É grande, em Fortaleza, o consumo de camaral de origem extrativista e de cultivo em cativeiro.
Próxima quinta-feira, dia 23/04, às 14 horas, na Câmara Municipal de Fortaleza, haverá audiência pública sobre o consumo de camarão de cativeiro em Fortaleza, requerida pelo vereador João Alfredo, por demanda do movimento socioambiental, quando da vinda do barco do Greenpeace à cidade.
O gabinete do vereador chama à participação tod@s @s interessad@s no debate.
domingo, 19 de abril de 2009
Reunião Prepara Conferência Estadual de Saúde Ambiental
Gente, estamos na fase-chave de compor a Comissão Organizadora da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental. Veja os esclarecimentos abaixo e vamos lá!
Abraço,
Raquel Maria Rigotto
Profa. Departamento de Saúde Comunitária
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade
Faculdade de Medicina
Universidade Federal do Ceará
Reunião dia 24 de abril, às 8:30 horas na sala do Conselho Estadual de Saúde, na Av. Almirante Barroso, 600 - Praia de Iracema
Companheir@s,
De 8 a 12 de dezembro deste ano será realizada a I Conferência Nacional de Saúde Ambiental. Trata-se de um momento histórico dos mais importantes se considerarmos que as transformações ambientais decorrentes do modelo de desenvolvimento adotado em nossa sociedade capitalista se agravam e se intensificam no contexto atual de implantação dos projetos previstos no âmbito do PAC nos diversos territórios do nosso Brasil, o que tem trazido significativas implicações para o modo de vida e para a saúde das comunidades.
Para a construção da I Conferência Estadual de Saúde Ambiental, consideramos ser de fundamental importância o envolvimento dos movimentos socioambientais, ONGs, lideranças comunitárias, instituições, grupos de pesquisa e outros comprometid@s com a justiça social e ambiental, a fim de que possamos garantir uma efetiva participação de seus representantes no debate e como delegados nas Conferências e que de fato as questões centrais que afligem as comunidades vulnerabilizadas em seu modo de vida, cultura, qualidade de vida e saúde, sejam debatidas de forma aprofundada e crítica.
É com esse intuito que @s convidamos para uma reunião dia 24 de abril, às 8:30 horas na sala do Conselho Estadual de Saúde, na Av. Almirante Barroso, 600 - Praia de Iracema, oportunidade em que será discutida a formação de uma comissão provisória para organização da Etapa Estadual da Conferência.
Veja abaixo material informativo sobre os eixos e objetivos da Conferência.
Grande abraço e até lá!
Ana Cláudia
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade da UFC (Universidade Federal do Ceará)
1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE AMBIENTAL
- 1ª CNSA 2009
Lema:
Saúde e Ambiente: vamos cuidar da gente!
Tema:
A Saúde Ambiental na cidade, no campo e na floresta: Construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis.
Realizada por:
Ministérios das Cidades, do Meio Ambiente e da Saúde
Coordenada por:
Comissão Organizadora Nacional
Etapas preparatórias e datas da 1ª CNSA:
Conferências Municipais e Intermunicipais – até 15 de agosto de 2009
Conferências Estaduais e do Distrito Federal – até 15 de outubro de 2009
Conferência Nacional – 08 a 12 de dezembro de 2009, em Brasília.
Objetivos da 1ª CNSA:
Geral:
Definir diretrizes para a política pública integrada no campo da saúde ambiental, a partir da atuação transversal e intersetorial dos vários atores envolvidos com o tema.
Específicos:
Promover e ampliar a consciência sanitária, política e ambiental da população sobre os determinantes socioambientais num conceito ampliado de saúde;
Promover o debate social sobre as relações de saúde, ambiente e desenvolvimento, no sentido de ampliar a participação da sociedade civil na construção de propostas e conhecimentos que garantam a qualidade de vida e saúde das populações em seus territórios;
Identificar na sociedade civil as experiências positivas que estão sendo feitas territorialmente e em contexto participativo os problemas referentes ao binômio saúde-ambiente e as demandas da sociedade para o poder público;
Fortalecer iniciativas que promovam o exercício da cidadania e a garantia do direito à saúde junto ao poder público no sentido de dotar o aparelho do Estado de instrumentos e instituições sustentáveis (sistemas integrados) relacionados à saúde ambiental.
Eixos:
1) Desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental no campo, na cidade e na floresta;
2) Trabalho, ambiente e saúde: desafios dos procesos de produção e consumo nos territórios;
3) Democracia, saúde, ambiente e educação: políticas para construção de territórios sustentáveis.
