Por
José Lemos
Engenheiro Agrônomo.
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará.
lemos@ufc.br.
Entre os dias 25 e 27 de fevereiro de 2008, a Rede Universitária de Pesquisadores sobre a América Latina – RUPAL, que reúne professores da Universidade Federal do Ceará (UFC), promoverá um Seminário onde serão discutidas as desigualdades entre e dentro dos países que fazem parte da América Latina. Trata-se de um evento importante, na medida em que professores, estudantes e especialistas discorrerão acerca da trajetória recente e da situação atual dos países da região, uma das mais carentes do planeta.
Os países da América Latina passaram por problemas políticos nos anos setenta e inicio da década de oitenta do século passado, em que se instalaram regimes de exceção que dominaram a região e deixaram seqüelas econômicas e sociais. O Brasil, sob aquele regime duro, conseguiu surto de crescimento econômico a taxas expressivas entre os anos de 1968 e 1973, mas com graves distorções de concentração da renda e da riqueza. Foi a época do “Milagre Brasileiro”.
Em meados dos anos setenta, desencadeou-se a crise do petróleo, com a cartelizaçao dos países exportadores, que passaram a exercer um controle mais rígido da oferta e elevaram os preços dessa commodity de difícil substituição. As economias regionais haviam sido projetadas para a utilização de veículos automotores, tanto no transporte de massas, como nos de cargas como naqueles individuais. Como conseqüência, e também devido a problemas estruturais, como já denunciava a CEPAL, houve uma escalada inflacionária que afetou todos os países latino-americanos.
Para tentar debelar o surto inflacionário, os governos, ainda fechados politicamente, iniciaram programas de estabilização monetária, quase todos ancorados em instrumentos de políticas fiscais e monetárias contracionistas. O resultado dessas políticas foi a redução da taxa de crescimento do produto agregado e, em quase todos os casos, houve estagnação e recessão. Os regimes políticos fechados mantinham a imprensa sob controle e providenciava calar todos os opositores mais explícitos.
Aquela situação, entretanto, não se sustentava. Tanto assim que no meado dos anos de 1980 aqueles países começaram a se oxigenar politicamente, promovendo maior liberdade de expressão, contestação popular e através da imprensa, que passou a denunciar a situação então prevalecente. No Brasil se deu um processo monitorado que os militares chamaram de “abertura gradual e segura” que consistia na transição do poder para os civis no ritmo que eles, militares, julgaram conveniente.
Parte daquela abertura, tanto no Brasil como em outros paises, como Chile e Argentina, que experimentaram processos mais duros de repressão na América Latina, foram conquistas populares. Foi célebre no Brasil o Movimento das “Diretas já”, em 1984, em que a população brasileira foi às ruas exigir eleições diretas para Presidente da República. Emblemático, no caso brasileiro, o fato de políticos que sempre deram sustentação ao regime militar, e depois escamotearam o quanto puderam o movimento das “Diretas Já”, acabaram se beneficiando, e até assumindo cargos de relevância depois da redemocratização do pais, numa postura anfíbia de oportunismo explícito. Hoje se autoproclamam de “Democratas” e se dizem paladinos da coerência política e estão sempre ao lado do poderoso de ocasião, qualquer que seja ele.
Todo aquele processo deixou marcas que ainda hoje a população latino-americana tenta superar. Apenas nos anos 1990 os países da América Latina conseguiram debelar a hiperinflação que predominava na região até então. Depois de vários planos de estabilização monetária, quase todos fundamentados na ortodoxia econômica, a economia da região ficou engessada. Tanto assim que entre 1975 e 2004, com exceção do Chile (3,9% ao ano) a taxa média de crescimento do PIB do PIB regional foi inferior a 1,5% ao ano. Portanto, com exceção do Chile, todos os paises tiveram expansão do PIB bem abaixo do crescimento vegetativo das populações. Em alguns casos como Haiti, Nicarágua, Peru e Venezuela houve desaceleração do PIB no período 1975-2004. No caso brasileiro, o crescimento foi de apenas 0,7% ao ano. Os indicadores sociais também não avançaram, com as exceções de Argentina, Chile, Uruguai e Costa Rica. Nesses países o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estimado para 2004 pela ONU oscilou de 0,863 na Argentina a 0,841 na Costa Rica; e o Índice de Exclusão Social (IES), que afere o percentual de socialmente excluídos, estimado por LEMOS (2008), oscilou entre 13,09% e 17,44% naqueles países. Em 2004, o IDH do Brasil foi de 0,792 e o IES foi de 21,21%. As situações mais críticas estavam no Haiti, cujo IDH era 0,482 e tinha 75,19% da sua população excluída em 2004; Guatemala com IDH = 0,673 e IES = 50,68%; e Honduras, cujo IDH era igual a 0,683 e o IES = 40,70%. A taxa de mortalidade infantil na América Latina variou de 6 mortes de crianças antes de completar um ano para cada grupo de 1000 nascidas vivas em Cuba, a 74 por mil no Haiti.
Publicação simultânea com O Imparcial, de São Luís, em 23.fev.2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
EM MENSAGEM, FIDEL CASTRO APRESENTA RENÚNCIA
O grande Fidel deixa um belo legado para a humanidade. A pequenina Cuba, ameaçada pela tirania do império e de seus administradores resistiu e resiste com a força da dignidade construída por seu próprio povo. Não fora o bloqueio criminoso, a imprensa burguesa não teria nada o que falar. Não foram à-toa os esforços dos governantes americanos para sufocar as experiências que ali se desenvolviam e se desenvolvem.
Como admitir a possibilidade de uma saúde pública de altíssimo nível? E a educação? Na sociedade capitalista, esses serviços são mercantilizados e de qualidade duvidosa, como sabemos aqui no Brasil.
Fidel não apenas compartilhou essa grande experiência! Quer queiram ou não, é uma figura importante que nos ajuda a perceber que é possível termos uma sociabilidade verdadeira humana. Nossa grande tarefa é extirpar a sede vampiresca do sistema do capital para que possamos iniciar a História da Humanidade.
Prof. Aécio Oliveira
Faculdade de Economia da Universidade Federal do Ceará
Eis a íntegra da mensagem de Fidel Castro, segundo a versão publicada pelo sítio do jornal El País, 19-02-2008.
“Prometi, no último dia 15 de fevereiro, sexta-feira, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire, desta vez, a forma de mensagem.
Chegou o momento de postular e eleger o Conselho de Estado, seu Presidente, Vice-presidentes e Secretário.
Desempenhei o honroso cargo de Presidente por longo de muitos anos. No dia 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos cidadãos com direito a votar. A primeira Assembléia Nacional se constituiu no dia 2 de dezembro desse ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência. Antes havia exercido o cargo de Primeiro Ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.
Conhecendo meu estado crítico de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de Presidente do Conselho de Estado no dia 31 de julho de 2006, que deixei nas mãos do Primeiro Vice-Presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das F.A.R. por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do Partido e o Estado, não concordaram em me considerar afastado dos meus cargos apesar do meu precário estado de saúde.
A minha posição era incômoda frente a um adversário que fez de tudo o que é imaginável para se desfazer de mim e em nada me agradava satisfazê-lo.
Mais adiante retomei, novamente, o domínio total da minha mente, a possibilidade de ler e meditar muito, obrigado pelo repouso. Acompanhavam-me as forças físicas suficientes para escrever por longas horas, ao mesmo tempo que me ocupava com a reabilitação e os programas pertinentes de recuperação. Um elementar sentido comum me indicava que essa atividade estava ao meu alcance. Por outro lado, sempre me preocupou, ao falar da minha saúde, evitar ilusões que, em caso de um desenlace pior, trariam notícias traumáticas para o nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para a minha ausência, psicológica e politicamente, era minha obrigação, depois de tantas anos de luta. Nunca deixei de assinalar que se tratava de uma recuperação “não isenta de riscos”.
Meu desejo sempre foi de cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer.
Aos meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger, recentemente, como membro do Parlamento, onde se devem adotar importantes acordos para o destino da nossa Revolução, lhes comunico que não aspirarei nem aceitarei – repito - não aspirarei nem aceitarei, o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe.
Em breves cartas cartas dirigidas a Randy Alonso, Diretor do programa Mesa Redonda da Televisão Nacional, que, a meu pedido, foram divulgadas, se incluíam discretamente elementos desta mensagem que hoje escrevo, e nem o destinatário da missiva conhecia o meu propósito. Tinha confiança em Randy porque o conheci bem quando era estudante universitário de jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos estudantes universitários, do que era conhecido como interior do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se hospedavam. Hoje todo o país é uma imensa Universidade".
Fidel Castro Ruz
18 de fevereiro de 2008.
Como admitir a possibilidade de uma saúde pública de altíssimo nível? E a educação? Na sociedade capitalista, esses serviços são mercantilizados e de qualidade duvidosa, como sabemos aqui no Brasil.
Fidel não apenas compartilhou essa grande experiência! Quer queiram ou não, é uma figura importante que nos ajuda a perceber que é possível termos uma sociabilidade verdadeira humana. Nossa grande tarefa é extirpar a sede vampiresca do sistema do capital para que possamos iniciar a História da Humanidade.
