
poderosos continuam tramando contra essa política, pois que agora tremam só de
imaginar a iminência de sua concretização.
Pode me chamar de sonhador. Não tem problema. Mas lembre-se do que disse o poeta: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade.”
Vamos lá, povo trabalhador! Ganhemos as ruas! Invertamos a lógica dessa vida
invertida! Construamos o nosso poder, o poder popular!
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Carnavais de Todos os Tempos
José Lemos*
Eu tenho uma sinergia muito forte com o carnaval. Tudo começou com o meu
nascimento que aconteceu numa sexta-feira “gorda” em Paricatiua, Bequimão.
Menino e adolescente em São Luis, morando no “Caminho da Boiada” rua que
fica num setor onde o carnaval sempre foi muito intenso em nossa terra. Por aquele
circuito os folguedos chegavam ao “Canto da Fabril”, seguiam a Rua Oswaldo Cruz,
até a Praça Deodoro. Desciam as ruas de São Pantaleão, ou do Norte e chegavam à
Madre Deus. Era o polígono mais denso da folia mais intensa de São Luis.
Dia desses recebi uma mensagem, dessas que circulam na internet aos montes,
que leva a uma reflexão interessante. A mensagem diz que experimentamos a “porcaria
da velhice chegando” (PVC) quando começamos a acreditar que as coisas boas
aconteceram no passado e que tudo (ou quase tudo) no presente não serve.
Eu prefiro fazer a leitura da mensagem de outra forma. Quando se tem vinte e
poucos anos não se tem historia ainda. O nosso passado, nessa faixa etária, é ainda
vazio de eventos marcantes. Não temos muitas lembranças. Temos um futuro que
acreditamos ser infinito. Em geral olhamos para frente como se jamais chegássemos à
fase mais adulta. As pessoas mais idosas são encaradas como ultrapassadas. Este
conflito, em geral, começa dentro de casa com os nossos pais a quem chamamos
pejorativamente de “velhos”.
Talvez as reflexões que faço sobre o carnaval de hoje, e aqueles que vivenciei
intensamente na fase infanto-juvenil, quando morava em São Luis, tenham a ver com a
mensagem que eu recebi na internet. Mas eu prefiro admitir, até em defesa do meu
orgulho próprio que, de fato, tivemos uma fase de ouro na criação de músicas
carnavalescas num passado que nem é tão remoto assim.
Não precisa ser muito avançado em fevereiros para ter vivenciado aquele
período fértil da criação musical. Estou falando não apenas de músicas de carnaval, mas do cancioneiro em geral, inclusive no cenário internacional. As pessoas na faixa dos quarenta anos testemunharam carnavais de muita autenticidade. Autenticidade e
irreverência que devem ser as marcas registradas do carnaval. Mas até isso lhe foi
subtraído, na medida em que o poder público (leia-se políticos em busca de
popularidade fácil, que não conseguem por ações em prol do bem estar coletivo, mas
agindo em beneficio próprio e familiar) passaram a interferir nos festejos, distribuindo o nosso suado dinheiro para aquelas organizações carnavalescas que se propuserem, comocontrapartida natural, fazerem reverências e homenagens ao poderoso que lhes financiou. O dinheiro público, que deveria ir para a educação, saúde, saneamento, segurança, é desviado para festejos que aconteceriam normalmente, como sempre o fizeram no passado. Bom, se isso é saudosismo eu acho que já estou acometido de PVC.
Não precisa ter gosto musical acurado, para vislumbrar uma diferença de
qualidade melódica e de lirismo no que se produziu no passado e no que se produz
agora, sobretudo depois que o “Axé music” e o “Forró Eletrônico” passaram a fazer
parte dos carnavais nas praias, Brasil a dentro e a fora. As músicas (ou o que se
convencionou chamar assim) são tão efêmeras e ruins que não resistem a dois carnavais
seguidos. A cada ano “surge uma nova onda”. Teve a onda de “fazer bunda-lê-lê no
meu AP”. A deste ano é a “se eu te pego, ó”. Não podemos comparar essas “coisas”
com as jóias musicais que se eternizaram nos carnavais. Com certeza, os jovens que se
embalam com esses ruídos eletrônicos efêmeros não o farão nos próximos vinte anos,
porque eles (os ruídos) se dissiparão como éter, sem deixar qualquer vestígio. Contudo,continuarão ouvindo, como eu e a minha geração, as músicas que se eternizaram.
São preciosidades como “Aurora”, uma composição de Mário Lago e Roberto
Roberti de 1940. Braguinha criou “Balancê”, em parceira com Alberto Ribeiro, em
1936. “Abre Alas” (Ô abre alas que eu quero passar...) foi escrito por Chiquinha
Gonzaga em 1899. “Cabeleira do Zezé”, que se fosse escrita hoje teria problemas com
as babaquices inventadas do “politicamente correto”, é de 1963, e saiu da verve de João Roberto Kelly. E a inesquecível: “Você pensa que cachaça é água / Cachaça não é água não...” que foi composta por Mirabeu, Lúcio Castro e Heber Lobato, para o carnaval de 1953, e nunca mais deixou de ser cantada nesta época do ano. Zé Kéti e Pereira Melo compuseram “Máscara Negra” em 1966 (Quanto riso oh, quanta alegria / mais de mil palhaços no salão...). Marcha-Rancho obrigatória em todos os carnavais desde então. Não há quem não a cante. Jovens, adultos, idosos. Todos se embalam, beijam, bebem e amam ao som dos acordes dessa e de todas as músicas de uma época de ouro.