Participação e Representatividade:
Movimentos Sociais da cidade, campo e florestas (30%);
Trabalhadores formais e informais (associações, sindicatos, federações e confederações de trabalhadores) (15%);
Setor Empresarial (sindicatos, federações e confederações empresariais) (10%);
Entidades Profissionais, Acadêmicas e de Pesquisa (10%);
Organizações Não Governamentais (5%);
Poder Público Federal (6%), Estadual (9%) e Municipal (15%), sendo que os representantes do Poder Público Federal serão indicados pelo Executivo e Congresso Nacional.
A Conferência Nacional de Saúde Ambiental será composta por 2.000 delegados(as) e mais, no máximo, 10% entre convidados e observadores (nacionais e internacionais).
Os membros da comissão organizadora nacional, indicados pelos Conselhos serão delegados (26) e mais os delegados indicados entre os conselheiros dos Conselhos Nacionais, sendo: Cidades (30), Meio Ambiente (20), Recursos Hídricos (10) e Saúde (30);
Serão delegados 2 representantes indicados pelos Conselhos Nacionais: Educação, Desenvolvimento e Agricultura Familiar e outros;
Os demais delegados serão eleitos nas conferências estaduais de acordo com a proporcionalidade populacional de cada estado.
Abraço,
Raquel Maria Rigotto
Profa. Departamento de Saúde Comunitária
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade
Faculdade de Medicina
Universidade Federal do Ceará
Reunião dia 24 de abril, às 8:30 horas na sala do Conselho Estadual de Saúde, na Av. Almirante Barroso, 600 - Praia de Iracema
Companheir@s,
De 8 a 12 de dezembro deste ano será realizada a I Conferência Nacional de Saúde Ambiental. Trata-se de um momento histórico dos mais importantes se considerarmos que as transformações ambientais decorrentes do modelo de desenvolvimento adotado em nossa sociedade capitalista se agravam e se intensificam no contexto atual de implantação dos projetos previstos no âmbito do PAC nos diversos territórios do nosso Brasil, o que tem trazido significativas implicações para o modo de vida e para a saúde das comunidades.
Para a construção da I Conferência Estadual de Saúde Ambiental, consideramos ser de fundamental importância o envolvimento dos movimentos socioambientais, ONGs, lideranças comunitárias, instituições, grupos de pesquisa e outros comprometid@s com a justiça social e ambiental, a fim de que possamos garantir uma efetiva participação de seus representantes no debate e como delegados nas Conferências e que de fato as questões centrais que afligem as comunidades vulnerabilizadas em seu modo de vida, cultura, qualidade de vida e saúde, sejam debatidas de forma aprofundada e crítica.
É com esse intuito que @s convidamos para uma reunião dia 24 de abril, às 8:30 horas na sala do Conselho Estadual de Saúde, na Av. Almirante Barroso, 600 - Praia de Iracema, oportunidade em que será discutida a formação de uma comissão provisória para organização da Etapa Estadual da Conferência.
Veja abaixo material informativo sobre os eixos e objetivos da Conferência.
Grande abraço e até lá!
Ana Cláudia
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade da UFC (Universidade Federal do Ceará)
1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE AMBIENTAL
- 1ª CNSA 2009
Lema:
Saúde e Ambiente: vamos cuidar da gente!
Tema:
A Saúde Ambiental na cidade, no campo e na floresta: Construindo cidadania, qualidade de vida e territórios sustentáveis.
Realizada por:
Ministérios das Cidades, do Meio Ambiente e da Saúde
Coordenada por:
Comissão Organizadora Nacional
Etapas preparatórias e datas da 1ª CNSA:
Conferências Municipais e Intermunicipais – até 15 de agosto de 2009
Conferências Estaduais e do Distrito Federal – até 15 de outubro de 2009
Conferência Nacional – 08 a 12 de dezembro de 2009, em Brasília.
Objetivos da 1ª CNSA:
Geral:
Definir diretrizes para a política pública integrada no campo da saúde ambiental, a partir da atuação transversal e intersetorial dos vários atores envolvidos com o tema.
Específicos:
Promover e ampliar a consciência sanitária, política e ambiental da população sobre os determinantes socioambientais num conceito ampliado de saúde;
Promover o debate social sobre as relações de saúde, ambiente e desenvolvimento, no sentido de ampliar a participação da sociedade civil na construção de propostas e conhecimentos que garantam a qualidade de vida e saúde das populações em seus territórios;
Identificar na sociedade civil as experiências positivas que estão sendo feitas territorialmente e em contexto participativo os problemas referentes ao binômio saúde-ambiente e as demandas da sociedade para o poder público;
Fortalecer iniciativas que promovam o exercício da cidadania e a garantia do direito à saúde junto ao poder público no sentido de dotar o aparelho do Estado de instrumentos e instituições sustentáveis (sistemas integrados) relacionados à saúde ambiental.