Prof. Aécio Oliveira
Faculdade de Economia da Universidade Federal do Ceará
Eis a íntegra da mensagem de Fidel Castro, segundo a versão publicada pelo sítio do jornal El País, 19-02-2008.
“Prometi, no último dia 15 de fevereiro, sexta-feira, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire, desta vez, a forma de mensagem.
Chegou o momento de postular e eleger o Conselho de Estado, seu Presidente, Vice-presidentes e Secretário.
Desempenhei o honroso cargo de Presidente por longo de muitos anos. No dia 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos cidadãos com direito a votar. A primeira Assembléia Nacional se constituiu no dia 2 de dezembro desse ano e elegeu o Conselho de Estado e sua Presidência. Antes havia exercido o cargo de Primeiro Ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.
Conhecendo meu estado crítico de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de Presidente do Conselho de Estado no dia 31 de julho de 2006, que deixei nas mãos do Primeiro Vice-Presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de Ministro das F.A.R. por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do Partido e o Estado, não concordaram em me considerar afastado dos meus cargos apesar do meu precário estado de saúde.
A minha posição era incômoda frente a um adversário que fez de tudo o que é imaginável para se desfazer de mim e em nada me agradava satisfazê-lo.
Mais adiante retomei, novamente, o domínio total da minha mente, a possibilidade de ler e meditar muito, obrigado pelo repouso. Acompanhavam-me as forças físicas suficientes para escrever por longas horas, ao mesmo tempo que me ocupava com a reabilitação e os programas pertinentes de recuperação. Um elementar sentido comum me indicava que essa atividade estava ao meu alcance. Por outro lado, sempre me preocupou, ao falar da minha saúde, evitar ilusões que, em caso de um desenlace pior, trariam notícias traumáticas para o nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para a minha ausência, psicológica e politicamente, era minha obrigação, depois de tantas anos de luta. Nunca deixei de assinalar que se tratava de uma recuperação “não isenta de riscos”.
Meu desejo sempre foi de cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer.
Aos meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de me eleger, recentemente, como membro do Parlamento, onde se devem adotar importantes acordos para o destino da nossa Revolução, lhes comunico que não aspirarei nem aceitarei – repito - não aspirarei nem aceitarei, o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe.
Em breves cartas cartas dirigidas a Randy Alonso, Diretor do programa Mesa Redonda da Televisão Nacional, que, a meu pedido, foram divulgadas, se incluíam discretamente elementos desta mensagem que hoje escrevo, e nem o destinatário da missiva conhecia o meu propósito. Tinha confiança em Randy porque o conheci bem quando era estudante universitário de jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os principais representantes dos estudantes universitários, do que era conhecido como interior do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se hospedavam. Hoje todo o país é uma imensa Universidade".
Fidel Castro Ruz
18 de fevereiro de 2008.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Serão Católicas as "Católicas pelo Direito de Decidir"?
Por
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900 Caixa Postal 456 75024-970
Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
Em 13 de janeiro de 2008
© 2008 MidiaSemMascara.org
Embora CFFC seja uma organização anticatólica,
o nome "católica" é estratégico
para confundir o público.
Em 1970, o Estado de Nova Iorque aprovou uma lei que permitia o aborto por simples solicitação da gestante ("abortion on demand") até o quinto mês da gravidez, não se exigindo sequer o domicílio em território estadual. Isso produziu uma avalanche surpreendente de gestantes provenientes de vários outros estados americanos, principalmente dos da costa leste, à procura dos "serviços" de aborto de Nova Iorque, as quais retornavam logo em seguida para os seus estados de origem. Essa lei foi um marco decisivo para que, em 1973, a Suprema Corte dos EUA, na célebre decisão Roe versus Wade, declarasse que o nascituro não é pessoa e que não tem direitos, impondo assim a legalidade do aborto a todo o território estadunidense.
Como a Igreja Católica se opusesse à lei abortista de Nova Iorque, três membros do grupo pró-aborto NOW ("National Organization for Women" – Organização Nacional para as Mulheres) fundaram em 1970 a organização CFFC ("Catholics For a Free Choice" - Católicas pelo Direito de Decidir). Seu primeiro ato público foi o de ridicularizar a Igreja Católica, coroando uma feminista, na escadaria da Catedral de São Patrício em Nova Iorque, com o título de papisa Joana I. A primeira sede das CFFC localizou-se em Nova Iorque, nas dependências da "Planned Parenthood Federation of América" (PPFA), a filial estadunidense da IPPF[1], e atualmente a proprietária da maior cadeia de clínicas de aborto da América do Norte.
Embora CFFC seja uma organização anticatólica, o nome "católica" é estratégico para confundir o público. O objetivo é infiltrar-se nas paróquias, nas dioceses, nas universidades católicas, nos meios de comunicação, nas casas legislativas a fim de dar a entender que é possível, ao mesmo tempo, ser católico e defender o direito ao aborto. Além do aborto, tais "católicas" defendem o uso de anticoncepcionais, o divórcio, as relações sexuais pré-matrimoniais, os atos homossexuais, o matrimônio de pessoas do mesmo sexo e todas as formas de reprodução artificial.
Quanto à liturgia, as CFFC assumem uma série de rituais e práticas da Nova Era: são devotas do ídolo feminista Sofia (a deusa Sabedoria) e compõem poesias em honra de Lúcifer. O aborto é tratado como um ato sagrado. São recitadas orações a "Deus Pai e Mãe" enquanto a mulher que está abortando é abençoada, abraçada e encorajada a salpicar pétalas de rosas. A ex-freira Diann Neu elaborou uma cerimônia pós-aborto, em que a mulher abre uma cova no jardim e deposita os restos mortais de seu bebê, dizendo: "Mãe Terra, em teu seio depositamos esse espírito".
O maior obstáculo que os promotores do aborto têm encontrado no seio das Nações Unidas é a presença da Santa Sé, que é reconhecida como Observador Permanente. Em 1999, CFFC lançou a campanha "See change" ("mudança de sé"). O objetivo, até agora não atingido, é pressionar a ONU a fim de rebaixar o status da Santa Sé ao de simples organização não-governamental (ONG), como é a própria CFFC.
Por que atacar justamente a Igreja Católica?
Francis Kissling, que foi presidente da CFFC durante anos desde 1982, explica, em uma entrevista de setembro de 2002, porque a Igreja Católica é o alvo chave: "A perspectiva católica é um bom lugar para começar, tanto em termos filosóficos, sociológicos, como teológicos, porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. OK. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando começa a vida, fetos etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha".[2]
Financiamento
CFFC recebe vultosas doações de fundações de controle demográfico, entre elas: Fundação Ford, Fundação Sunnen, Fundação Mc Arthur e Fundação Playboy. Hoje a maior parte dos investimentos é destinada à promoção dos "direitos reprodutivos" na América Latina, ou seja, do direito ao aborto, à esterilização e à anticoncepção.
Em 1987, CFFC criou uma filial latino-americana em Montevidéu, Uruguai, com o nome de "Católicas por lo Derecho a Decidir". Em língua espanhola foi publicado um livro sarcástico intitulado "Y Maria fue consultada para ser madre de Dios", que apresenta Nossa Senhora como símbolo do "direito de decidir" sobre a prática do aborto. Em 1993 foi criada em São Paulo a filial brasileira, com o nome "Católicas pelo Direito de Decidir" (CDD).
Onde elas estão?
Recentemente, as Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) transferiram-se para a Rua Sebastião Soares de Faria, n.º 56, 6º andar, São Paulo, isto é no mesmo prédio da sede do Regional Sul 1 da CNBB, que ocupa o 5º andar. O fato tem gerado perplexidade, uma vez que, além de usarem o nome de "católicas", elas agora compartilham o mesmo edifício usado pelos Bispos. Na verdade, o prédio não pertence à CNBB, mas à Ordem Carmelita (Província de Santo Elias). Mas a perplexidade permanece: como uma Ordem de frades católicos pode alugar um imóvel para uma organização abortista?
As CDD e a Campanha da Fraternidade 2008
Na segunda quinzena de dezembro de 2007, as livrarias católicas puseram à venda um DVD produzido pela Verbo Filmes, trazendo na capa o cartaz da Campanha da Fraternidade 2008, com o lema "Escolhe, pois, a vida", o tema "Fraternidade e defesa da vida" e o logotipo da CNBB. O que deixou os militantes pró-vida estupefatos foi a participação da Sra. Dulce Xavier, membro das CDD, no bloco IV do vídeo ("Em defesa da vida: pontos de vista"), com uma fala de cinco minutos, criticando a Igreja Católica por não aceitar a anticoncepção, e defendendo a realização do aborto pela rede hospitalar pública para preservar "a vida das mulheres". A inserção das "católicas" no vídeo tinha sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez sem a fala das CDD. No entanto, até a data da edição deste jornal, podia-se encontrar no sítio da Verbo Filmes (www.verbofilmes.org.br) a descrição do conteúdo do DVD, ainda com a participação das Católicas pelo Direito de Decidir.