Estou convencido de que apenas não serão acometidos de PVC aqueles que, por
infortúnio, morrerem muito jovens. O que desejamos para ninguém. Feliz carnaval!
==========
*Professor Associado na Universidade Federal do Ceará. Escreve aos sábados neste
espaço. Publicado ontem no jornal O Imparcial, de São Luís [MA], e aqui, com autorização do autor.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
BB: BANCO PÚBLICO COM FOCO PRIVADO
Balanço do BB mostra spread nas alturas, mais contratações e foco privado
O balanço divulgado nesta terça-feira (14/2) pelo Banco do Brasil, com lucro líquido recorde de R$ 12,1 bilhões em 2011, 3,6% maior que o de 2010 traz pontos positivos na visão da Contraf-CUT e do movimento sindical, mas também apresenta vários dos velhos problemas que têm se tornado a tônica dos bancos nos últimos anos.
Entre os pontos positivos, está o crescimento no número de funcionários do banco, que aumentou de 109.026 em 2010 para 113.810 em 2011, totalizando 4.784 novos postos de trabalho.
Além disso, os números mostram o crescimento na concessão de crédito para o setor produtivo. A carteira de crédito do agronegócio, setor em que o banco tem atuação tradicional, encerrou o trimestre com saldo de R$ 89,4 bilhões, o que corresponde a crescimento de 6,7% ante o terceiro trimestre de 2011 e de 18% no ano. Além disso, a carteira de pessoa jurídica cresceu mais, com expansão de 19% no ano e de 5,6% no trimestre. De acordo com o BB, o segmento foi impulsionado pelos empréstimos a médias e grandes empresas. Também se destacou o segmento de micro e pequenas empresas, com expansão de 19,5% em relação ao observado em dezembro de 2010 e 9,2% frente a setembro último.
No entanto, o balanço traz também pontos que merecem críticas, na avaliação da Contraf-CUT. O spread bancário (diferença entre o custo de captação e as taxas de juros cobradas pelo banco) cresceu muito em todos os segmentos, sendo que para pessoa física, atingiu 15,5%. Isso quer dizer que as sucessivas quedas da taxa Selic, promovidas pelo Banco Central nos últimos meses, não foram transferidas para a população. Assim, o Banco do Brasil vai na contramão do que se espera de sua atuação, que deveria ser a de servir de referência para o mercado, diminuindo as taxas de juros e puxando os valores para baixo. Além disso, o banco reconhece em seu balanço o expressivo crescimento dos ganhos obtidos com títulos baseados na taxa Selic.
Na contrapartida dos bons resultados, está ainda o aumento da exploração de bancários e clientes. Os trabalhadores ainda sofrem com a forte pressão pelo cumprimento de metas abusivas e com a falta de funcionários, que sobrecarrega a todos. Além disso, o ganho médio do banco por cliente cresceu 12,4%, demonstrando um significativo aumento das tarifas bancárias.
Fonte: Boletim Eletrônico do Sindicato dos Bancários do Ceará - SEEB/CE • Fortaleza, 15 de fevereiro de 2012
Quanto "fatura" um professor por dia?
AULA DE MATEMÁTICA
Autor desconhecido
Hoje vou brincar de professor de matemática. Vou passar alguns problemas para vocês resolverem.
Problema nº1 - Um professor trabalha 5 horas diárias, 5 salas com 40 alunos cada. Quantos alunos ele atenderá por dia?
Resposta: 200 alunos dia.
Se considerarmos 22 dias úteis. Quantos alunos ele atenderá por mês?
Resposta: 4.400 alunos por mês.
Consideremos que nenhum aluno faltou (hahaha) e, que em cada um deles, resolveram pagar ao professor com o dinheiro da pipoca do lanche: 0,80 centavos, diárias. Quanto é a fatura do professor por dia?
R: 160,00 reais diários
Se considerarmos 22 dias úteis. Quanto é faturamento mensal do mesmo professor?
R: Final do mês ele terá a faturado R$ 3.520,00.
Problema nº2- O piso salarial é 1.187 reais, para o professor atender 4.400 alunos mensais. Quanto o professor fatura por cada atendimento?
Resposta: aproximadamente 0,27 mensais(vixe, valemos menos que o pacote de pipoca)... continuando os exercícios...
Problema nº3- Um professor de padrão de vida simples,solteiro e numa cidade do interior, em atividade, tem as seguintes despesas mensais fixas e variáveis :
Sindicato: R$12,00reais
Aluguel: R$350,00reais ( pra não viver confortável)
Agua/energia elétrica: R$100,00 reais (usando o mínimo)
Acesso à internet: R$60,00 reais
Telefone: R$30,00 reais (com restrições de ligações)
Instituto de previdência: R$150,00 reais
Cesta básica: R$500,00 reais
Transporte: sem dinheiro
Roupas: promocionais
Quanto um professor gasta em um mês?
Total das despesas: R$1202,00
Qual o saldo mensal de um professor?
Saldo mensal: R$1187,00 - 1202= -15 reais, passando necessidades
Agora eu te pergunto:
- Que dinheiro o professor terá para seu fim de semana?
- Quanto o professor poderá gastar com estudos, livros, revistas, etc.
- Quanto vale o trabalho de um professor??
- Isso é bom para o aluno???
- Isso é bom para a educação pública do Brasil??
Agora olhem a pérola que o Sr. Governador do Ceará disse:
" Quem quiser dar aula faça isso por gosto, e não pelo salário.
Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado!"
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