Eixos:
1) Desenvolvimento e sustentabilidade socioambiental no campo, na cidade e na floresta;
2) Trabalho, ambiente e saúde: desafios dos procesos de produção e consumo nos territórios;
3) Democracia, saúde, ambiente e educação: políticas para construção de territórios sustentáveis.
Participação e Representatividade:
Movimentos Sociais da cidade, campo e florestas (30%);
Trabalhadores formais e informais (associações, sindicatos, federações e confederações de trabalhadores) (15%);
Setor Empresarial (sindicatos, federações e confederações empresariais) (10%);
Entidades Profissionais, Acadêmicas e de Pesquisa (10%);
Organizações Não Governamentais (5%);
Poder Público Federal (6%), Estadual (9%) e Municipal (15%), sendo que os representantes do Poder Público Federal serão indicados pelo Executivo e Congresso Nacional.
A Conferência Nacional de Saúde Ambiental será composta por 2.000 delegados(as) e mais, no máximo, 10% entre convidados e observadores (nacionais e internacionais).
Os membros da comissão organizadora nacional, indicados pelos Conselhos serão delegados (26) e mais os delegados indicados entre os conselheiros dos Conselhos Nacionais, sendo: Cidades (30), Meio Ambiente (20), Recursos Hídricos (10) e Saúde (30);
Serão delegados 2 representantes indicados pelos Conselhos Nacionais: Educação, Desenvolvimento e Agricultura Familiar e outros;
Os demais delegados serão eleitos nas conferências estaduais de acordo com a proporcionalidade populacional de cada estado.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
NOTA REPUDIA PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA
NOTA PÚBLICA SOBRE PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA
As organizações abaixo assinadas manifestam-se totalmente contrárias à tentativa de extinguir o licenciamento ambiental para pavimentação de estradas abertas conforme previsto no projeto de lei de conversão da medida provisória 452/2008 aprovado ontem (14/04) pela Câmara dos Deputados. A proposta pretende burlar a Constituição Federal, uma vez que é notório que o impacto maior ocorre após a pavimentação.
Do mesmo modo consideramos inaceitável o asfaltamento da BR 319, obra sem viabilidade ou justificativa comprovadas, desconectada de qualquer projeto de desenvolvimento regional. A prioridade dada a essa estrada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atende interesses outros que não a ligação entre duas capitais do norte do país. O asfaltamento da BR 319 servirá apenas para abrir a região mais remota e preservada da Amazônia à ocupação desordenada, além de deteriorar, via forte pressão migratória, a qualidade de vida da cidade de Manaus.
A pavimentação de estradas é o maior vetor de desmatamentos na Amazônia. Historicamente 75% dos desmatamentos da região ocorreram ao longo das rodovias pavimentadas, como ocorreu na Belém-Brasília (BR 010), na Cuiabá-Porto Velho (BR 364) e no trecho matogrossense da Cuiabá-Santarém (BR 163). O simples anúncio do asfaltamento já é suficiente para estimular o desmatamento e a grilagem, como ocorreu na BR 163, apontada como modelo de implementaçao de infra-estrutura viária na amazônia, mas, ainda assim, uma das regiões onde o desmatamento mais cresceu nos últimos anos.
Essas iniciativas ameaçam a sustentabilidade da região e põem em risco as metas de redução de desmatamento assumidas pelo governo brasileiro no Plano Nacional de udanças Climáticas.
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
Instittuto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)
Instituto Socioambiental (ISA)
The Nature Conservancy (TNC)
WWF Brasil
As organizações abaixo assinadas manifestam-se totalmente contrárias à tentativa de extinguir o licenciamento ambiental para pavimentação de estradas abertas conforme previsto no projeto de lei de conversão da medida provisória 452/2008 aprovado ontem (14/04) pela Câmara dos Deputados. A proposta pretende burlar a Constituição Federal, uma vez que é notório que o impacto maior ocorre após a pavimentação.
Do mesmo modo consideramos inaceitável o asfaltamento da BR 319, obra sem viabilidade ou justificativa comprovadas, desconectada de qualquer projeto de desenvolvimento regional. A prioridade dada a essa estrada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atende interesses outros que não a ligação entre duas capitais do norte do país. O asfaltamento da BR 319 servirá apenas para abrir a região mais remota e preservada da Amazônia à ocupação desordenada, além de deteriorar, via forte pressão migratória, a qualidade de vida da cidade de Manaus.
A pavimentação de estradas é o maior vetor de desmatamentos na Amazônia. Historicamente 75% dos desmatamentos da região ocorreram ao longo das rodovias pavimentadas, como ocorreu na Belém-Brasília (BR 010), na Cuiabá-Porto Velho (BR 364) e no trecho matogrossense da Cuiabá-Santarém (BR 163). O simples anúncio do asfaltamento já é suficiente para estimular o desmatamento e a grilagem, como ocorreu na BR 163, apontada como modelo de implementaçao de infra-estrutura viária na amazônia, mas, ainda assim, uma das regiões onde o desmatamento mais cresceu nos últimos anos.