É mais do que urgente que a CNBB emita uma nota oficial sobre as CDD, à semelhança do que fez a Conferência Episcopal dos Estados Unidos, conforme transcrevemos a seguir.
DECLARAÇÃO DA CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS CATÓLICOS
DOS ESTADOS UNIDOS
(NCCB), de 10/05/2000
Por muitos anos, um grupo autodenominado "Católicas pelo Direito de Decidir" (Catholics for a Free Choice — CFFC), tem publicamente defendido o aborto ao mesmo tempo em que diz estar falando como uma autêntica voz católica. Esta declaração é falsa. De fato, a atividade do grupo é direcionada para rejeitar e distorcer o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devida à defesa da vida humana do nascituro indefeso.
Em algumas ocasiões a Conferência Nacional dos Bispos Católicos (NCCB) declarou publicamente que a CFFC não é uma organização católica, não fala pela Igreja Católica, e de fato promove posições contrárias ao magistério da Igreja conforme pronunciado pela Santa Sé e pela NCCB.
CFFC é, praticamente falando, um braço do "lobby" do aborto nos Estados Unidos e através do mundo. É um grupo de pressão dedicado a apoiar o aborto. É financiado por algumas poderosas e ricas fundações privadas, principalmente americanas, para promover o aborto como um método de controle de população. Esta posição é contrária à política existente nas Nações Unidas e às leis e políticas da maioria das nações do mundo.
Em sua última campanha, CFFC assumiu um esforço concentrado de opinião pública para acabar com a presença oficial e silenciar a voz moral da Santa Sé nas Nações Unidas como um Observador Permanente. A campanha de opinião pública tem ridicularizado a Santa Sé com uma linguagem que lembra outros episódios de fanatismo anticatólico que a Igreja Católica sofreu no passado.
Como os Bispos Católicos dos Estados Unidos têm afirmado por muitos anos, o uso do nome "Católica" como uma plataforma de apoio à supressão da vida humana inocente e de ridicularização da Igreja é ofensivo não somente aos católicos, mas a todos que esperam honestidade e franqueza em um discurso público. Declaramos outra vez com a mais forte veemência: "Por causa de sua oposição aos direitos humanos de alguns dos mais indefesos membros da raça humana, e porque seus propósitos e atividades contradizem os ensinamentos essenciais da fé católica, Católicas pelo Direito de Decidir não merece o reconhecimento nem o apoio como uma organização católica"
(Comitê Administrativo, Conferência Nacional dos Bispos, 1993).[3]
Roma, 4 de janeiro de 2008
Bibliografia consultada:
CLOWES, Brian. Mulheres católicas pelo direito de decidir. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 2007. p. 659-668.
HUMAN LIFE INTERNATIONAL. "Católicas pelo direito de decidir" sem máscaras: idéias sórdidas, dinheiro sujo. Tradução de Teresa Maria Freixinho. Brasília: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, 2000.
SCALA, Jorge. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004. p. 227-228
Notas:
[1] IPPF - International Planned Pareenthood Federation (Federação Internacional de Planejamento Familiar), conhecida como "a multinacional da morte", com sede em Londres e filiais em 180 países.
[2] Kissling, Frances. Interview by Rebecca Sharpless. Audio recording, September 13– 14, 2002. Population and Reproductive Health Oral History Project, Sophia Smith Collection. Disponível em: http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/kissling-trans.html. Condensado em português disponível em: http://www.pesquisaedocumentos.com.br/Kissling.doc
[3] Disponível em http://www.providaanapolis.org.br/deccdc.htm. Original inglês disponível em http://www.providaanapolis.org.br/deccffc.htm
Fonte (12/02/2008): http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6297
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
Telefax: 55+62+3321-0900 Caixa Postal 456 75024-970
Anápolis GO
http://www.providaanapolis.org.br
Em 13 de janeiro de 2008
© 2008 MidiaSemMascara.org
Embora CFFC seja uma organização anticatólica,
o nome "católica" é estratégico
para confundir o público.
Em 1970, o Estado de Nova Iorque aprovou uma lei que permitia o aborto por simples solicitação da gestante ("abortion on demand") até o quinto mês da gravidez, não se exigindo sequer o domicílio em território estadual. Isso produziu uma avalanche surpreendente de gestantes provenientes de vários outros estados americanos, principalmente dos da costa leste, à procura dos "serviços" de aborto de Nova Iorque, as quais retornavam logo em seguida para os seus estados de origem. Essa lei foi um marco decisivo para que, em 1973, a Suprema Corte dos EUA, na célebre decisão Roe versus Wade, declarasse que o nascituro não é pessoa e que não tem direitos, impondo assim a legalidade do aborto a todo o território estadunidense.
Como a Igreja Católica se opusesse à lei abortista de Nova Iorque, três membros do grupo pró-aborto NOW ("National Organization for Women" – Organização Nacional para as Mulheres) fundaram em 1970 a organização CFFC ("Catholics For a Free Choice" - Católicas pelo Direito de Decidir). Seu primeiro ato público foi o de ridicularizar a Igreja Católica, coroando uma feminista, na escadaria da Catedral de São Patrício em Nova Iorque, com o título de papisa Joana I. A primeira sede das CFFC localizou-se em Nova Iorque, nas dependências da "Planned Parenthood Federation of América" (PPFA), a filial estadunidense da IPPF[1], e atualmente a proprietária da maior cadeia de clínicas de aborto da América do Norte.
Embora CFFC seja uma organização anticatólica, o nome "católica" é estratégico para confundir o público. O objetivo é infiltrar-se nas paróquias, nas dioceses, nas universidades católicas, nos meios de comunicação, nas casas legislativas a fim de dar a entender que é possível, ao mesmo tempo, ser católico e defender o direito ao aborto. Além do aborto, tais "católicas" defendem o uso de anticoncepcionais, o divórcio, as relações sexuais pré-matrimoniais, os atos homossexuais, o matrimônio de pessoas do mesmo sexo e todas as formas de reprodução artificial.
Quanto à liturgia, as CFFC assumem uma série de rituais e práticas da Nova Era: são devotas do ídolo feminista Sofia (a deusa Sabedoria) e compõem poesias em honra de Lúcifer. O aborto é tratado como um ato sagrado. São recitadas orações a "Deus Pai e Mãe" enquanto a mulher que está abortando é abençoada, abraçada e encorajada a salpicar pétalas de rosas. A ex-freira Diann Neu elaborou uma cerimônia pós-aborto, em que a mulher abre uma cova no jardim e deposita os restos mortais de seu bebê, dizendo: "Mãe Terra, em teu seio depositamos esse espírito".
O maior obstáculo que os promotores do aborto têm encontrado no seio das Nações Unidas é a presença da Santa Sé, que é reconhecida como Observador Permanente. Em 1999, CFFC lançou a campanha "See change" ("mudança de sé"). O objetivo, até agora não atingido, é pressionar a ONU a fim de rebaixar o status da Santa Sé ao de simples organização não-governamental (ONG), como é a própria CFFC.
Por que atacar justamente a Igreja Católica?
Francis Kissling, que foi presidente da CFFC durante anos desde 1982, explica, em uma entrevista de setembro de 2002, porque a Igreja Católica é o alvo chave: "A perspectiva católica é um bom lugar para começar, tanto em termos filosóficos, sociológicos, como teológicos, porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. OK. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando começa a vida, fetos etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha".[2]
Financiamento
CFFC recebe vultosas doações de fundações de controle demográfico, entre elas: Fundação Ford, Fundação Sunnen, Fundação Mc Arthur e Fundação Playboy. Hoje a maior parte dos investimentos é destinada à promoção dos "direitos reprodutivos" na América Latina, ou seja, do direito ao aborto, à esterilização e à anticoncepção.
Em 1987, CFFC criou uma filial latino-americana em Montevidéu, Uruguai, com o nome de "Católicas por lo Derecho a Decidir". Em língua espanhola foi publicado um livro sarcástico intitulado "Y Maria fue consultada para ser madre de Dios", que apresenta Nossa Senhora como símbolo do "direito de decidir" sobre a prática do aborto. Em 1993 foi criada em São Paulo a filial brasileira, com o nome "Católicas pelo Direito de Decidir" (CDD).
Onde elas estão?
Recentemente, as Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) transferiram-se para a Rua Sebastião Soares de Faria, n.º 56, 6º andar, São Paulo, isto é no mesmo prédio da sede do Regional Sul 1 da CNBB, que ocupa o 5º andar. O fato tem gerado perplexidade, uma vez que, além de usarem o nome de "católicas", elas agora compartilham o mesmo edifício usado pelos Bispos. Na verdade, o prédio não pertence à CNBB, mas à Ordem Carmelita (Província de Santo Elias). Mas a perplexidade permanece: como uma Ordem de frades católicos pode alugar um imóvel para uma organização abortista?