Essas iniciativas ameaçam a sustentabilidade da região e põem em risco as metas de redução de desmatamento assumidas pelo governo brasileiro no Plano Nacional de udanças Climáticas.
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
Instittuto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)
Instituto Socioambiental (ISA)
The Nature Conservancy (TNC)
WWF Brasil
Amazônia: moeda de troca do PAC
Deputado José Guimarães aprova MP que dispensa licença ambiental
Amazônia: moeda de troca do PAC
*Para governo, Amazônia desponta como a melhor estrada para levar Dilma à presidência*
*Brasília (DF), 15 de abril de 2009* - Em um ato de inaceitável oportunismo político, o plenário da Câmara aprovou ontem emenda proposta pelo deputado petista José Guimarães (CE) que dispensa de licença ambiental prévia as obras em rodovias brasileiras. A medida, que serve para acelerar as obras do PAC, foi incluída na Medida Provisória (MP) 425/2008, que tinha como propósito autorizar o governo federal a usar títulos da dívida pública para injetar recursos no Fundo Soberano do Brasil (FSB). O deputado José Guimarães é também o relator da matéria.
A medida fixa um prazo máximo de 60 dias para que a autoridade ambiental, como o Ibama, emita o licenciamento ambiental. Ao final desse prazo, a licença será automática. A emenda altera a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei No 6.938, 81), reduzindo as medidas que garantem a devida análise dos impactos ambientais e a definição de medidas mitigadoras e compensatórias em obras de infra-estrutura como essas.
"O deputado José Guimarães é o mesmo que teve um assessor flagrado com dólares escondidos na cueca. Agora, ele usa o mesmo artifício para enfiar, em uma MP de caráter econômico, um corpo estranho que acaba com a exigência de licenciamento ambiental prévio nas obras de infra-estrutura. Hoje é uma estrada. Amanhã será uma hidroelétrica?", questiona Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do reenpeace. "Pior: ao conceder automaticamente a licença depois do prazo máximo, o governo resgata um artifício usado durante a ditadura militar para legitimar seus interesses escusos - com o agravante de que a medida passa a valer pra todo mundo".
Diversos estudos apontam que 75% do desmatamento ocorrem ao longo de estradas avimentadas da região. Em muitos casos, como na rodovia BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), somente o anúncio do asfaltamento no restante da estrada estimulou enorme migração de fazendeiros e madeireiros, o que resultou em altas taxas de esmatamento e modificação drástica da paisagem.
Até o fim de 2010, o PAC prevê a modernização, a pavimentação e a duplicação de quase duas dezenas de estradas, ao custo de mais de R$ 8 bilhões em investimentos públicos e privados. Entre as rodovias beneficiadas está a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), cujo asfaltamento é defendido com unhas e dentes pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, com o objetivo de pavimentar sua candidatura ao governo do estado do Amazonas em 2010.
Durante a votação, poucos deputados preocupados com os impactos ambientais dessa medida tentaram excluir da MP 425/2008 a dispensa do licenciamento, mas sem sucesso. Governistas derrubaram os dois destaques sobre o licenciamento. Ficou para esta quarta a votação de um último destaque sem relação com esses itens. Após concluída a votação, a MP 452 vai para o Senado.
Se aprovada pelo Senado, a emenda do deputado José Guimarães pode causar danos sem precedentes ao meio ambiente, em particular à Amazônia e o clima global. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa por causa da destruição da Amazônia. Zerar o desmatamento é a principal contribuição do país na luta contra as mudanças climáticas.
No entanto, iniciativas como a emenda do deputado José Guimarães, somada a outras em tramitação no Congresso - como o Floresta Zero, a MP da Grilagem e o lobby pelas alterações do Código Florestal - colocam em cheque as metas de redução de desmatamento assumidas internacionalmente pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
"A campanha eleitoral, antecipada pelo presidente Lula para eleger a chefe da Casa Civil como sua sucessora, virou um trator que derruba tudo pela frente. A política ambiental está sendo sacrificada deliberadamente no altar da sucessão presidencial. E que a ministra Dilma não tenha dúvidas: o PAC, que poderia perfeitamente ser rebatizado de Plano de Aceleração da Catástrofe, vai abrir uma cicatriz irreparável na política ambiental brasileira e na imagem do país no exterior. E, desta vez, não haverá plástica que dê jeito", disse Adário.
Saiba mais:
Leia íntegra da nota de repúdio das organizações não-governamentais sobre o
assunto.