As CDD e a Campanha da Fraternidade 2008
Na segunda quinzena de dezembro de 2007, as livrarias católicas puseram à venda um DVD produzido pela Verbo Filmes, trazendo na capa o cartaz da Campanha da Fraternidade 2008, com o lema "Escolhe, pois, a vida", o tema "Fraternidade e defesa da vida" e o logotipo da CNBB. O que deixou os militantes pró-vida estupefatos foi a participação da Sra. Dulce Xavier, membro das CDD, no bloco IV do vídeo ("Em defesa da vida: pontos de vista"), com uma fala de cinco minutos, criticando a Igreja Católica por não aceitar a anticoncepção, e defendendo a realização do aborto pela rede hospitalar pública para preservar "a vida das mulheres". A inserção das "católicas" no vídeo tinha sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez sem a fala das CDD. No entanto, até a data da edição deste jornal, podia-se encontrar no sítio da Verbo Filmes (www.verbofilmes.org.br) a descrição do conteúdo do DVD, ainda com a participação das Católicas pelo Direito de Decidir.
É mais do que urgente que a CNBB emita uma nota oficial sobre as CDD, à semelhança do que fez a Conferência Episcopal dos Estados Unidos, conforme transcrevemos a seguir.
DECLARAÇÃO DA CONFERÊNCIA
NACIONAL DOS BISPOS CATÓLICOS
DOS ESTADOS UNIDOS
(NCCB), de 10/05/2000
Por muitos anos, um grupo autodenominado "Católicas pelo Direito de Decidir" (Catholics for a Free Choice — CFFC), tem publicamente defendido o aborto ao mesmo tempo em que diz estar falando como uma autêntica voz católica. Esta declaração é falsa. De fato, a atividade do grupo é direcionada para rejeitar e distorcer o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devida à defesa da vida humana do nascituro indefeso.
Em algumas ocasiões a Conferência Nacional dos Bispos Católicos (NCCB) declarou publicamente que a CFFC não é uma organização católica, não fala pela Igreja Católica, e de fato promove posições contrárias ao magistério da Igreja conforme pronunciado pela Santa Sé e pela NCCB.
CFFC é, praticamente falando, um braço do "lobby" do aborto nos Estados Unidos e através do mundo. É um grupo de pressão dedicado a apoiar o aborto. É financiado por algumas poderosas e ricas fundações privadas, principalmente americanas, para promover o aborto como um método de controle de população. Esta posição é contrária à política existente nas Nações Unidas e às leis e políticas da maioria das nações do mundo.
Em sua última campanha, CFFC assumiu um esforço concentrado de opinião pública para acabar com a presença oficial e silenciar a voz moral da Santa Sé nas Nações Unidas como um Observador Permanente. A campanha de opinião pública tem ridicularizado a Santa Sé com uma linguagem que lembra outros episódios de fanatismo anticatólico que a Igreja Católica sofreu no passado.
Como os Bispos Católicos dos Estados Unidos têm afirmado por muitos anos, o uso do nome "Católica" como uma plataforma de apoio à supressão da vida humana inocente e de ridicularização da Igreja é ofensivo não somente aos católicos, mas a todos que esperam honestidade e franqueza em um discurso público. Declaramos outra vez com a mais forte veemência: "Por causa de sua oposição aos direitos humanos de alguns dos mais indefesos membros da raça humana, e porque seus propósitos e atividades contradizem os ensinamentos essenciais da fé católica, Católicas pelo Direito de Decidir não merece o reconhecimento nem o apoio como uma organização católica"
(Comitê Administrativo, Conferência Nacional dos Bispos, 1993).[3]
Roma, 4 de janeiro de 2008
Bibliografia consultada:
CLOWES, Brian. Mulheres católicas pelo direito de decidir. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 2007. p. 659-668.
HUMAN LIFE INTERNATIONAL. "Católicas pelo direito de decidir" sem máscaras: idéias sórdidas, dinheiro sujo. Tradução de Teresa Maria Freixinho. Brasília: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, 2000.
SCALA, Jorge. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004. p. 227-228
Notas:
[1] IPPF - International Planned Pareenthood Federation (Federação Internacional de Planejamento Familiar), conhecida como "a multinacional da morte", com sede em Londres e filiais em 180 países.
[2] Kissling, Frances. Interview by Rebecca Sharpless. Audio recording, September 13– 14, 2002. Population and Reproductive Health Oral History Project, Sophia Smith Collection. Disponível em: http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/kissling-trans.html. Condensado em português disponível em: http://www.pesquisaedocumentos.com.br/Kissling.doc
[3] Disponível em http://www.providaanapolis.org.br/deccdc.htm. Original inglês disponível em http://www.providaanapolis.org.br/deccffc.htm
Fonte (12/02/2008): http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6297
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
PRODUÇÃO DE CAMARÃO EM CATIVEIRO PREOCUPA AMBIENTALISTAS E O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
O relatório apontava desmatamento do manguezal, da mata ciliar e do carnaubal; o soterramento de canais de maré; a contaminação da água por efluentes dos viveiros; a salinização de terrenos...
Por
Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil, 11/02/2008 - 09h51min
Contato (xxx@rebia.org.br)
Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte abriu no ano passado, somente no município de Areias, onde existe a Lagoa Guaraíra, 35 ações contra carcinicultores (produtores de camarão em cativeiro). Os viveiros ou fazendas marinhas estão sendo acusados de provocar danos aos manguezais.
O procurador federal Fábio Venzon reconhece que a indústria do camarão em cativeiro é uma atividade importante para o Rio Grande do Norte, mas que não pode ocorrer em manguezais, protegidos por leis federais e estaduais. “Tem muita lei protegendo o manguezal. E realmente aonde tem mangue, não se pode colocar um viveiro de camarão”, observa Venzon.
O procurador disse que, além dos danos causados ao manguezal, os viveiros podem acarretar outros prejuízos ao ecossistema, como a salinização do lençol freático, se não forem impermeabilizados de forma adequada.
Venzon denuncia que algumas comunidades de assentados rurais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não estão conseguindo mais plantar porque a terra ficou salinizada pela atividade de carcinicultura. O procurador alerta ainda que os viveiros ocupam as margens de rios e lagoas, conhecidas como mata ciliar, também consideradas áreas de preservação permanente.
No Ceará, o Instituto Terramar, organização não-governamental que tem como principal missão promover, organizar e incentivar o desenvolvimento integrado junto às populações costeiras cearenses, tem denunciado a degradação do meio ambiente pelos carcinicultores.
Gigi Castro, assessora do instituto, disse que as entidades ambientalistas não são contra o desenvolvimento, mas repudiam qualquer atividade econômica que não respeite o meio ambiente.
A assessora lembra que um relatório elaborado pelo então deputado federal João Alfredo, em 2005, encaminhado à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, já apontava que os viveiros de camarões eram responsáveis por danos socioambientais elevados no ecossistema manguezal em toda a Região Nordeste.
O relatório apontava desmatamento do manguezal, da mata ciliar e do carnaubal; o soterramento de canais de maré; a contaminação da água por efluentes dos viveiros; a salinização de terrenos; a fuga do camarão exótico para ambientes fluviais e fluviomarinhos; e a redução e extinção de habitats de numerosas espécies, entre outros prejuízos.
A preocupação do Instituto Terramar é que o cultivo do camarão em cativeiro rume para o Maranhão, onde se encontra a região mais rica em termos de manguezais do Brasil, disse Gigi Castro.
Por
Alana Gandra
Fonte: Agência Brasil, 11/02/2008 - 09h51min
Contato (xxx@rebia.org.br)
Rio de Janeiro - O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte abriu no ano passado, somente no município de Areias, onde existe a Lagoa Guaraíra, 35 ações contra carcinicultores (produtores de camarão em cativeiro). Os viveiros ou fazendas marinhas estão sendo acusados de provocar danos aos manguezais.
O procurador federal Fábio Venzon reconhece que a indústria do camarão em cativeiro é uma atividade importante para o Rio Grande do Norte, mas que não pode ocorrer em manguezais, protegidos por leis federais e estaduais. “Tem muita lei protegendo o manguezal. E realmente aonde tem mangue, não se pode colocar um viveiro de camarão”, observa Venzon.
O procurador disse que, além dos danos causados ao manguezal, os viveiros podem acarretar outros prejuízos ao ecossistema, como a salinização do lençol freático, se não forem impermeabilizados de forma adequada.
Venzon denuncia que algumas comunidades de assentados rurais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não estão conseguindo mais plantar porque a terra ficou salinizada pela atividade de carcinicultura. O procurador alerta ainda que os viveiros ocupam as margens de rios e lagoas, conhecidas como mata ciliar, também consideradas áreas de preservação permanente.
No Ceará, o Instituto Terramar, organização não-governamental que tem como principal missão promover, organizar e incentivar o desenvolvimento integrado junto às populações costeiras cearenses, tem denunciado a degradação do meio ambiente pelos carcinicultores.
Gigi Castro, assessora do instituto, disse que as entidades ambientalistas não são contra o desenvolvimento, mas repudiam qualquer atividade econômica que não respeite o meio ambiente.
A assessora lembra que um relatório elaborado pelo então deputado federal João Alfredo, em 2005, encaminhado à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, já apontava que os viveiros de camarões eram responsáveis por danos socioambientais elevados no ecossistema manguezal em toda a Região Nordeste.