A NOTA DAS ONGS:
NOTA PÚBLICA SOBRE PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA
As organizações abaixo assinadas manifestam-se totalmente contrárias à tentativa de extinguir o licenciamento ambiental para pavimentação de estradas abertas conforme previsto no projeto de lei de conversão da medida provisória 452/2008 aprovado ontem (14/04) pela Câmara dos Deputados. A proposta pretende burlar a Constituição Federal, uma vez que é notório que o impacto maior ocorre após a pavimentação.
Do mesmo modo consideramos inaceitável o asfaltamento da BR 319, obra sem viabilidade ou justificativa comprovadas, desconectada de qualquer projeto de desenvolvimento regional. A prioridade dada a essa estrada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atende interesses outros que não a ligação entre duas capitais do norte do país. O asfaltamento da BR 319 servirá apenas para abrir a região mais remota e preservada da Amazônia à ocupação desordenada, além de deteriorar, via forte pressão migratória, a qualidade de vida da cidade de Manaus.
A pavimentação de estradas é o maior vetor de desmatamentos na Amazônia. Historicamente 75% dos desmatamentos da região ocorreram ao longo das rodovias pavimentadas, como ocorreu na Belém-Brasília (BR 010), na Cuiabá-Porto Velho (BR 364) e no trecho matogrossense da Cuiabá-Santarém (BR 163). O simples anúncio do asfaltamento já é suficiente para estimular o desmatamento e a grilagem, como ocorreu na BR 163, apontada como modelo de implementaçao de infra-estrutura viária na amazônia, mas, ainda assim, uma das regiões onde o desmatamento mais cresceu nos últimos anos.
Essas iniciativas ameaçam a sustentabilidade da região e põem em risco as metas de redução de desmatamento assumidas pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
Instittuto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)
Instituto Socioambiental (ISA)
The Nature Conservancy (TNC)
WWF Brasil
Amazônia: moeda de troca do PAC
*Para governo, Amazônia desponta como a melhor estrada para levar Dilma à presidência*
*Brasília (DF), 15 de abril de 2009* - Em um ato de inaceitável oportunismo político, o plenário da Câmara aprovou ontem emenda proposta pelo deputado petista José Guimarães (CE) que dispensa de licença ambiental prévia as obras em rodovias brasileiras. A medida, que serve para acelerar as obras do PAC, foi incluída na Medida Provisória (MP) 425/2008, que tinha como propósito autorizar o governo federal a usar títulos da dívida pública para injetar recursos no Fundo Soberano do Brasil (FSB). O deputado José Guimarães é também o relator da matéria.
A medida fixa um prazo máximo de 60 dias para que a autoridade ambiental, como o Ibama, emita o licenciamento ambiental. Ao final desse prazo, a licença será automática. A emenda altera a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei No 6.938, 81), reduzindo as medidas que garantem a devida análise dos impactos ambientais e a definição de medidas mitigadoras e compensatórias em obras de infra-estrutura como essas.
"O deputado José Guimarães é o mesmo que teve um assessor flagrado com dólares escondidos na cueca. Agora, ele usa o mesmo artifício para enfiar, em uma MP de caráter econômico, um corpo estranho que acaba com a exigência de licenciamento ambiental prévio nas obras de infra-estrutura. Hoje é uma estrada. Amanhã será uma hidroelétrica?", questiona Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do reenpeace. "Pior: ao conceder automaticamente a licença depois do prazo máximo, o governo resgata um artifício usado durante a ditadura militar para legitimar seus interesses escusos - com o agravante de que a medida passa a valer pra todo mundo".
Diversos estudos apontam que 75% do desmatamento ocorrem ao longo de estradas avimentadas da região. Em muitos casos, como na rodovia BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), somente o anúncio do asfaltamento no restante da estrada estimulou enorme migração de fazendeiros e madeireiros, o que resultou em altas taxas de esmatamento e modificação drástica da paisagem.
Até o fim de 2010, o PAC prevê a modernização, a pavimentação e a duplicação de quase duas dezenas de estradas, ao custo de mais de R$ 8 bilhões em investimentos públicos e privados. Entre as rodovias beneficiadas está a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), cujo asfaltamento é defendido com unhas e dentes pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, com o objetivo de pavimentar sua candidatura ao governo do estado do Amazonas em 2010.
Durante a votação, poucos deputados preocupados com os impactos ambientais dessa medida tentaram excluir da MP 425/2008 a dispensa do licenciamento, mas sem sucesso. Governistas derrubaram os dois destaques sobre o licenciamento. Ficou para esta quarta a votação de um último destaque sem relação com esses itens. Após concluída a votação, a MP 452 vai para o Senado.
Se aprovada pelo Senado, a emenda do deputado José Guimarães pode causar danos sem precedentes ao meio ambiente, em particular à Amazônia e o clima global. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa por causa da destruição da Amazônia. Zerar o desmatamento é a principal contribuição do país na luta contra as mudanças climáticas.