O relatório apontava desmatamento do manguezal, da mata ciliar e do carnaubal; o soterramento de canais de maré; a contaminação da água por efluentes dos viveiros; a salinização de terrenos; a fuga do camarão exótico para ambientes fluviais e fluviomarinhos; e a redução e extinção de habitats de numerosas espécies, entre outros prejuízos.
A preocupação do Instituto Terramar é que o cultivo do camarão em cativeiro rume para o Maranhão, onde se encontra a região mais rica em termos de manguezais do Brasil, disse Gigi Castro.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Uma Viagem no Tempo: Os Empinadores de Papagaios
Aos garotos maranhenses não foi proibido “empinar e escorar papagaios”, no entanto, um pequeno grupo se auto-declarou dono do Estado e castrou os sonhos da maioria deles, para construir fortuna e agir como se o Maranhão fosse a sua propriedade.
Por
José Lemos
Engenheiro Agrônomo
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará
lemos@ufc.br
O livro “O Caçador de Pipas” de Kaled Husseini, se constitui numa bem tramada mistura de ficção com a vida do autor da obra na sua fase de criança e adolescente no seu país, Afeganistão, no começo dos anos 1970. A narrativa serve para mostrar a trajetória de sofrimentos daquele povo, causada por descalabros de toda ordem, em que um pequeno grupo de pessoas, ao tempo em que acumulou fortunas, aproveitando-se da pobreza da maioria, tornou aquele pais inabitável para a maioria dos seus filhos. País marcado pela intolerância entre etnias, antagonismos religiosos e, como conseqüência, desigualdades sociais profundas.
A trama mostra a relação de amizade entre dois meninos de etnias distintas: um rico e um de etnia pobre, filho de empregados do pai do amigo rico. Mais tarde a estória mostra que a relação dos dois vai bem além da mera afeição de amigos. De fato eram irmãos pelo lado paterno. O garoto pobre tinha habilidades nas estripulias juvenis que o menino rico não conseguia ter, o que deixava o rico intrigado. Este fato marcaria toda a relação dos dois até a emigração do amigo rico, junto com o pai, para os Estados Unidos. Uma dessas habilidades era a de "caçar" pipas, ou "escorar papagaios" como falamos no Maranhão, que o amigo pobre tinha e o rico não conseguia ter.
Somente desconhece a magia de "escorar papagaio" quem não foi garoto em São Luís e não correu de cara para cima com vara na mão, observando aqueles que eram "cortados" em "lanceadas" que aconteciam nos céus daquela terra, nos meses de julho e agosto, principalmente. Mas esta não se constitui na única emoção associada à brincadeira. Outra é a confecção daquelas obras de arte, a partir de três varetas (que chamávamos de “talas”) de "taboca" (bambu), sendo uma central, e duas que constituem a envergadura, que deve ter pelo menos o tamanho da vareta central, para dar maior estabilidade, possibilitar um melhor controle por quem "empina o papagaio" e, claro, para dar-lhe mais elegância, magia e beleza no ar.
A cobertura em papel de “seda” de várias cores estimulava o exercício criativo da imaginação: faziam-se papagaios "de borboleta", "de compasso", "de olhos" ... A linha utilizada era da marca "espingarda" e tanto podia ser "linha 30" como a "linha 10", que era mais resistente. O "rabo do papagaio" tinha que ser de algodão, de preferência colorido. No final dos anos 1960 e no inicio dos anos 1970 havia fábricas de tecelagem no Maranhão e, portanto, não era difícil encontrar plumas de algodões coloridos.
Rabos compridos e com espessura adequada, propiciavam condições para o “papagaio guinar" com graça nos céus maranhenses, dando um colorido especial naquela imensidão azul que ocorre no nosso Estado naqueles meses. A linha era devidamente "encerada" com "cerol" feito com cacos de vidros socados em diferentes tipos de pilões. A cola na linha era feita com goma de mandioca. Fazia-se um grude bastante fluido (ralo, como se dizia então) para facilitar a mistura com o vidro socado e coado em pano de tecedura fina, para o "cerol ficar fino". Depois era só colocar nas mãos aquela mistura, passar na linha, "empinar o papagaio" e fazer as "lanceadas". Fiz tudo isso nos céus do Caminho da Boiada, Coréia, Macaúba, Canto da Fabril, que era o meu circuito de garoto naquela terra.
A estória contada por Kaled Hosseini proporcionou-me fazer esta verdadeira viagem no tempo. Um Maranhão que era pobre, mas oferecia condições para garotos pobres sonharem. Empinar papagaio, jogar futebol pelos campinhos daquele e de outros circuitos, proporcionavam aos garotos a chance de prática de exercícios criativos que contribuíram para a construção de sonhos. Como eu, vários garotos tiveram sonhos que se estruturaram nos bancos do Liceu Maranhense.
A trama do "Caçador de Pipas" se desenvolve entre o inicio de 1970 e termina em 2001. Nesse lapso de tempo o Afeganistão teve invasão russa e viu a chegada do regime Talibã, que precipitaram a decadência de um país que não tem grandes riquezas naturais. Como conseqüência, em 2001 o Afeganistão tinha o pior IDH de todos os países relacionados pela ONU. Nos seus últimos relatórios, a ONU deixou de registrar o IDH daquele país de população infelicitada, em que aos garotos foi proibido “caçar pipas”.
No Maranhão, no período da estória do livro, não ocorreu invasão russa, não houve conflitos étnico-religiosos, e o Estado sempre possuiu algumas das melhores riquezas naturais dentre os Estados brasileiros. Aos garotos maranhenses não foi proibido “empinar e escorar papagaios”, no entanto, um pequeno grupo se auto-declarou dono do Estado e castrou os sonhos da maioria deles, para construir fortuna e agir como se o Maranhão fosse a sua propriedade, da forma que são as suas mansões. O resultado não poderia ser outro. O Maranhão atravessou o milênio com o pior IDH entre todos os Estados brasileiros.
(Publicação simultânea no jornal O Imparcial, de São Luís do Maranhão, 09.fev.2008)
Por
José Lemos
Engenheiro Agrônomo
Professor Associado na Universidade Federal do Ceará
lemos@ufc.br
O livro “O Caçador de Pipas” de Kaled Husseini, se constitui numa bem tramada mistura de ficção com a vida do autor da obra na sua fase de criança e adolescente no seu país, Afeganistão, no começo dos anos 1970. A narrativa serve para mostrar a trajetória de sofrimentos daquele povo, causada por descalabros de toda ordem, em que um pequeno grupo de pessoas, ao tempo em que acumulou fortunas, aproveitando-se da pobreza da maioria, tornou aquele pais inabitável para a maioria dos seus filhos. País marcado pela intolerância entre etnias, antagonismos religiosos e, como conseqüência, desigualdades sociais profundas.
A trama mostra a relação de amizade entre dois meninos de etnias distintas: um rico e um de etnia pobre, filho de empregados do pai do amigo rico. Mais tarde a estória mostra que a relação dos dois vai bem além da mera afeição de amigos. De fato eram irmãos pelo lado paterno. O garoto pobre tinha habilidades nas estripulias juvenis que o menino rico não conseguia ter, o que deixava o rico intrigado. Este fato marcaria toda a relação dos dois até a emigração do amigo rico, junto com o pai, para os Estados Unidos. Uma dessas habilidades era a de "caçar" pipas, ou "escorar papagaios" como falamos no Maranhão, que o amigo pobre tinha e o rico não conseguia ter.
Somente desconhece a magia de "escorar papagaio" quem não foi garoto em São Luís e não correu de cara para cima com vara na mão, observando aqueles que eram "cortados" em "lanceadas" que aconteciam nos céus daquela terra, nos meses de julho e agosto, principalmente. Mas esta não se constitui na única emoção associada à brincadeira. Outra é a confecção daquelas obras de arte, a partir de três varetas (que chamávamos de “talas”) de "taboca" (bambu), sendo uma central, e duas que constituem a envergadura, que deve ter pelo menos o tamanho da vareta central, para dar maior estabilidade, possibilitar um melhor controle por quem "empina o papagaio" e, claro, para dar-lhe mais elegância, magia e beleza no ar.
A cobertura em papel de “seda” de várias cores estimulava o exercício criativo da imaginação: faziam-se papagaios "de borboleta", "de compasso", "de olhos" ... A linha utilizada era da marca "espingarda" e tanto podia ser "linha 30" como a "linha 10", que era mais resistente. O "rabo do papagaio" tinha que ser de algodão, de preferência colorido. No final dos anos 1960 e no inicio dos anos 1970 havia fábricas de tecelagem no Maranhão e, portanto, não era difícil encontrar plumas de algodões coloridos.
Rabos compridos e com espessura adequada, propiciavam condições para o “papagaio guinar" com graça nos céus maranhenses, dando um colorido especial naquela imensidão azul que ocorre no nosso Estado naqueles meses. A linha era devidamente "encerada" com "cerol" feito com cacos de vidros socados em diferentes tipos de pilões. A cola na linha era feita com goma de mandioca. Fazia-se um grude bastante fluido (ralo, como se dizia então) para facilitar a mistura com o vidro socado e coado em pano de tecedura fina, para o "cerol ficar fino". Depois era só colocar nas mãos aquela mistura, passar na linha, "empinar o papagaio" e fazer as "lanceadas". Fiz tudo isso nos céus do Caminho da Boiada, Coréia, Macaúba, Canto da Fabril, que era o meu circuito de garoto naquela terra.
A estória contada por Kaled Hosseini proporcionou-me fazer esta verdadeira viagem no tempo. Um Maranhão que era pobre, mas oferecia condições para garotos pobres sonharem. Empinar papagaio, jogar futebol pelos campinhos daquele e de outros circuitos, proporcionavam aos garotos a chance de prática de exercícios criativos que contribuíram para a construção de sonhos. Como eu, vários garotos tiveram sonhos que se estruturaram nos bancos do Liceu Maranhense.
A trama do "Caçador de Pipas" se desenvolve entre o inicio de 1970 e termina em 2001. Nesse lapso de tempo o Afeganistão teve invasão russa e viu a chegada do regime Talibã, que precipitaram a decadência de um país que não tem grandes riquezas naturais. Como conseqüência, em 2001 o Afeganistão tinha o pior IDH de todos os países relacionados pela ONU. Nos seus últimos relatórios, a ONU deixou de registrar o IDH daquele país de população infelicitada, em que aos garotos foi proibido “caçar pipas”.
No Maranhão, no período da estória do livro, não ocorreu invasão russa, não houve conflitos étnico-religiosos, e o Estado sempre possuiu algumas das melhores riquezas naturais dentre os Estados brasileiros. Aos garotos maranhenses não foi proibido “empinar e escorar papagaios”, no entanto, um pequeno grupo se auto-declarou dono do Estado e castrou os sonhos da maioria deles, para construir fortuna e agir como se o Maranhão fosse a sua propriedade, da forma que são as suas mansões. O resultado não poderia ser outro. O Maranhão atravessou o milênio com o pior IDH entre todos os Estados brasileiros.
(Publicação simultânea no jornal O Imparcial, de São Luís do Maranhão, 09.fev.2008)
domingo, 10 de fevereiro de 2008
O QUE HÁ DE VERDADE SOBRE VACINA CONTRA CÂNCER
Recebi uma comunicação sobre vacina para câncer. Repassei-a para colegas de redações de jornais e TV de Fortaleza, para pesquisarem a veracidade da informação, dado que meu atual trabalho não me permitiria dedicar-me a essa pesquisa.
Agradeço à colega Kélvia Ribeiro, da Televisão Verdes Mares, que me enviou o texto abaixo, com os esclarecimentos de que o informe recebido por mim é um "spam". Há, de fato, estudos na linha de uma "vacina terapêutica" que ajuda no tratamento de alguns cânceres ("tratamento adjuvante", portanto, complementar), mas não substitui os tratamentos convencionais. Convém frisar que não se trata de uma vacina preventiva. A seguir, a nota do Grupo Genoa Biotecnologia e o "spam" já referido. Com estas informações, você não perderá tempo com aquela comunicação infundada.
INFORMAÇÃO AO PÚBLICO ACERCA
DA IMUNOESTIMULAÇÃO ADJUVANTE
(Vacina Terapêutica)
Foi divulgado um "spam" na Internet que apresentou a vacina como uma formade medicamento milagroso incentivando pacientes a procurar o seu uso (Veja íntegra abaixo deste comunicado). Queremos advertir aos pacientes que o conteúdo desta corrente não possui nenhum vínculo científico. O Grupo Genoa Biotecnologia não se responsabiliza pela mesma.
A corrente citou a participação de um renomado hospital que não tem qualquer relação com o programa atual de vacinas ou comercial com o Grupo Genoa Biotecnologia e também não disponibiliza essa ou qualquer outra vacina para seus pacientes.
Em Janeiro de 2001, sob coordenação de um pesquisador do ICB-USP, começamosa desenvolver um projeto para avaliar o benefício clínico do uso terapêuticode vacinas baseadas na fusão de células tumorais e células dendríticas empacientes portadores de Carcinoma Renal e Melanoma metastático. O projeto foi denominado "Vacinas Terapêuticas com Células HíbridasTumorais-Dendríticas para Câncer Metastático" e aprovado por um comitê de ética em pesquisa (HSL) e financiado pela Fapesp em processo datado em 3 deMaio de 2001 (# 2001/02339-8).
As vacinas foram desenvolvidas no Laboratório de Patologia Cirúrgica e Molecular. Os resultados do projeto inicial, considerados bastante promissores, foram publicados na revista "Cancer Immunology Immunotherapy", em setembro de 2004, e outras (Cancer Immunol Immunother. 2004 Dec;53(12):1111-8; Cancer Immunol Immunother. 2005 Jan;54(1):61-6.; Int Braz J Urol. 2003Nov-Dec;29(6):517-9.; Sao Paulo Med J. 2006 May 4;124(3):161-2).
De acordo com a ANVISA, as vacinas não se caracterizam como produtos, mas como procedimento médico e, portanto, não passíveis de regulamentação. As vacinas são individualizadas, sendo utilizado um fragmento de tumor do próprio paciente para produção de doses exclusivas. A avaliação do programa de vacinas, para pacientes que tomaram no mínimo duas doses de vacinas, resultou na estabilização de 80% dos pacientes com benefício clínico por períodos que variaram de 4 a 20 meses.
As células dendríticas são as mais eficientes na ativação da resposta imune, justificando o seu uso em vacinas híbridas com células tumorais, o que revelou positividade do teste de sensibilidade em pacientes com tumores disseminados. A negatividade do teste caiu de 55,5% para 27,7% em pacientes vacinados, o que afirma a função da vacina como estimuladora do sistema imune.
Foi observado que o tempo de sobrevida média para doentes com melanoma disseminado e tratados com as vacinas foi de treze meses comparados com oito meses de sobrevida para pacientes com mesmo estágio da doença que foram tratados convencionalmente. Queremos esclarecer que as vacinas NÃO substituem os tratamentos convencionais de Radioterapia e Quimioterapia, mas podem contribuir como tratamento adjuvante.
O Grupo Genoa Biotecnologia está desenvolvendo projetos experimentais para tratamento adjuvante (complementar) com vacina de células dendríticas cuja inclusão nesses programas depende da análise do oncologista do paciente.
Atenciosamente,
Genoa Biotecnologia
(Informação ao Público acerca da imunoestimulação adjuvantePublicado por admin em Genoa Biotecnologia, Oncocell, Vacina)
ÍNTEGRA DO "SPAM":
Por favor, divulguem esta maravilha brasileira!
Já existe vacina contra alguns tipos de câncer.
Foi desenvolvida por cientistas brasileiros, mostrando-se eficaz em 80% dos casos, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada da doença. A vacina é fabricada utilizando-se um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias está pronta e é remetida para o médico oncologista do paciente.
Os cientistas desenvolveram a vacina no Hospital Sirio Libanês - Grupo Genoa (telefone 0800-7737327). Se preferirem, entrem no site http://www.vacinacontraocancer.com.br/ e obtenham maiores informações a respeito.
Agradeço à colega Kélvia Ribeiro, da Televisão Verdes Mares, que me enviou o texto abaixo, com os esclarecimentos de que o informe recebido por mim é um "spam". Há, de fato, estudos na linha de uma "vacina terapêutica" que ajuda no tratamento de alguns cânceres ("tratamento adjuvante", portanto, complementar), mas não substitui os tratamentos convencionais. Convém frisar que não se trata de uma vacina preventiva. A seguir, a nota do Grupo Genoa Biotecnologia e o "spam" já referido. Com estas informações, você não perderá tempo com aquela comunicação infundada.
INFORMAÇÃO AO PÚBLICO ACERCA
DA IMUNOESTIMULAÇÃO ADJUVANTE
(Vacina Terapêutica)
Foi divulgado um "spam" na Internet que apresentou a vacina como uma formade medicamento milagroso incentivando pacientes a procurar o seu uso (Veja íntegra abaixo deste comunicado). Queremos advertir aos pacientes que o conteúdo desta corrente não possui nenhum vínculo científico. O Grupo Genoa Biotecnologia não se responsabiliza pela mesma.
A corrente citou a participação de um renomado hospital que não tem qualquer relação com o programa atual de vacinas ou comercial com o Grupo Genoa Biotecnologia e também não disponibiliza essa ou qualquer outra vacina para seus pacientes.
Em Janeiro de 2001, sob coordenação de um pesquisador do ICB-USP, começamosa desenvolver um projeto para avaliar o benefício clínico do uso terapêuticode vacinas baseadas na fusão de células tumorais e células dendríticas empacientes portadores de Carcinoma Renal e Melanoma metastático. O projeto foi denominado "Vacinas Terapêuticas com Células HíbridasTumorais-Dendríticas para Câncer Metastático" e aprovado por um comitê de ética em pesquisa (HSL) e financiado pela Fapesp em processo datado em 3 deMaio de 2001 (# 2001/02339-8).