No entanto, iniciativas como a emenda do deputado José Guimarães, somada a outras em tramitação no Congresso - como o Floresta Zero, a MP da Grilagem e o lobby pelas alterações do Código Florestal - colocam em cheque as metas de redução de desmatamento assumidas internacionalmente pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
"A campanha eleitoral, antecipada pelo presidente Lula para eleger a chefe da Casa Civil como sua sucessora, virou um trator que derruba tudo pela frente. A política ambiental está sendo sacrificada deliberadamente no altar da sucessão presidencial. E que a ministra Dilma não tenha dúvidas: o PAC, que poderia perfeitamente ser rebatizado de Plano de Aceleração da Catástrofe, vai abrir uma cicatriz irreparável na política ambiental brasileira e na imagem do país no exterior. E, desta vez, não haverá plástica que dê jeito", disse Adário.
Saiba mais:
Leia íntegra da nota de repúdio das organizações não-governamentais sobre o
assunto.
A NOTA DAS ONGS:
NOTA PÚBLICA SOBRE PAVIMENTAÇÃO DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA
As organizações abaixo assinadas manifestam-se totalmente contrárias à tentativa de extinguir o licenciamento ambiental para pavimentação de estradas abertas conforme previsto no projeto de lei de conversão da medida provisória 452/2008 aprovado ontem (14/04) pela Câmara dos Deputados. A proposta pretende burlar a Constituição Federal, uma vez que é notório que o impacto maior ocorre após a pavimentação.
Do mesmo modo consideramos inaceitável o asfaltamento da BR 319, obra sem viabilidade ou justificativa comprovadas, desconectada de qualquer projeto de desenvolvimento regional. A prioridade dada a essa estrada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) atende interesses outros que não a ligação entre duas capitais do norte do país. O asfaltamento da BR 319 servirá apenas para abrir a região mais remota e preservada da Amazônia à ocupação desordenada, além de deteriorar, via forte pressão migratória, a qualidade de vida da cidade de Manaus.
A pavimentação de estradas é o maior vetor de desmatamentos na Amazônia. Historicamente 75% dos desmatamentos da região ocorreram ao longo das rodovias pavimentadas, como ocorreu na Belém-Brasília (BR 010), na Cuiabá-Porto Velho (BR 364) e no trecho matogrossense da Cuiabá-Santarém (BR 163). O simples anúncio do asfaltamento já é suficiente para estimular o desmatamento e a grilagem, como ocorreu na BR 163, apontada como modelo de implementaçao de infra-estrutura viária na amazônia, mas, ainda assim, uma das regiões onde o desmatamento mais cresceu nos últimos anos.
Essas iniciativas ameaçam a sustentabilidade da região e põem em risco as metas de redução de desmatamento assumidas pelo governo brasileiro no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
Instittuto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON)
Instituto Socioambiental (ISA)
The Nature Conservancy (TNC)
WWF Brasil
domingo, 12 de abril de 2009
Índios do Ceará: nossa força é nosso chão
Por: Maria Amélia Leite


Ademir, Wanda, Daniel, Josael, Dr. João Alfredo, Professor José Bessa, Nino, Ercília, Senhorinha, Gigi, Cristhiam, Amaro, Levi, Jeovah, Max, Isorlanda, Fábio, Edson, Eliene, João Paulo, Alexandre, Rogério, Cordeiro, Arnaldo e os amigos todos, de longe e de perto, conhecidos e desconhecidos, a todos os amigos da primeira hora, vocês nem imaginam o quanto estão contribuindo para reforçar a nossa coragem com essa solidariedade incrivel, que é maior que gentileza !
Agradecida a vocês todos neste momento de dificuldade e insegurança. diante dessa ameaça contida na
Ação Popular contra nós, a Missão e eu, ainda que na minha compreensão, a ameaça maior é sobre os Povos Indigenas e a demarcação de suas terras tradicionais, inclusive a terra dos Tremembé Córrego
João Pereira, localizada no Itarema e Acarau, neste estado. A única terra indigena regularizada e a proposta é exatamente o anúncio da anulação desse ato demarcatório pelo governo federal, e, assim, certamente, o grande plano de fechar o cerco à demarcação das terras indigenas no Ceará.
Hoje à tarde escutei uma entrevista com o Dr. Sérgio Leitão, primeiro advogado dos TAPEBA, atualmente
no GreenPeace e o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B), sobre a questão da demarcação da terra da Raposa Serra do Sol. E o Dr. Sérgio falou na proposta desse Deputado um Projeto na Câmara Federal, para anulação da decisão do STF, na demarcação contínua dessa terra em Roraima.