As vacinas foram desenvolvidas no Laboratório de Patologia Cirúrgica e Molecular. Os resultados do projeto inicial, considerados bastante promissores, foram publicados na revista "Cancer Immunology Immunotherapy", em setembro de 2004, e outras (Cancer Immunol Immunother. 2004 Dec;53(12):1111-8; Cancer Immunol Immunother. 2005 Jan;54(1):61-6.; Int Braz J Urol. 2003Nov-Dec;29(6):517-9.; Sao Paulo Med J. 2006 May 4;124(3):161-2).
De acordo com a ANVISA, as vacinas não se caracterizam como produtos, mas como procedimento médico e, portanto, não passíveis de regulamentação. As vacinas são individualizadas, sendo utilizado um fragmento de tumor do próprio paciente para produção de doses exclusivas. A avaliação do programa de vacinas, para pacientes que tomaram no mínimo duas doses de vacinas, resultou na estabilização de 80% dos pacientes com benefício clínico por períodos que variaram de 4 a 20 meses.
As células dendríticas são as mais eficientes na ativação da resposta imune, justificando o seu uso em vacinas híbridas com células tumorais, o que revelou positividade do teste de sensibilidade em pacientes com tumores disseminados. A negatividade do teste caiu de 55,5% para 27,7% em pacientes vacinados, o que afirma a função da vacina como estimuladora do sistema imune.
Foi observado que o tempo de sobrevida média para doentes com melanoma disseminado e tratados com as vacinas foi de treze meses comparados com oito meses de sobrevida para pacientes com mesmo estágio da doença que foram tratados convencionalmente. Queremos esclarecer que as vacinas NÃO substituem os tratamentos convencionais de Radioterapia e Quimioterapia, mas podem contribuir como tratamento adjuvante.
O Grupo Genoa Biotecnologia está desenvolvendo projetos experimentais para tratamento adjuvante (complementar) com vacina de células dendríticas cuja inclusão nesses programas depende da análise do oncologista do paciente.
Atenciosamente,
Genoa Biotecnologia
(Informação ao Público acerca da imunoestimulação adjuvantePublicado por admin em Genoa Biotecnologia, Oncocell, Vacina)
ÍNTEGRA DO "SPAM":
Por favor, divulguem esta maravilha brasileira!
Já existe vacina contra alguns tipos de câncer.
Foi desenvolvida por cientistas brasileiros, mostrando-se eficaz em 80% dos casos, tanto no estágio inicial como em fase mais avançada da doença. A vacina é fabricada utilizando-se um pequeno pedaço do tumor do próprio paciente. Em 30 dias está pronta e é remetida para o médico oncologista do paciente.
Os cientistas desenvolveram a vacina no Hospital Sirio Libanês - Grupo Genoa (telefone 0800-7737327). Se preferirem, entrem no site http://www.vacinacontraocancer.com.br/ e obtenham maiores informações a respeito.
Ainda Aceitamos Tacitamente o Coronelismo!!
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86).
Por
Ana Cândida Echevenguá
Advogada.
Presidente da Ambiental Acqua Bios
Coordenadora do Programa Eco&ação.
http://www.ecoeacao.com.br/
(48) 84014526 - Florianópolis, SC.
Para Freud, o homem é um animal, em sua essência, cujo sentimento de superioridade levou-o a criar uma ordem civilizada para diferenciar-se do animal não-humano. Mas, não conseguindo transcender sua animalidade, como membro integrante duma amoral ordem predatória, sujeita-se aos instintos básicos animais. A vitalidade do animal-homem irrompe indiferente a valores do bem e do mal. Por isso, liberdades culturais produzem nefastos desequilíbrios. Por isso, incentivamos a violência! E convivemos, de forma harmônica, com a impunidade!
A primeira pesquisa de vitimização feita em quatro capitais brasileiras - São Paulo, Rio, Vitória e Recife apurou:
1- as dimensões da insegurança brasileira: 67% das pessoas ouvidas sabem que serão vítimas de roubo ou furto; 57% disseram que evitam locais por razões de insegurança;
2- que ocorrem três vezes mais crimes do que o registrado pelas Polícias Civil e Militar: apenas 27,1% das vítimas, nos últimos cinco anos, de algum delito, notificaram a polícia;
3- que 51% da população foi vítima de delito nos últimos cinco anos e 67% crê piamente que será roubada ou furtada;
4- os três fatores que levam ao silêncio da vítima: a escolaridade, o tipo de crime (exemplo: 14% das agressões sexuais são informadas à polícia) e a confiança na polícia. Infelizmente, a polícia é uma instituição em descrédito!
O povo foi deixado à mercê da arrogância e truculência policial, em total afronta ao Estado Democrático e de Direito e em detrimento da liberdade do indivíduo. Mas precisa proteger-se contra atos opressivos ou destituídos do necessário coeficiente de legalidade e de razoabilidade.
Pois bem, vou contar um fato que presenciei no dia 23 de outubro de 2003!
Um jovem foi vítima de várias ilegalidades e injustiças: 1. Diante da atual desordem e insegurança pública reinante, furtaram-lhe os documentos, inclusive a carteira de habilitação. 2. Não pôde cumprir os requisitos administrativos para obtenção da segunda via desta porque os trabalhadores banco estadual competente – BESC – estavam exercendo o direito de greve. 3. Precisava locomover-se para trabalhar e estudar. Afinal, a vida continua!
Fazendo uso de seu veículo ciclomotor, sem a documentação exigida pelo Estado que não lhe deu proteção, sofre um acidente de trânsito. Mais uma vez, o Estado não atuou na guarda e fiscalização do trânsito urbano. Meia dúzia de policiais militares, em duas viaturas oficiais, chegam ao local, após o acidente. E se limitam a conduzir os envolvidos no sinistro à Delegacia de Polícia Civil. 4. As partes, após razoável tempo de espera, prestam seus depoimentos de forma civilizada, embora estejam visivelmente nervosas. O responsável civil pela coleta das declarações cumpre, de forma exemplar, seu dever legal. 5. Enquanto acompanhava estes procedimentos, ouvi um susurro: "o coronel chegou!".
Ingressa na sala um coronel fardado, integrante da Polícia Militar. Dirige-se – como se fosse o dono da casa - ao escrivão e, em flagrante abuso de autoridade e em manifesta proteção pessoal à administrada/motorista do veículo responsável pelo acidente, diz: "deve constar no Boletim de Ocorrência que o rapaz estava dirigindo sem a carteira de habilitação". O clima por ele gerado foi estarrecedor! Parecia querer informar que o rapaz acidentado era um bandido, um inimigo da democracia (embora, neste pseudo-estado democrático, seja irrelevante a rotulação dada ao nosso regime).
Entendi que o coronel era pai de uma das acompanhantes da administrada/depoente. E estava ali pra prestar-lhe apoio pessoal (com características claras de apoio institucional, já que devidamente uniformizado, com estrelas reluzentes, amealhadas ao longo do exercício de sua atividade, à mostra). Perguntei-lhe qual era seu interesse no caso: ele silenciou. Pedi ao pai do rapaz ferido que anotasse o nome e posto do militar, identificação visível em seu fardamento. O coronel chamou-nos de "babacas", por tomarmos essa atitude. E sua filha proferiu palavrões que prefiro não reproduzir.
Naquela hora, tive a sensação de ter ingressado nos livros de Franz Kafka, cujas obras criticam a opressão burocrática das instituições, a pseudo-justiça e a fragilidade do homem do povo no enfrentamento dos problemas cotidianos. Ou de ter retornado ao período de trevas da ditadura, em que preponderava a liberação dos instintos do subterrâneo e era permitido o juízo ou tribunal de exceção. Em 2003, ainda aceitamos tacitamente o coronelismo!! O ato, acima mencionado, do coronel feriu, em especial, os preceitos do artigo 37 da nossa Constituição Federal, e alguns dos princípios ali elencados: legalidade, impessoalidade, moralidade. E a Constituição Estadual de Santa Catarina, entre outros.
Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência alegando o banimento do coronelismo da vida política brasileira, apesar de incentivar o fortalecimento da autonomia policial e de combater abertamente o Ministério Público. Victor Nunes Leal escreveu que "Durante a primeira República, a organização policial foi um dos mais sólidos sustentáculos do 'coronelismo' e, ainda hoje, em menores proporções, continua a desempenhar essa missão" (pág. 226).
Cabe ao Estado dar o exemplo à sociedade da aplicação da Justiça, dos valores morais e éticos que devem ser perseguidos pela Administração Pública. Se este mesmo Estado descumpre as normas insertas nas suas Constituições, cabe à Justiça manter o equilíbrio, coibindo abusos e ilegalidades.
Fala-se em democracia no Brasil. Mas aqui vige a tradição do Estado forte e absoluto, desrespeitador dos direitos e garantias individuais e coletivas. A falta de vergonha e de moral é um câncer que deve ser extirpado da Administração porque fomenta a impunidade. Os administradores continuam usurpando a democracia, em benefício de interesses escusos, maculando-a, sob a débil e enfadonha desculpa do perigo vermelho.