É uma ação violenta contra os direitos indígenas, vindo de diversas direções, inclusive ações inconstitucionais. E eu fico pensando que cada dia se revela a necessidade de uma ação conjunta, a partir da nossa fé, da nossa espiritualidade, sobretudo neste tempo da Ressurreição de Jesus, e a partir da espiritualidade indígena, a força dos Encantados de seus ancestrais, poderemos nos fortalecer e superar essa onda de perseguição e maleficios.
Estou desejando muito que o maior número de amigos em Fortaleza participem da NOITE CULTURAL que será realizada no próximo dia 16 deste, a partir das 18:30h, no Centro Cultural Dragão do Mar, parte das comemorações da Semana dos Povos Indigenas, promovida pelo Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos-CDPDH, da Arquidiocese de Fortaleza. Vamos somar forças, abrilhantar essa noite de rituais sagrados dos Povos Indigenas no Ceará, com a nossa solidária presença e muito carinho por esses povos que vêm resistindo secularmente para garantir as suas terras, as suas culturas e as suas vidas.
Vamos, com esse nosso gesto, demonstrar nosso compromisso na defesa intransigente dessa luta comum, aos povos que garantiram para nós, desde tempos imemoriais, a terra em que vivemos, hoje.
O Pajé Luis Caboco, Tremembé de Almofala, nos revela, com a sua sabedoria, o caminho da resistência:
"antes, para nós viver, tivemos que se calar;
hoje, para nós viver, temos que falar".
Leia mais, neste blog:
Agressão na Justiça contra a missionária Maria Amélia e a Missão Tremembé


Ademir, Wanda, Daniel, Josael, Dr. João Alfredo, Professor José Bessa, Nino, Ercília, Senhorinha, Gigi, Cristhiam, Amaro, Levi, Jeovah, Max, Isorlanda, Fábio, Edson, Eliene, João Paulo, Alexandre, Rogério, Cordeiro, Arnaldo e os amigos todos, de longe e de perto, conhecidos e desconhecidos, a todos os amigos da primeira hora, vocês nem imaginam o quanto estão contribuindo para reforçar a nossa coragem com essa solidariedade incrivel, que é maior que gentileza !
Agradecida a vocês todos neste momento de dificuldade e insegurança. diante dessa ameaça contida na
Ação Popular contra nós, a Missão e eu, ainda que na minha compreensão, a ameaça maior é sobre os Povos Indigenas e a demarcação de suas terras tradicionais, inclusive a terra dos Tremembé Córrego
João Pereira, localizada no Itarema e Acarau, neste estado. A única terra indigena regularizada e a proposta é exatamente o anúncio da anulação desse ato demarcatório pelo governo federal, e, assim, certamente, o grande plano de fechar o cerco à demarcação das terras indigenas no Ceará.
Hoje à tarde escutei uma entrevista com o Dr. Sérgio Leitão, primeiro advogado dos TAPEBA, atualmente
no GreenPeace e o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B), sobre a questão da demarcação da terra da Raposa Serra do Sol. E o Dr. Sérgio falou na proposta desse Deputado um Projeto na Câmara Federal, para anulação da decisão do STF, na demarcação contínua dessa terra em Roraima.
É uma ação violenta contra os direitos indígenas, vindo de diversas direções, inclusive ações inconstitucionais. E eu fico pensando que cada dia se revela a necessidade de uma ação conjunta, a partir da nossa fé, da nossa espiritualidade, sobretudo neste tempo da Ressurreição de Jesus, e a partir da espiritualidade indígena, a força dos Encantados de seus ancestrais, poderemos nos fortalecer e superar essa onda de perseguição e maleficios.
Estou desejando muito que o maior número de amigos em Fortaleza participem da NOITE CULTURAL que será realizada no próximo dia 16 deste, a partir das 18:30h, no Centro Cultural Dragão do Mar, parte das comemorações da Semana dos Povos Indigenas, promovida pelo Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos-CDPDH, da Arquidiocese de Fortaleza. Vamos somar forças, abrilhantar essa noite de rituais sagrados dos Povos Indigenas no Ceará, com a nossa solidária presença e muito carinho por esses povos que vêm resistindo secularmente para garantir as suas terras, as suas culturas e as suas vidas.
Vamos, com esse nosso gesto, demonstrar nosso compromisso na defesa intransigente dessa luta comum, aos povos que garantiram para nós, desde tempos imemoriais, a terra em que vivemos, hoje.
O Pajé Luis Caboco, Tremembé de Almofala, nos revela, com a sua sabedoria, o caminho da resistência:
"antes, para nós viver, tivemos que se calar;
hoje, para nós viver, temos que falar".
Leia mais, neste blog:
Agressão na Justiça contra a missionária Maria Amélia e a Missão Tremembé
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Articulação da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental
Oi Gente do Bem!
Vamos ter uma Videoconferência, no dia 8 de abril. É o momento de lançamento da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental para o país inteiro.
É importante que nossas entidades e movimentos já estejam presentes desde este momento para se apropriar do tema e já ir entrando no grupo que deve articular a Comissão Organizadora no Ceará
Sem a vida que podemos dar a este evento, ele corre o risco de ser mais um apenas. Vamos colocar os territórios atingidos por conflitos sócio-ambientais para falar, vamos dar visibilidade às injustiçcas e também às alternativas que estamos construindo! Vamos ocupar este espaço que foi conquistado por nós!
A videoconferencia será das 15 às 17 horas, na sala do Interlegis na Assembléia Legislativa.
Abraço fraterno,
Raquel
--
Raquel Maria Rigotto
Profa. Departamento de Saúde Comunitária
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade
Faculdade de Medicina
Universidade Federal do Ceará
Vamos ter uma Videoconferência, no dia 8 de abril. É o momento de lançamento da I Conferência Nacional de Saúde Ambiental para o país inteiro.
É importante que nossas entidades e movimentos já estejam presentes desde este momento para se apropriar do tema e já ir entrando no grupo que deve articular a Comissão Organizadora no Ceará
Sem a vida que podemos dar a este evento, ele corre o risco de ser mais um apenas. Vamos colocar os territórios atingidos por conflitos sócio-ambientais para falar, vamos dar visibilidade às injustiçcas e também às alternativas que estamos construindo! Vamos ocupar este espaço que foi conquistado por nós!
A videoconferencia será das 15 às 17 horas, na sala do Interlegis na Assembléia Legislativa.
Abraço fraterno,
Raquel
--
Raquel Maria Rigotto
Profa. Departamento de Saúde Comunitária
Núcleo TRAMAS - Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade
Faculdade de Medicina
Universidade Federal do Ceará
"Ele é o CARA"
Fiquei empolgado com este artigo, pois diz muito do que penso. Reparto-o com você.
Por: Marcelo Cunha*
Do Terra Magazine
É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir,
berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o
Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man,
e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque
anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.
Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha
relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres:
gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas!
Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da
nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao
mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o
que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um
estadista, o maior que já tivemos.
Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo,
do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre
daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal "tenho
todos os meus dentes e conheço o meu pai". Uffff.
Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto
aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o
Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a
nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma
nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o
Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América
Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um
grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus
interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os
que nos rodeiam.
Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o
saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis
(inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos
viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar
no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula
ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus
piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela.
Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador,
fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser.
Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa
biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura
moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal,
coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é
lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes
assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em
comércio, bom para todos.
Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política
econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém
acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às
quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava
heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano.
Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite
econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam
dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o
mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho
em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.
O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que
soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje
nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT.
Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.
Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e
emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma
beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto
insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos
talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça.
Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre
"banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de
economia" que hoje é repetida no mundo inteiro?
Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país
sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo,
acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos
em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e
Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros,
eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para
aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra
para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha
gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance
de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida
do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.
Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente
todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada,
digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a
minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas
outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o
cara. O Cara, a nossa cara.
Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira
pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que
isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um
desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto
admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem
recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que
tanto precisamos.
Dizer "Esse é o cara" afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula.
Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos,
sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo,
até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo
que o século 21 nos traz.
*Marcelo Cunha é escritor e jornalista
Por: Marcelo Cunha*
Do Terra Magazine
É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir,
berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o
Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man,
e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque
anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.
Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha
relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres:
gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas!
Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da
nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao
mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o
que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um
estadista, o maior que já tivemos.
Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo,
do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre
daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal "tenho
todos os meus dentes e conheço o meu pai". Uffff.
Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto
aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o
Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a
nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma
nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o
Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América
Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um
grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus
interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os
que nos rodeiam.
Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o
saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis
(inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos
viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar
no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula
ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus
piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela.
Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador,
fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser.
Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa
biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura
moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal,
coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é
lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes
assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em
comércio, bom para todos.
Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política
econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém
acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às
quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava
heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano.
Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite
econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam
dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o
mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho
em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.
O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que
soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje
nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT.
Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.
Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e
emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma
beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto
insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos
talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça.
Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre
"banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de
economia" que hoje é repetida no mundo inteiro?
Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país
sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo,
acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos
em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e
Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros,
eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para
aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra
para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha
gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance
de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida
do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.
Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente
todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada,
digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a
minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas
outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o
cara. O Cara, a nossa cara.
Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira
pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que
isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um
desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto
admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem
recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que
tanto precisamos.
Dizer "Esse é o cara" afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula.
Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos,
sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo,
até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo
que o século 21 nos traz.
*Marcelo Cunha é escritor e jornalista
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