O brasileiro sabe, embora nossos governantes insistam no firme propósito de mantê-lo ignorante, que existe uma Constituição, a garantir seus direitos. E espera da polícia e dos tribunais a preservação do Estado de Direito. Mas, ainda fecha os olhos e a boca para a injustiça. Os atos dos policiais não são discutidos, salvo se as próprias corporações quiserem. A absolvição dos 123 PMs de Eldorado dos Carajás é um exemplo clássico. Há mais de cem anos, Rui Barbosa já pregava que todas as crises do Brasil são sintomas da crise moral.
Obras consultadas e citadas:
1 - ‘Coronelismo, enxada e voto – O município e o regime representativo no Brasil’, 3ª edição, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997.
2 - A Emenda Constitucional 33, de 13 de junho de 2003 deu a seguinte redação ao artigo 107 e seus incisos, da Constituição do Estado de Santa Catarina: "Art. 107. À Polícia Militar, órgão permanente, força auxiliar, reserva do Exército, organizada com base na hierarquia e na disciplina, subordinada ao Governador do Estado, cabe, nos limites de sua competência, além de outras atribuições estabelecidas em Lei: I – exercer a polícia ostensiva relacionada com: a) a preservação da ordem e da segurança pública; (...) e) a guarda e a fiscalização do trânsito urbano; (...) III – atuar preventivamente como força de dissuasão e repressivamente como de restauração da ordem pública.
Por
Ana Cândida Echevenguá
Advogada.
Presidente da Ambiental Acqua Bios
Coordenadora do Programa Eco&ação.
http://www.ecoeacao.com.br/
(48) 84014526 - Florianópolis, SC.
Para Freud, o homem é um animal, em sua essência, cujo sentimento de superioridade levou-o a criar uma ordem civilizada para diferenciar-se do animal não-humano. Mas, não conseguindo transcender sua animalidade, como membro integrante duma amoral ordem predatória, sujeita-se aos instintos básicos animais. A vitalidade do animal-homem irrompe indiferente a valores do bem e do mal. Por isso, liberdades culturais produzem nefastos desequilíbrios. Por isso, incentivamos a violência! E convivemos, de forma harmônica, com a impunidade!
A primeira pesquisa de vitimização feita em quatro capitais brasileiras - São Paulo, Rio, Vitória e Recife apurou:
1- as dimensões da insegurança brasileira: 67% das pessoas ouvidas sabem que serão vítimas de roubo ou furto; 57% disseram que evitam locais por razões de insegurança;
2- que ocorrem três vezes mais crimes do que o registrado pelas Polícias Civil e Militar: apenas 27,1% das vítimas, nos últimos cinco anos, de algum delito, notificaram a polícia;
3- que 51% da população foi vítima de delito nos últimos cinco anos e 67% crê piamente que será roubada ou furtada;
4- os três fatores que levam ao silêncio da vítima: a escolaridade, o tipo de crime (exemplo: 14% das agressões sexuais são informadas à polícia) e a confiança na polícia. Infelizmente, a polícia é uma instituição em descrédito!
O povo foi deixado à mercê da arrogância e truculência policial, em total afronta ao Estado Democrático e de Direito e em detrimento da liberdade do indivíduo. Mas precisa proteger-se contra atos opressivos ou destituídos do necessário coeficiente de legalidade e de razoabilidade.
Pois bem, vou contar um fato que presenciei no dia 23 de outubro de 2003!
Um jovem foi vítima de várias ilegalidades e injustiças: 1. Diante da atual desordem e insegurança pública reinante, furtaram-lhe os documentos, inclusive a carteira de habilitação. 2. Não pôde cumprir os requisitos administrativos para obtenção da segunda via desta porque os trabalhadores banco estadual competente – BESC – estavam exercendo o direito de greve. 3. Precisava locomover-se para trabalhar e estudar. Afinal, a vida continua!
Fazendo uso de seu veículo ciclomotor, sem a documentação exigida pelo Estado que não lhe deu proteção, sofre um acidente de trânsito. Mais uma vez, o Estado não atuou na guarda e fiscalização do trânsito urbano. Meia dúzia de policiais militares, em duas viaturas oficiais, chegam ao local, após o acidente. E se limitam a conduzir os envolvidos no sinistro à Delegacia de Polícia Civil. 4. As partes, após razoável tempo de espera, prestam seus depoimentos de forma civilizada, embora estejam visivelmente nervosas. O responsável civil pela coleta das declarações cumpre, de forma exemplar, seu dever legal. 5. Enquanto acompanhava estes procedimentos, ouvi um susurro: "o coronel chegou!".
Ingressa na sala um coronel fardado, integrante da Polícia Militar. Dirige-se – como se fosse o dono da casa - ao escrivão e, em flagrante abuso de autoridade e em manifesta proteção pessoal à administrada/motorista do veículo responsável pelo acidente, diz: "deve constar no Boletim de Ocorrência que o rapaz estava dirigindo sem a carteira de habilitação". O clima por ele gerado foi estarrecedor! Parecia querer informar que o rapaz acidentado era um bandido, um inimigo da democracia (embora, neste pseudo-estado democrático, seja irrelevante a rotulação dada ao nosso regime).
Entendi que o coronel era pai de uma das acompanhantes da administrada/depoente. E estava ali pra prestar-lhe apoio pessoal (com características claras de apoio institucional, já que devidamente uniformizado, com estrelas reluzentes, amealhadas ao longo do exercício de sua atividade, à mostra). Perguntei-lhe qual era seu interesse no caso: ele silenciou. Pedi ao pai do rapaz ferido que anotasse o nome e posto do militar, identificação visível em seu fardamento. O coronel chamou-nos de "babacas", por tomarmos essa atitude. E sua filha proferiu palavrões que prefiro não reproduzir.
Naquela hora, tive a sensação de ter ingressado nos livros de Franz Kafka, cujas obras criticam a opressão burocrática das instituições, a pseudo-justiça e a fragilidade do homem do povo no enfrentamento dos problemas cotidianos. Ou de ter retornado ao período de trevas da ditadura, em que preponderava a liberação dos instintos do subterrâneo e era permitido o juízo ou tribunal de exceção. Em 2003, ainda aceitamos tacitamente o coronelismo!! O ato, acima mencionado, do coronel feriu, em especial, os preceitos do artigo 37 da nossa Constituição Federal, e alguns dos princípios ali elencados: legalidade, impessoalidade, moralidade. E a Constituição Estadual de Santa Catarina, entre outros.
Fernando Henrique Cardoso deixou a presidência alegando o banimento do coronelismo da vida política brasileira, apesar de incentivar o fortalecimento da autonomia policial e de combater abertamente o Ministério Público. Victor Nunes Leal escreveu que "Durante a primeira República, a organização policial foi um dos mais sólidos sustentáculos do 'coronelismo' e, ainda hoje, em menores proporções, continua a desempenhar essa missão" (pág. 226).
Cabe ao Estado dar o exemplo à sociedade da aplicação da Justiça, dos valores morais e éticos que devem ser perseguidos pela Administração Pública. Se este mesmo Estado descumpre as normas insertas nas suas Constituições, cabe à Justiça manter o equilíbrio, coibindo abusos e ilegalidades.
Fala-se em democracia no Brasil. Mas aqui vige a tradição do Estado forte e absoluto, desrespeitador dos direitos e garantias individuais e coletivas. A falta de vergonha e de moral é um câncer que deve ser extirpado da Administração porque fomenta a impunidade. Os administradores continuam usurpando a democracia, em benefício de interesses escusos, maculando-a, sob a débil e enfadonha desculpa do perigo vermelho.
O brasileiro sabe, embora nossos governantes insistam no firme propósito de mantê-lo ignorante, que existe uma Constituição, a garantir seus direitos. E espera da polícia e dos tribunais a preservação do Estado de Direito. Mas, ainda fecha os olhos e a boca para a injustiça. Os atos dos policiais não são discutidos, salvo se as próprias corporações quiserem. A absolvição dos 123 PMs de Eldorado dos Carajás é um exemplo clássico. Há mais de cem anos, Rui Barbosa já pregava que todas as crises do Brasil são sintomas da crise moral.
Obras consultadas e citadas:
1 - ‘Coronelismo, enxada e voto – O município e o regime representativo no Brasil’, 3ª edição, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1997.
2 - A Emenda Constitucional 33, de 13 de junho de 2003 deu a seguinte redação ao artigo 107 e seus incisos, da Constituição do Estado de Santa Catarina: "Art. 107. À Polícia Militar, órgão permanente, força auxiliar, reserva do Exército, organizada com base na hierarquia e na disciplina, subordinada ao Governador do Estado, cabe, nos limites de sua competência, além de outras atribuições estabelecidas em Lei: I – exercer a polícia ostensiva relacionada com: a) a preservação da ordem e da segurança pública; (...) e) a guarda e a fiscalização do trânsito urbano; (...) III – atuar preventivamente como força de dissuasão e repressivamente como de restauração da ordem pública.
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